quarta-feira, 28 de setembro de 2016

AVALIAÇÃO: s/5 EDITORA:José Olympio CORTESIA ISBN: 978-85-03-00528-9 GÊNERO: Poesia brasileira PUBLICAÇÃO: 2016 (30ª edição) PÁGINAS: 93

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: José Olympio, Cortesia
ISBN: 9788503005289
GÊNERO: Poema, Poesia, Ficção Brasileira
PUBLICAÇÃO: 2016
PÁGINAS: 96 SKOOB

Cobra Norato surgiu através dos primeiros rabiscos  do escritor Raul Bopp, em meados de 1921. No entanto, só foi concluído em 1928, na primeira fase do modernismo brasileiro. Bopp, na época, era estudante de Direito em Belém do Pará. Por lá, ficou fascinado ao descobrir as lendas amazônicas e pela lenda da Cobra Grande. História essa que possui diversas versões.

Na variante da Cobra Norato, uma índia tomava banho no rio Amazonas até ser engravidada pela Cobra Grande. Dos laços entre ambos nasceu um menino, Norato e uma menina, Maria Caninana. A mocinha era uma peste. Vivia afogando os navegadores. O irmão, por ter um bom coração, foi obrigado a matá-la por ser tão má. Como penitência por sua atitude o jovem Norato passou a se transformar em um rapaz sedutor todas as noites, e ao longo rio despedia-se de sua pele de cobra, para ganhar forma humana. Há lendas que dizem que se alguma pessoa conseguisse pingar leite na boca dele, na versão cobra, e conseguisse ferir-lhe a cabeça, o pobre seria desencantado e se tornaria apenas homem.

Mas na versão de Raull Bopp foram criados outros personagens. Para Norato, ele arranjou uma jovem moça, a filha da rainha Luzia, que por sinal é citada diversas vezes. No entanto, o romance dos dois passa por diversas provações. Até que finalmente eles ficam noivos.

A poesia de Bopp é diferente por não seguir uma linearidade. Ou seja, cada página e capítulo pertencem um ao outro. Não há como lê-los de maneira independente. Uma das coisas mais bacanas do livro é a menção à palavras indígenas, que tudo bem, dificulta um pouco a compreensão textual, mas é enriquecedor ler uma obra tão singela e emblemática da poesia brasileira.

"quero levar minha noiva

quero estarzinho com ela

numa casa de morar

com porta azul piquininha

pintada a lápis de cor

quero sentir a quentura do seu corpo

de vaivém

querzinho de ficar junto

quando a gente quer bem bem"

A editora José Olympio fez um lindo trabalho ao escolher as cores da capa e as ilustrações dos capítulos. Ficou um livro fácil e gostoso de manusear. Adorei! A poesia nunca é fácil de ser lida e interpretada. Cada verso  possui uma intenção e cabe a você entender a mensagem subliminar que cabe a cada uma delas.

"e quando estivermos à espera

que a noite volte outra vez

hei de ler contar histórias

escrever nomes na areia

pro vento brincar de apagar"


Sobre o autor
Kamila Renata Brito
Kamila Renata Brito


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