O blog Viagens de Papel recebeu alguns títulos infantojuvenis para análise, desta vez foram três dos lançamentos  da Escrita Fina Edições: Manual poético dos esportes olímpicos, Canto do Uirapuru e O castelo ao lado.

Foto: Nara Dias/Viagens de Papel

AVALIAÇÃO: 2/5 EDITORA: ESCRITA FINA, CORTESIA ISBN: 9788559090048 GÊNERO: POESIA, INFANTOJUVENIL PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 140 SKOOB

AVALIAÇÃO: 2/5 EDITORA: ESCRITA FINA, CORTESIA ISBN: 9788559090048 GÊNERO: POESIA, INFANTOJUVENIL PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 140 SKOOB

Em razão da proximidade dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, escolhi o título “O manual poético dos esportes olímpicos” para estar em sintonia com esses importantes eventos mundiais tão próximos de nós brasileiros, além, é claro, da curiosidade em saber que Luís Ernesto Lacombe, além de jornalista esportivo, arriscou não só escrever um livro sobre um assunto que tem facilidade, mas ousou em transformar isso em poesia.

Parabenizo a Escrita Fina Edições pela excelente apresentação do livro, material tipográfico de primeira, as ilustrações de Leo Queiroz complementam muito bem a obra. Em ordem alfabética é apresentada cada uma das 32 modalidades olímpicas presentes no Rio 2016, primeiramente a silhueta da modalidade, na página ao lado a poesia, na seguinte um dedinho de prosa, onde o esporte é explicado, alguma curiosidade e na página ao lado uma ilustração em destaque.

A proposta do livro é bem interessante, no entanto, nem tudo é perfeito, apesar de detestar poesia, avaliei a qualidade das rimas e em muitas delas o texto ficou infantil, tive a impressão de que para conseguir a métrica necessária, foi preciso repetir e forçar palavras. Além de sobrar muito espaço em branco no livro, já que a poesia ocupa apenas 3/5 da página. Fora isso, na parte dedicada à prosa, em algumas modalidades existe longos textos que utilizam a página toda, porém em mais da metade mal chegam na metade da folha, ou seja, mais espaços em branco, que poderiam ter sido melhor utilizados para contar mais sobre o esporte, sua origem…

Um outro ponto falho foi não ter aproveitado as ilustrações para dar vida às palavras, durante a leitura tanto da poesia como da prosa fiquei perdida por não entender a descrição de determinados golpes ou manobras, é frustante ler e não conseguir mentalizar, em determinados momentos da prosa o autor recomenda que o leitor procure vídeos na internet para entender o que ele está mencionando.

Apesar de todos os pontos fracos, acredito que os esportistas de plantão conseguirão utilizar melhor o manual do que nós simples mortais. Professores de Educação Física podem fazer trabalhos aliados aos docentes de Língua Portuguesa e conseguir resultados interessantes junto aos alunos, incentivando práticas esportivas.

“Atira em pé, ajoelhado.

E também atira deitado.

Atira no prato, pratinho,

O prato voa, é rapidinho.

Mas fique esperto, seja vivo:

tiro, tiro só o esportivo.”

Foto: Nara Dias/Viagens de Papel

Foto: Nara Dias/Viagens de Papel


AVALIAÇÃO: 4,5/5 EDITORA: ESCRITA FINA, CORTESIA ISBN: 9788559090031 GÊNERO: POESIA, INFANTOJUVENIL PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 140 SKOOB

AVALIAÇÃO: 2/5 EDITORA: ESCRITA FINA, CORTESIA ISBN: 9788559090031  GÊNERO: Ficção, INFANTOJUVENIL PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 156 SKOOB

A história é narrada por Max, ou melhor, Maximiliano, adolescente de 16 anos, que vive próximo a São João da Boa Vista, numa fazenda chamada Canto do Uirapuru, mora junto com o avô paterno Mario e a mãe Nina. O rapaz está chegando à fase adulta e passa por um momento de auto-afirmação, onde necessita lidar com: a ausência do pai, que foi trabalhar na cidade e nunca mais voltou, nem deu notícias, apesar do avô paterno alegar que ele volta; as implicâncias de Bártira e seus irmãos, descendentes indígenas, que inventam diversos apelidos para Max, inclusive foguinho; o fracasso de nunca conseguir pescar um pacu no rio da fazenda; as assanhadices de Deia, garota com a qual cresceu junto; sem falar no sonho de estudar na cidade e fazer faculdade, o que é muito incentivado pela professora Beth.

Uma noite o avô retorna da bocha e Max percebe a ausência de seu velho cachorro, que o acompanha desde muito novo, seu Mario e o neto encontram Tom, o cachorro fora picado por uma cobra e ambos levam o animal para a jari (avó em guarani), além de sua sabedoria centenária, a senhora que é avó de Bártira, presta ajuda à todos no Canto do Uirapuru, isso sem mencionar os causos que conta aos moradores, quando se reúnem à noite.

No dia seguinte jari Inara comenta que os donos da fazenda, os Gárcia retornaram e logo conversarão com todas as famílias que moram no local. Max decide ajudar Lina, a neta de dona Gárcia, pensando que será fácil ajudar uma adolescente anêmica passeando com ela pela região, porém a garota apesar de esquisita, possui uma película de proteção capaz das maiores grosserias com os que a rodeiam. A partir de então outros conflitos surgem, além dos que Max já precisa enfrentar.

Fiquei completamente admirada com essa obra, ela simplesmente conseguiu cativar. Não era a obra que havia escolhido para ler a princípio, mas quando iniciei me senti grata por tê-la em mãos.

“Família é quem está perto, Lina. Quem mora com você e também quem mora em seu coração. Não é coisa pra se saber ou explicar, é sentimento.”

O livro possui 21 capítulos, o título  que aparece no rodapé está numa linda fonte. Passei a gostar da capa do livro depois de iniciada a leitura, ela ambienta muito bem o texto, poderia ter algumas ilustrações na parte interna, mas isso de forma nenhuma atrapalhou a imaginação, pelo contrário, a visualização mental de cada acontecimento descrito foi fácil de criar. Durante a narrativa, o protagonista cita algumas poesias de Carlos Drummond e alguns longas brasileiros que teve acesso na escola, essas citações enriquecem o texto.

“Um homem tem o momento de fincar seu pé e fazer o que é certo.”

Érica Bombardi ficou entre os nove finalistas no Prêmio Barco a Vapor de Literatura Juvenil em 2015 com essa história que retrata muito bem a vida da população rural brasileira. Ela enaltece nossa cultura com um texto suave sob a perspectiva de um rapaz simples do campo.

Antes eu achava que perdia meu tempo aqui na Canto do Uirapuru, mas agora, acho que vou perder se for embora. Mas, mesmo se eu não for, a gente vai perder é muito.

Foto: Nara Dias/ Viagens de Papel

Foto: Nara Dias/ Viagens de Papel


AVALIAÇÃO: 2/5 EDITORA: ESCRITA FINA, CORTESIA ISBN: 9788559090048 GÊNERO: POESIA, INFANTOJUVENIL PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 140 SKOOB

AVALIAÇÃO: 2/5 EDITORA: ESCRITA FINA, CORTESIA ISBN: 9788559090062 GÊNERO: CRÔNICA, INFANTOJUVENIL PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 80 SKOOB

O castelo ao lado chama atenção por ser um livro que sai dos padrões que estamos acostumados, ao folheá-lo percebe-se que além de ser menor, o texto é apresentado com espaçamento maior entre linhas, as delicadas ilustrações feitas em aquarela por André Cortes nos transmitem uma sensação boa, tranquilidade de espírito, são muito bonitas realmente.

O livro é uma homenagem que a escritora faz a sua própria memória, nos tempos de brincadeiras com os primos na casa de sua avó. Em azul, centralizado, ela destaca as músicas de diversas brincadeiras, cantadas não só por ela, mas por tantas outras crianças dessa e de outras gerações.

No decorrer do texto, menciona em diferentes momentos do dia, o castelo. Edith consegue transmitir muito bem o olhar da criança que distraída em suas brincadeiras hora ou outra observa com curiosidade, mas logo esquece. A narração não tem a intenção de destacar um personagem ou contar uma história, como estamos acostumados, é um texto nostálgico, usado para deixar gravado um tempo que não volta jamais. Fiquei um pouco decepcionada com a leitura, apesar de em diversos momentos ter me lembrado de minha própria infância, mesmo que em diferentes aspectos, mas a decepção foi mais por conta de ter criado uma expectativa em saber o que realmente havia no tal castelo e isso não ter sido sanado.

Foto: Nara dias/Viagens de Papel

Foto: Nara Dias/Viagens de Papel

Sobre o autor
Nara Dias 31 anos (22/12) – São Paulo Pós graduada na USP em Ética, valores e cidadania na escola, atua como professora de informática e robótica para crianças de 4 a 11 anos. Também com especialização em Libras - Língua Brasileira de Sinais, participa da comunidade surda da região onde mora, na Baixada Santista. Seu perfil no Skoob com mais de mil livros lidos, mostra sua paixão pelo gênero infanto-juvenil, onde capa, ilustração e tipo de impressão interferem muito em suas escolhas.


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