AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: PLATAFORMA 21,CORTESIA ISBN: 9788550700007 GÊNERO: INFANTOJUVENIL PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 228 SKOOB

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: PLATAFORMA 21, CORTESIA
ISBN: 9788550700007
GÊNERO: FICÇÃO REALISTA, JOVEM ADULTO
PUBLICAÇÃO: 2016
PÁGINAS: 228
SKOOB

Rosa Howard é uma garotinha de 12 anos que mora com o seu pai e sua cachorra chamada Poça. Ela é uma menina muito esperta e especial, mas nem todos conseguem enxergar o quão especial ela é. Rosa possui autismo de alto funcionamento, o que a faz ter uma grande necessidade de rotina e dificuldades de interação. Além disso, ela não possui os mesmos interesses de seus colegas de classe. Ao invés de se interessar pelos assuntos comuns, ela adora as regras (de trânsito, da escola e da língua), principalmente os homônimos e os números primos, tanto que ela possui uma lista cheia de homônimos, e toda vez que descobre um novo, ela vibra de alegria e os coloca em sua lista.

Sua vida possui uma rotina perfeita, e ela adora seguir essa rotina. Toda vez que algo acontece e ela precisa quebrar essa rotina, Rosa acaba se desestruturando, o que acaba irritando seu pai, que por muitas vezes não entende a complexidade da situação de sua filha. Mas apesar de ter um pai que ás vezes não a compreende, Rosa tem a sorte de ter um tio que está sempre ao seu lado, e que compartilha de seu interesse pelos homônimos, além de ter sua amada cachorra Poça, com quem possui uma ligação muito especial.

A perfeita rotina de Rosa é quebrada quando uma coisa muito ruim acontece. Após uma terrível tempestade, Poça acaba se perdendo, e Rosa decide ir em busca de sua cachorrinha perdida, só que em meio a essa busca, Rosa descobre que as coisas não são tão simples e que ela deverá tomar uma difícil decisão que vai afetar muito sua vida.

“As tardes ficaram longas. Parecia que tinham muitos vazios: o vazio entre olhar na caixa da minha mãe e começar a fazer o dever de casa, o vazio entre terminar o meu dever de casa e começar a fazer o jantar. Não sei o que fazer com esses vazios. A Poça costumava preenchê-los. Como se preenche um vazio?”

Com uma abordagem simples e uma linguagem totalmente nova para mim, Como procurar um cachorro perdido me ganhou no instante em que li sua sinopse. Eu nunca tinha lido nada sobre autismo, e o assunto era completamente desconhecido para mim, então ter a oportunidade de ler uma obra como esta me deixou muito feliz.

O livro é narrado em primeira pessoa, vemos tudo com a visão da Rosa, é como se estivéssemos na mente da menina, e isso fez com que eu me apegasse demais a ela e entendesse todos os seus dramas e as suas necessidades.  Essa escolha de narrativa foi um acerto enorme da autora, afinal como iríamos entender tão bem essa história se a narração fosse de outra maneira? Com essa narração, a história, que possui uma base tão simples (um cachorro perdido), ganhou um toque a mais e se tornou muito mais interessante.

Assim como no livro Extraordinário (um dos meus favoritos <3), no qual acompanhamos a história de uma criança “diferente” tentando se encaixar em meio a outras crianças “normais”, vemos como é difícil controlar os sentimentos das crianças, que por muitas vezes acabam zoando o colega por não entender que o mundo é cheio de pessoas diferentes umas das outras. E isso não é um gesto de maldade, tanto que em ambas as histórias é possível ver que no decorrer da narrativa, as crianças superam as diferenças e demonstram ser muito mais amáveis e compreensivas do que muitos adultos.

Como procurar um cachorro perdido é um livro sobre o amor e a amizade, é muito mais do que um livro sobre uma garota autista. É um livro simples que carrega uma mensagem linda de companheirismo, e que mostra que não existe só uma maneira certa de ver mundo, pois não há nada de errado em ver o mundo de uma maneira diferente.

Sobre o autor
Tayara Olmena Estudante que tomou gosto pela leitura aos 12 anos de idade depois que leu "A marca de uma lágrima" do escritor Pedro Bandeira. Costuma ler de tudo, mas ainda torce o nariz para o romance. Além de ler, também é viciada em séries e filmes, e não perde a oportunidade de maratonar sua série favorita.


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  1. domingo, 11 de setembro de 2016.

    Oi Tay, títulos que abordam protagonistas como Rosa além de serem excelentes por nos darem a oportunidade de reflexão sobre o que difere de nós mesmos, são cativantes por nos faz aceitar com uma facilidade maior. Lembrei de algumas obras que já li e trazem esse tipo de personagem: Colin Fischer, O dia em que B apareceu, Toda luz que não podemos ver, O céu noturno em minha mente…

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