AVALIAÇÃO: 3,5/5 EDITORA: BEST SELLER, CORTESIA ISBN: 9788576849919 GÊNERO: BIOGRAFIA, MEMÓRIAS, NÃO FICÇÃO PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 160 SKOOB

AVALIAÇÃO: 3,5/5
EDITORA: BESTSELLER, CORTESIA
ISBN: 9788576849919
GÊNERO: BIOGRAFIA, MEMÓRIAS, NÃO FICÇÃO
PUBLICAÇÃO: 2016
PÁGINAS: 160
SKOOB

Confissões de uma arrependida

Nas sombras do Estado Islâmico é um relato de uma mulher, mãe, esposa, dona de casa e muitas características comuns a muitas realidades e etnias, que aos seus 33 anos de idade sofre uma crise existencial. Sophie Kasiki nasceu em 1981, em Kinshasa, no Congo, onde viveu até os nove anos de idade. Criada pela mãe e as tias num casarão, rodeada de amor e cuidados, nunca teve a sensação da ausência paterna em sua vida. Nada lhe faltava.

A mãe era uma senhora bondosa, um exemplo, uma mulher forte e determinada, enfermeira por profissão e tinha no ofício o zelo pelos necessitados. O mundo aos olhos de uma menina de nove anos é perfeito. No entanto, a mãe de Sophie adoeceu e veio a falecer. Ninguém explicou àquela criança o que estava acontecendo, ninguém queria a responsabilidade pela guarda dela. Assim, Sophie deixa sua terra e é enviada a Paris aos cuidados da irmã mais velha, Alice.

Alguns dias ou semanas se passaram e o cotidiano de Sophie ganhava um novo rumo, sua vida nunca voltaria a ser como antes. A menina cresceu, se manteve cativa do luto, sem que ninguém percebesse que necessitava de acompanhamento. Agora adulta, Sophie acreditava que era indiferente a tudo que compunha sua trajetória. O passado ia se esvaindo, lentamente.

Sophie conseguiu seu primeiro emprego, casou-se e teve um filho. Mas algo lhe faltava. Era infeliz. Perdeu o gosto pela vida. No seu bairro havia algumas famílias islâmicas, ela era católica. Aos poucos viu nessa religião a reposta para o seu sofrimento. Estava mais ciente de si e feliz, assim, sem que ninguém soubesse, se converteu, tornou-se muçulmana.

Como assistente social, dedicava parte de seu tempo à casa do bairro, lá vivenciava o contato com outras famílias e culturas. Sentia-se bem com algumas das famílias islâmicas que ali frequentavam, principalmente a de Idriss. Sentia -se muito próxima de outros dois meninos que ali também iam. Um dia, os três meninos se foram. Foi por meio da irmã de Idriss que ela soube que eles fugiram para Síria, um país em guerra.

Diariamente, Sophie visitava as famílias em busca de notícias. Em uma noite de dezembro, ela recebeu uma ligação via Skype pelo celular. Era Idriss, que no início desejava notícias da família. Os outros dois, Souleymane e Mohammed, também mantiveram contato.

Por eles, Sophie soube que a vida lá não era como reportada pelas notícias, tudo aquilo não passava de propaganda enganosa. Segundo os “meninos”, a vida era tranquila e produtiva, estavam numa boa cidade e longe dos bombardeios. Soube que naquela região havia um hospital que necessitava de pessoal e ajuda. Que o povo sírio sofria e necessitava dela.

Já fazia seis meses que os “meninos” haviam partido, três desde que mantinha contato com eles. Convencida por eles, decidiu embarcar numa viagem de um mês à Síria em companhia do filho, agora com três anos de idade. Para a família e esposo, cujo o casamento estava em crise, iria para Turquia numa viagem humanitária.

Em Raca, a capital do Estado Islâmico, inicialmente foi bem recebida. No entanto, notou que havia algo de errado. Pessoas andavam armadas pelas ruas, outras viviam em situações deploráveis e amedrontadas. Logo passou de alienada à prisioneira. E, assim, decidiu fugir.

Nas sombras do Estado Islâmico é o testemunho de uma mulher que buscou na religião o conforto para seu vazio. Mas, incapaz de perceber que seus atos a levaram a algo mais que uma grave depressão. Sophie pôs a si e ao filho numa situação incompreensível e extremamente perigosa. Uma ida sem volta. Mas teve a capacidade de se recuperar desta escolha, teve sorte.

A realidade dos sírios é triste, conforme os próprios relatos de Sophie neste livro. Os estrangeiros que são alienados e aderem ao grupo terrorista do Estado Islâmico, veem os sírios como uma classe inferior, agindo e se comportando como soberanos.

Enfim, é um relato único, porém não se aprofunda nos detalhes, tanto que a história é narrada em 160 páginas. Sophie nos conta brevemente de sua infância e vida adulta, bem como os dois meses que passou em Raca, desde a chegada até a fuga. Uma leitura breve sobre as experiências de uma mulher no Estado Islâmico que nos serve de alerta. De volta à França, Sophie nos conta sua história.


Sobre o autor
Patrícia Oliveira Patrícia Oliveira, 25 anos (07/01) – São José/SC. Acadêmica de Direito, leitora assídua e blogueira. Lê de tudo um pouco, seus gêneros literários favoritos são romance histórico, época e contemporâneo, thriller psicológico, fantasia épica e clássicos. Sempre cultivou a ideia de criar um blog, onde pudesse compartilhar sua opinião. Quando não está fazendo tarefas cotidianas, geralmente está divertindo-se na companhia de seus bichos de estimação. Curte séries, filmes de comédia romântica e animes, mas sua grande paixão é a literatura.


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  1. domingo, 11 de setembro de 2016.

    Gosto desse tipo de leitura, retrata a realidade e serve como um alerta para a realidade que nos cerca.

  2. sexta-feira, 20 de janeiro de 2017.

    Oi tudo bem,
    Eu não conhecia o livro, mas pela resenha me parece que essa é uma leitura bem densa.
    Não é uma obra que eu me anime a ler por me sentir mal ao ler livros com essa pegada de lugares em guerra, abuso feminino, machismo exacerbado, ainda mais quando a obra é não ficção.
    Por isso não faria a leitura no momento.
    Beijos

  3. sábado, 21 de janeiro de 2017.

    eu fiquei muuuuito tensa com essa leitura, só pensava no pobre do menino,e em como ela iria ser recebida de volta em casa por todos que aconheciam e viram o que ela fez… além da culpa dela, pois ela não foi com más intenções…

  4. sábado, 21 de janeiro de 2017.

    Não conhecia a obra, mas só pelo título já dá pra perceber que não é nada leve.
    É terrível o que vem acontecendo com os povos e eu me assusto demais com essa coisa de Estado Islâmico. Gostaria de ler um relato de alguém que viveu isso, mas com certeza me sentiria desconfortável e ficaria ainda mais desesperada que já sou naturalmente.
    Espero que ela tenha conseguido ficar “de boa” depois da publicação. Ou seja, que não tenham se vingado dela ou coisa do tipo.

  5. sábado, 21 de janeiro de 2017.

    Sempre tive receio de ler livros de guerra por sempre acabar me sentindo mal durante a leitura! Mas é muito bom que as pessoa tenham suas histórias contadas!
    Beijos

  6. sábado, 21 de janeiro de 2017.

    Olá Patricia, tudo bem?
    Nossa que livro interessante. Não costumo ler biografia mas confesso que essa me deixou curiosa por se tratar também de relato de memorias. Amei a sua dica. Super anotada. Beijos

  7. domingo, 22 de janeiro de 2017.

    Olá, tudo bem?
    Sua resenha está ótima, me prendeu do começo ao fim, mas não curto muito esse gênero de leitura, então eu passo a dica.
    Um beijo.

  8. domingo, 22 de janeiro de 2017.

    Oi, Patrícia!

    Eu não tenho psicológico pra esse tipo de livro. Sempre sofro demais com relatos de vida das pessoas e fico abalada por dias.

    Vou deixar passar a dica.

    Beijos!

  9. segunda-feira, 23 de janeiro de 2017.

    Oiii Patty, tudo bem?
    Eu estou é louca para ler esse livro que você nem imagina, é um tema que me atrai, apesar de tenso, acertou bem em escrever essa resenha.
    Beijinhos da Morgs!

  10. terça-feira, 24 de janeiro de 2017.

    Olá,
    Nunca li nada que envolvesse de tal forma o Estado Islâmico e ainda mais com uma mulher.
    A premissa é bem interessante e fiquei intrigada para saber um pouco mais sobre Sophie e o que ela passou para tentar se encontrar.

    http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

  11. quarta-feira, 25 de janeiro de 2017.

    Oi
    Achei o livro curto para o assunto. Gostei muito da premissa, com certeza um livro que eu leria. Acho até importante esse tipo de leitura, pois sempre aprendemos como as coisas são em outras religiões.
    Bjus

  12. quinta-feira, 26 de janeiro de 2017.

    Oi, Patrícia. Tudo bem?
    Fiquei bem interessada nesse livro. Gosto de relatos, ainda mais quando falam sobre as guerras atuais, que acho muito importante saber, mais, debater sobre isso. Já vou anotar a dica aqui.
    Beijos <3

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