AVALIAÇÃO: 3/5 EDITORA: GERAÇÃO EDITORIAL, CORTESIA ISBN: 8575090054 GÊNERO: INFANTOJUVENIL PUBLICAÇÃO: 2001 PÁGINAS: 48 SKOOB

Em sua 6ª edição, O outro lado do Paraíso foi publicado pela primeira vez há 35 anos, recebendo o selo pela FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, recomendado como leitura suplementar.

Um menino narra a história vivida pela própria família, por causa da inquietação do pai, um nato sonhador, que vive em busca de “Evilath” (local onde é possível encontrar ouro, conforme mencionado no livro de Gênesis), ou seja, sempre busca uma forma de viver melhor com a família, nem que tenha que deixar a família por uns tempos. Um dia, o pai Antonio Trindade chega em casa mostrando na revista “O cruzeiro” a cidade de Brasília em construção, atraído pelas promessas do então presidente João Goulart. No dia seguinte. a família está no caminhão mudando-se para o Distrito Federal, Taguatinga.

Apesar de sua importância na literatura brasileira, ainda não conhecia a obra e sempre gosto de me aventurar nesse tipo de leitura, de cunho político. Essa edição em capa dura dá destaque à obra e sem dúvida as ilustrações da Thais Linhares conseguem incorporar  sonhos, política e religiosidade de forma única.

O autor retrata no livro sua própria infância junto aos pais, Antonio e Maria, e o convívio com os irmãos menores Silvinha e o caçula Tunico. Mostra a admiração do menino pelo pai quando o vê alegre devaneando e tristeza quando percebe que os sonhos e a esperança do pai vão se degradando.

Mesmo com apenas 48 páginas, a leitura é indicada para crianças a partir dos 11 anos, já que apesar de ser em prosa e conter lindas ilustrações, é um enredo verdadeiro, que mostra os sentimentos vividos por um menino em meio os conflitos políticos de nosso país no período da Ditadura Militar, além da dura realidade de muitos brasileiros na época. Ao final da história, duas páginas traçam um panorama dos presidentes da época e a página final mostra as fotos da família.

Foto: Nara Dias / Viagens de Papel

Foto: Nara Dias / Viagens de Papel

“Nós voltamos ali muitas outras vezes para ver o Jango sair do Palácio. As pessoas ficaram esperando, tinha dia que até batiam palmas e gritavam vivas e urras, não sei bem por quê. E, também não sei por quê, a cara do Jango parecia a cada dia mais velha. Seria um homem triste, mesmo dono de um país tão grande como o Brasil?”

Adaptação Cinematográfica da obra: 

Cortesia da Geração Editorial

No mês de julho, a Geração Editorial disponibilizou uma cortesia especial para que os blogs parceiros pudessem assistir a estreia da adaptação cinematográfica do livro. Como não pude ir, convidei uma professora e amiga para ir e nos passar suas impressões sobre o longa.

“Gostamos muito do filme, ótima produção, bem envolvente. Meu marido é exigente para filmes, mas ficou bem atento.”

– Nathalia Gonçalves e Wellington Alexandre Gonçalves

O famoso ator Eduardo Moscovis interpretou Antonio Trindade, que se desdobra para sustentar a esposa e seus três filhos. Com um constante desassossego de espírito, entre idas e vindas para Minas, tentando descobrir a razão de sua vida, Antonio muda com a família para Brasília, pensando que dessa vez sua sorte está mudando, porém o Brasil vive as tensões causadas pela período de tirania militar.

O longa já conquistou diversos prêmios nos seguintes eventos: Festival de Gramado; Festival de Brasília; Festival Latino-americano de Trieste, na Itália; Festival Latino Americano da Catalunha, em Lleida, na Espanha.

Muitos sites foram dispendiosos em elogiar o desenvolvimento da história e também a forma como imagens e vídeos reais da política brasileira foram inseridos no filme, vale a pena assistir.

Foto: Nara Dias / Viagens de Papel (Wellington Alexandre Gonçalves e Nathalia Gonçalves)

“Minha mãe não queria olhar as luzes de Brasília e nunca mais iria querer.”

“Meu pai ajudou a construir minha primeira biblioteca.”

“Vi as casinhas velhas ficando para trás e os sonhos de meu pai também.”

“Na verdade a gente não corre atrás dos sonhos, a gente luta por eles. Isso é o que nos move.”

Sobre o autor
Nara Dias 31 anos (22/12) – São Paulo Pós graduada na USP em Ética, valores e cidadania na escola, atua como professora de informática e robótica para crianças de 4 a 11 anos. Também com especialização em Libras - Língua Brasileira de Sinais, participa da comunidade surda da região onde mora, na Baixada Santista. Seu perfil no Skoob com mais de mil livros lidos, mostra sua paixão pelo gênero infanto-juvenil, onde capa, ilustração e tipo de impressão interferem muito em suas escolhas.


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  1. domingo, 11 de setembro de 2016.

    Parabéns Nara.
    Ótima resenha! Obrigada por nos permitir participar.
    Grande abraço.

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