segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Avaliação: 4/5 Editora: Suma de Letras, Cortesia ISBN: 9788556510099 Gênero: Ficção Científica Publicação: 2016 Páginas: 296 Skoob

Avaliação: 4/5
Editora: Suma de Letras, Cortesia
ISBN: 9788556510099
Gênero: Ficção Científica
Publicação: 2016
Páginas: 296
Skoob

A primeira vez que ouvi falar de A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, foi durante a faculdade, em uma aula de radiojornalismo, em que estudamos a adaptação feita por Orson Welles para o rádio. Welles transformou a história ficcional em uma peça de radioteatro e fez a transmissão em 1938. A rádio CBS interrompeu sua programação musical para noticiar uma invasão de marcianos, o que causou pânico em várias cidades dos Estados Unidos. A adaptação de Welles contava com reportagens, testemunhas, opiniões de autoridades, efeitos sonoros etc. Cerca de 1,2 milhão de ouvintes, que na época estavam acostumados com o formato do radiojornalismo, pensaram se tratar de uma real invasão. O episódio foi marcante para a história do rádio.

Agora, em 2016, ano em que se celebra os 150 anos do escritor, a editora Suma de Letras relançou este clássico da ficção científica em uma edição comemorativa de encher os olhos. Com capa dura, soft touch, o livro traz também ilustrações do brasileiro Henrique Alvim Corrêa, feitas especialmente para uma edição de 1906 do livro. A edição também conta com prefácio, introdução e uma entrevista de 1940 feita com H.G. Wells e com Orson Welles. Começo o texto falando sobre essa edição, pois ela faz toda a diferença na leitura. Os textos de apoio e as ilustrações enriquecem a história e propõem uma nova experiência.

O livro, publicado pela primeira vez em 1897, conta a história de uma invasão da Terra por marcianos que queriam colonizar o país e, por isso, estavam dispostos a liquidar a população por meio de raios carbonizadores e máquinas assassinas. A história é ambientada em Londres, no início do século XX, e o protagonista é um jornalista convidado a ir ao Observatório de Ottershaw, onde estavam sendo observadas explosões na superfície de Marte. Logo depois, abre-se uma cratera perto da casa do narrador, e o que parecia ser um meteoro, é na verdade um cilindro metálico, de onde saem os marcianos, que logo mostram que não estão em busca de paz.

A curiosidade inicial dos habitantes da Terra logo dá lugar ao mais puro terror. Os marcianos, que se locomovem sob máquinas com tripés metálicos, são ágeis e possuem uma força extrema, passando por cima de tudo que está em sua frente. O leitor acompanha a devastação do ponto de vista do narrador, mas em certos momentos fica sabendo o que acontece também em cidades próximas, como os marcianos atingem rapidamente outros locais.

Foto Divulgação: Ilustrações feitas por Henrique Alvim Corrêa para a edição de 1906 de 'A guerra dos mundos' são reproduzidas na nova versão da obra .

Foto Divulgação: Ilustrações de Henrique Alvim Corrêa para a edição de 1906 de “A guerra dos Mundos” são reproduzidas na nova versão da obra lançada pela Companhia das Letras.

O livro é rico em detalhes e o relato do narrador faz quase com que o leitor seja também parte da história, observando tudo o que está acontecendo. Além disso, a história criada pelo autor foi inovadora para a época, trazendo uma invasão alienígena para a literatura com seres mais evoluídos do que os seres humanos. As descrições feitas por Wells e as tecnologias criadas por ele se destacam no livro.

Wells também eleva sua obra ao ser o primeiro autor a criticar a sociedade por meio de uma ficção científica. A Guerra dos Mundos traz uma crítica ao ego do ser humano e sua superioridade, colocando-nos como seres microscópicos, frágeis e observados por algo maior. Apesar de escrito há muitos anos, e questionar a sociedade colonizadora da época, que exterminou os indígenas, as reflexões propostas ainda são muito pertinentes.

Sobre o autor
Camila Tebet
Camila Tebet Camila Tebet, 24 anos (05/06) – Paraná Jornalista, tem a literatura como uma de suas paixões. Acredita que os livros têm o poder de transformar e falar sobre essa arte é um de seus passatempos favoritos. Entre os seus livros favoritos estão "Harry Potter" (é claro), "Na Natureza Selvagem", "Orgulho e Preconceito" e "A Menina Que Roubava Livros". Também é apaixonada por séries, cinema e fotografia. Escreve também para o site www.expressocultural.com.


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  1. quinta-feira, 4 de agosto de 2016.

    Sempre me falaram que esse livro era 10x melhor que o filme!
    Ainda tenho que ler!
    Ótima matéria! E parabéns pelo site!
    Aproveitando, vem conhecer nosso site também: http://www.elefantevoador.com

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