AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS ISBN: 9788535918502 GÊNERO: ROMANCE, FICÇÃO AFRICANA PUBLICAÇÃO: 2011 PÁGINAS: 328 SKOOB

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS
ISBN: 9788535918502
GÊNERO: ROMANCE, FICÇÃO AFRICANA
PUBLICAÇÃO: 2011
PÁGINAS: 328
SKOOB

Chimamanda é uma autora que há muito tempo queria conhecer seu trabalho. Para quem não conhece a escritora, ela é uma nigeriana que participa da música Flawless da Beyoncé. Como curso a graduação em História, em muitos momentos o nome da escritora era citado, despertando ainda mais a curiosidade. Dos romances publicados no Brasil, o que mais me atraiu (principalmente pelo tamanho) era Hibisco Roxo. No entanto, estava acostumado a narrativa metafórica de Mia Couto e tinha certo receio de não gostar tanto assim da escrita de Chimamanda. Ledo engano.

Em Hibisco Roxo, conhecemos uma Nigéria afetada pelos efeitos da colonização branca. Numa época de internet, celulares e capitalismo, o catolicismo de um grande capitalista, que é balanceado entre o altruísmo e a tirania religiosa e que rejeita as tradições de seu povo como bárbaras e profanas, ainda é capaz de assombrar a vida de sua família. É aqui que nos é apresentada Kambili, protagonista da história, que nos conta de que maneira seu pai vai lentamente destruindo a vida de todos com uma mistura de fé, pavor e superproteção.

Quando li a sinopse, não imaginava o quão quanto ia me surpreender. Li o livro em praticamente uma tarde, de tão envolvente que ele era. Chimamanda apresenta uma história em que várias forças estão atuando juntas e ao mesmo tempo de maneiras contrárias. De um lado temos o cristianismo fervoroso do pai de Kambili, decorrente do contato do branco com as populações africanas, que se mostra algo obsessivo e extremamente prejudicial a manutenção da família; de outro temos o tradicionalismo africano mostrado pelo avó de Kambili, um senhor sábio e contador de histórias, mas que aos olhos de seu filho é pagão e apenas comete pecados; por fim temos a figura da tia de Kambili, Ifeoma, que é professora universitária e que possui uma outra postura. Em meio a tudo isso, temos Kambili, uma jovem que muitas vezes não sabia o que fazer ou como agir.

Pode-se dizer que o livro é um romance de formação, onde Kambili se vê amadurecendo diante daquele cenário. Para completar a situação, temos o padre Amadi, que consegue aliar a fé cristã ao respeito pela realidade do povo, e por quem Kambili nutre uma certa atração. Chimamanda narra não apenas uma história, mas traz questões pertinentes a um processo que se iniciou no começo do século XX e ainda hoje reflete na vida das pessoas que ali vivem: o colonialismo. Não vou negar que há cenas realmente fortes, mas que serviram para despertar reflexões e pensamentos que não tive antes. Como disse nas resenhas de Mia Couto, sempre acho necessário ler esse tipo de literatura pelo simples fato de sair da zona de conforto ao qual estamos acostumados.

Hibisco Roxo não é um livro com final feliz ou algo do tipo. É uma história real, que traz questões do tempo presente e que mesmo sendo ficção, permeiam as relações e o dia-a-dia de quem vive. Kambili é apenas uma mera protagonista diante de tantas outras coisas que ocorrem. Terminei o livro com o sentimento de dever cumprido e no desejo de sair correndo e ler as outras obras da autora. Se puderem, leiam!

Sobre o autor
Lucas Kammer Orsi
Lucas Kammer Orsi

Estudante de História. Vê nos livros uma maneira de fugir da realidade e encontrar um pouco de aconchego do cotidiano tão corrido. Potterhead, se emociona fácil com romances, mas não deixa de lado um bom suspense, de viver uma aventura e dá gargalhadas com um chick-lit. Está sempre com suas séries atrasadas, mas isso não o impede de sempre começar mais uma. Amante da música pop, é grande fã de Taylor Swift.



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  1. domingo, 24 de julho de 2016.

    Adoro me deparar com essas dicas mais “cults’ do Viagens de Papel. Estou anotado diversas autoras para minha lista de leituras obrigatórias.
    Gislaine | Paraíso da Leitura

  2. quinta-feira, 28 de julho de 2016.

    Adorei o blog!! Tem uma pegada diferente do que vejo em blogs por ai.
    Um comentário aqui disse que gosta das dicas “cults” do Viagens de Papel, e é bem essa a definição que eu daria, cults… diferente e atraente…
    “Hibisco Roxo”, não tinha ouvido falar, mas me atraiu muito e quero ler, depois dessa resenha.
    Parabéns a todos do Viagens de Papel! 😉

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