AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788535920840 GÊNERO: NÃO-FICÇÃO PUBLICAÇÃO: 2012 PÁGINAS: 200 SKOOB

AVALIAÇÃO: 5/5EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIAISBN: 9788535920840GÊNERO: NÃO-FICÇÃOPUBLICAÇÃO: 2012PÁGINAS: 200 SKOOB

Esse livro “Anatomia de um Julgamento: Ifigênia em Forest Hills” é mais um título da coleção de Jornalismo Literário da Companhia das Letras. Fui apresentada a essa coleção quando estava no segundo ano da faculdade de Jornalismo, porém naquela época não me interessei em ler outros livros. Acredito que agora eu consiga ter uma bagagem literária e jornalística melhor.

Nesse livro, a jornalista Janet Malcolm consegue nos mostrar que às vezes a realidade que está sendo mostrada não é tão absoluta quanto parece. Ela parte do caso de uma mãe que está sendo indiciada por mandar matar o marido, devido a guarda da filha que foi perdida – e aparentemente tudo parece ser simples. Na obra, conseguimos ver críticas ao sistema penitenciário de Nova York, dificuldade enfrentadas pelos imigrantes, entre outras.

A médica Mazoltuv Boruhkova é uma mulher de origem uzbeque e pertencente à seita judaica bucarana. Quando seu ex-marido Daniel Malakov morre, todos acreditam que ela mandou matar ele, devido às condições que aconteceu o assassinato. A imprensa, jurados e todos os outros acreditam que ela é a culpada, e claro que as evidências apontam para que isso se torne cada vez mais forte.

Além de Mazoltuv, temos o suposto homem que atirou em Daniel, Mikhail Mallayev. O homem teve 91 ligações com a médica em um período curto de tempo, o motivo dado pela defesa é devido a problemas de saúde da esposa do acusado. Sabemos que acontecem muitos crimes parecidos em Nova York, porém o que chama a atenção da imprensa é que todos os envolvidos são judeus ortodoxos bucaranos – que possuem uma colônia extremamente fechada e muito grande em Forest Hills.

É em meio a isso que a narrativa se desenrola, Malcolm não faz a defesa da ré – isso não é o papel dela, porém em alguns momentos podemos ver uma compaixão. A autora nos mostra a competição entre os advogados para poder ganhar o caso – e fica claro que ela não concorda como os métodos da promotoria.

O livro não quer saber se Mazoltuv é culpada ou não. E, na obra, podemos ver como todos – juízes, assistentes sociais, advogados – criaram uma antipatia em relação à ré. Eles duvidam de seus argumentos e quando ela depõe para o júri a desaprovação fica clara, porém não se sabe o porquê.

É um livro rápido de ser lido, porém o leitor deve ter atenção. A autora é breve e isso faz com que o leitor não perca o interesse, também não se alonga em algumas passagens do livro. No posfácio, temos a entrevista que a autora concedeu por e-mail para Katia Roiphe, publicada na Paris Review.

“O jornalismo é um empreendimento de tranquilização. Não torcemos nossas mãos e rasgamos nossas roupas diante dos crimes e desastres sem sentido que nos proporcionam nossa matéria. Nós explicamos e culpamos. Somos conhecedores da certeza. ‘Ei, nós pegamos o assassino. Não se preocupe. Você pode ir ao playground. Nada vai acontecer.’ ”

Sobre o autor
Stephany Guebur Stephany Guebur, 21 anos (05/01) – Paraná Jornalista. Começou a ler no ensino fundamental, porque quanto mais livros apresentava, mais ganhava pontos na média. A partir daí, descobriu que ler é maravilhoso e que podemos viajar sem sair do lugar. Apesar de ter dado uma parada entre o ensino médio e a faculdade, sempre lia um livro aqui, outro ali. Entre seus livros favoritos estão a série "O Diário da Princesa", "Na Natureza Selvagem", e os de Monteiro Lobato, com os quais entrou no mundo da literatura, como muitas outras crianças. Além disso, é apaixonada por séries e viagens.


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  1. domingo, 17 de julho de 2016.

    Sou apaixonada por livros jornalísticos ou qualquer que se assemelha a eles. Gosto do título em questão me chamou uma atenção absurda.
    Vou procurar para ler.
    Beijinhos, Helana ♥
    In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

  2. segunda-feira, 18 de julho de 2016.

    Oiii garota, como vai?
    Menina sou completamente apaixonada por livros jornalisticos e agora você me traz a resenha deste, não posso falar nada além de anotar a dica, realmente nos surpreendem essas obras.
    Beijiinhos

  3. segunda-feira, 18 de julho de 2016.

    Já ouvi falar sobre esta obra.
    Tudo que sei é que é incrível.
    A coleção Jornalismo Literário só tem o melhores títulos.
    Quando puder, leia “A Sangue Frio”. São mais de 400 páginas. mas é um bom livro. E compõe esta coleção maravilhosa.

    Beijinhos…
    http://estantedalullys.blogspot.com.br/

  4. segunda-feira, 18 de julho de 2016.

    Olá. O livro me chamou muita atenção pela sua resenha, não que seja meu gênero preferido, mas eu fiquei encantada pela resenha.
    E curiosa também, porque agora preciso mesmo saber o que aconteceu de verdade se ela fez ou não. rs
    Ótima resenha.
    Beijos
    http://casinhadaliteratura.blogspot.com.br/

  5. quarta-feira, 20 de julho de 2016.

    Olá, tudo bem?

    Muito interessante a proposta do livro, confesso que não conhecia e acho que nunca li um livro jornalistico. Mas gostei muito da premissa, com certeza deve ser uma boa leitura e ao mesmo tempo angustiante no sentido de acompanhar a história da ré.
    Abraços.

  6. quarta-feira, 20 de julho de 2016.

    Adorei a resenha e achei a indicação super bacana! Um livro diferente, mas com certeza interessante. O universo midiático e investigativo é sempre muito curioso.
    Abraço;

    http://estantelivrainos.blogspot.com.br

  7. quinta-feira, 21 de julho de 2016.

    Olá, acredito que nunca tenha lido nenhum livro do gênero e achei a dica interessante, sua resenha ficou ótimas e já estou anotando a dica para mudar um pouco o gênero de livros que tenho lido últimamente.

    Abraços

  8. sábado, 23 de julho de 2016.

    Achei super interessante e uma duvida: é baseado em fatos reais? E de fato, 91 ligacoes é um número bem alto…

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