segunda-feira, 11 de julho de 2016

Avaliação: 5/5 Editora: Companhia das Letras, Cortesia ISBN: 9788535900804 Publicação: 2010 Páginas: 246 Skoob

Avaliação: 5/5
Editora: Companhia das Letras, Cortesia
ISBN: 9788535900804
Gênero: Ficção Africana Publicação: 2010
Páginas: 246
Skoob

Sempre tive curiosidade e vontade de ler algo do Coetzee, ganhador do Prêmio Nobel, e decidi começar por Desonra, considerado sua obra prima. Assim que bati o olho no livro, pensei que fosse uma leitura arrastada, apesar de ter poucas páginas. Não podia estar mais enganada. Para mim, a leitura foi impactante e envolvente, tanto que terminei o livro em uns três dias. A leitura foi bastante marcante e não se encerrou assim que terminei de ler a última página. Foi bastante significativa e me fez refletir sobre vários aspectos.

Desonra conta a história do professor universitário David Lurie. Ele foi casado duas vezes e teve uma filha, mas atualmente mora sozinho e não tem muitas relações. Um dia, envolve-se com uma de suas alunas, uma paixão inconsequente que acaba resultando em um processo com acusações de abuso. Isso faz com que ele seja demitido e caia em desgraça, tendo sua vida alterada por um episódio que a princípio não levaria a nada, além de um caso arrebatador.

Depois que se vê desempregado, ele resolve passar um tempo na fazenda da filha Lucy. Lá, duas realidades se encontram. Ele leva um choque ao se deparar com a África do Sul pós-apartheid, em que as relações de disputa são marcadas pela violência e rivalidade constantes. O clima é hostil e para sobreviver naquele ambiente é preciso abdicar de muitas coisas e também de muitos princípios.

No tempo que passa com a filha, ele percebe que ali as preocupações do dia a dia são outras e que Lucy enfrenta tudo sozinha, tendo que se provar o tempo todo e renunciar a muitas coisas para se manter na fazenda. Juntos, pai e filha passam por situações degradantes, que revelam ainda mais a hostilidade do local. Lurie se vê impotente diante dos episódios vividos e percebe que ali todo o seu conhecimento, intelectualidade e pensamento crítico, de nada adiantam.

Com uma narrativa crua, direta e extremamente envolvente, Coetzee traz uma história arrebatadora, que fala sobre os embates e relações da humanidade. Estão presentes no livro diversos episódios de violência e submissão, que representam uma terra de ninguém, composta por anos de exploração e sentimento de ressentimento. Enquanto Lurie está se recuperando de um obstáculo, se depara com vários outros, que mostram pra ele uma nova realidade, difícil de ser enfrentada. Muitas vezes ele não consegue entender as motivações da filha, mas aos poucos percebe que estão enraizadas em uma cultura difícil de ser alterada, uma terra sem esperança.

Desonra aborda temas como machismo, preconceito, liberdade, violência sexual, violência contra os animais, entre outros. Os personagens possuem anseios, qualidades e defeitos que os tornam muito reais. A obra conta com trechos chocantes e incômodos, principalmente a passividade de Lucy diante de todos os episódios vividos. Mas, assim como Lurie vai conhecendo essa nova realidade, o leitor também faz uma reflexão sobre o cenário cultural daquele local, diferente do que estamos acostumados em muitos aspectos. Apesar de cruel, Desonra traz muitos questionamentos e uma nova visão de mundo.

Sobre o autor
Camila Tebet
Camila Tebet

Camila Tebet, 24 anos (05/06) – Paraná
Jornalista, tem a literatura como uma de suas paixões. Acredita que os livros têm o poder de transformar e falar sobre essa arte é um de seus passatempos favoritos. Entre os seus livros favoritos estão “Harry Potter” (é claro), “Na Natureza Selvagem”, “Orgulho e Preconceito” e “A Menina Que Roubava Livros”. Também é apaixonada por séries, cinema e fotografia. Escreve também para o site www.expressocultural.com.



Deixe uma resposta

Comentários no Facebook

%d blogueiros gostam disto: