Avaliação: 4/5 Editora: Bertrand Brasil, Cortesia ISBN: 9788528620269 Gênero: Contos Publicação: 2016 Páginas: 320 Skoob

Avaliação: 4/5
Editora: Bertrand Brasil, Cortesia
ISBN: 9788528620269
Gênero: Contos, Crônicas, Não Ficção
Publicação: 2016
Páginas: 320
Skoob

Nova York é um dos lugares que eu mais quero conhecer no mundo inteiro. Sempre sonho com o dia em que visitarei esse lugar. Quando eu imagino a cidade, penso em todas as possibilidades culturais e toda a diversidade que ela proporciona. Dificilmente penso no outro lado da moeda e por isso o livro Histórias de duas cidades – o melhor e o pior da Nova York de hoje me fez refletir muito.

Organizado por John Freeman, professor da Universidade de Columbia e ex-editor da revista literária Granta, com publicações em vários jornais dos EUA, o livro traz textos de mais de 25 autores, que apresentam diversas visões sobre Nova York. Em seu texto de apresentação, Freeman fala sobre como surgiu a ideia do livro e de sua própria experiência. Ele mora em Manhattan e vivia uma vida confortável, enquanto seu irmão mais novo vivia do outro lado da cidade, em um abrigo para sem-tetos.

Apesar do lado glamouroso de Nova York estar sempre em destaque, a desigualdade divide a cidade. Freeman aponta que quase metade da população vive à margem da pobreza. Como uma forma de mostrar a realidade do local, o autor convidou outros autores para falar sobre isso. Assim, o livro traz textos sobre os mais variados assuntos, inclusive um relato emocionante de seu irmão, Tim Freeman, sobre a época em que era sem-teto.

Logo no primeiro conto, o autor Garnette Cadogan conta como suas andanças pelas ruas de Nova York revelaram os polos opostos da cidade. Quando ia do Upper East Side, o bairro nobre da cidade, com moradores muito ricos, até o South Bronx, ele percebia como a desigualdade saltava aos olhos, revelando oportunidades para alguns e pobreza para outros. Outros textos do livro falam sobre como é ser barman em Nova York, sobre sentenças judiciais a respeito de disputas imobiliárias, um apanhado de manchetes que revelava o destino dos moradores da cidade em 1912, sobre a pressão que as crianças sofrem desde cedo nas escolas, um retrato dos imigrantes na cidade, entre tantos outros.

Como traz histórias curtas que não têm ligação entre si, a leitura é bem fluída. O número de páginas de cada conto varia, assim como os estilos e formas de contar as histórias, então a obra é dinâmica e nada cansativa. Nada impede também de ir lendo os contos aos poucos, degustando com calma. Ainda que não se interliguem, todas as histórias trazem o elemento em comum de apresentar a realidade da cidade, um lugar onde 1% da população ganha mais de 500 mil dólares por ano e 22 mil crianças não têm um lar.

O livro propõe diversos questionamentos, pois apresenta um lado que é frequentemente escondido, deixado de lado. Mostra que a cidade, apesar de muito reconhecida, têm muitos problemas e que são poucos os que conseguem viver confortavelmente no local. Histórias de duas cidades vale muito a pena para quem tem interesse pela cidade. A obra destaca-se por fazer um retrato fiel de Nova York apresentando suas variadas vertentes.

“A desigualdade se manifesta tanto como desigualdade de recursos quanto, na direção oposta, desigualdade de interações. Mas, na verdade, todos ficam menores quando não existe interação, quando faltam experiências compartilhadas. Os muito ricos e os muito pobres – a desigualdade os torna iguais”

“Eu não me mudei para Nova York com o propósito de ser pobre e viver da previdência social, mas infelizmente foi o que acabou acontecendo. Eu não compreendia plenamente Nova York antes de me mudar para lá, mas creio que agora entendo. Nova York é uma história de duas cidades -,  a Nova York Rica e a Nova York Pobre -, mas é a história da Nova York Rica que vemos com mais frequência”


Sobre o autor
Camila Tebet
Camila Tebet

Camila Tebet, 24 anos (05/06) – Paraná
Jornalista, tem a literatura como uma de suas paixões. Acredita que os livros têm o poder de transformar e falar sobre essa arte é um de seus passatempos favoritos. Entre os seus livros favoritos estão “Harry Potter” (é claro), “Na Natureza Selvagem”, “Orgulho e Preconceito” e “A Menina Que Roubava Livros”. Também é apaixonada por séries, cinema e fotografia. Escreve também para o site www.expressocultural.com.



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