AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: SUMA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788560280308 GÊNERO: ROMANCE, SUSPENSE PUBLICAÇÃO: 2008 PÁGINAS: 410 SKOOB

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: SUMA DAS LETRAS, CORTESIA
ISBN: 9788560280308
GÊNERO: ROMANCE, FICÇÃO HISTÓRICA, SUSPENSE
PUBLICAÇÃO: 2008
PÁGINAS: 410
SKOOB

O jogo do anjo nos traz a história de David Martín, escritor de 28 anos que sofreu mais infortúnios na vida do que tem coragem de reconhecer. Doente, com o coração partido e desiludido da vida e dos sonhos, Martín não tem mais perspectiva, quando recebe a visita de Corelli, um misterioso editor francês interessado em encomendar um livro que pode mudar sua vida – e o mundo. A partir daí o jovem se vê em um emaranhado de mistérios e coincidências que o levam por um caminho sem volta.

Depois do primeiro livro de Zafón que li, não acreditava que o autor pudesse me conquistar mais do que tinha feito, mas é claro que ele conseguiu. O jogo do anjo é uma daquelas obras completas de cabo a rabo, que embora possamos procurar, não vamos achar um defeito sequer. É daquelas que nos deixa sem palavras e que tornam mais difícil ainda o ofício de escrever resenhas.

A começar pela narrativa, o romance de Zafón tem todas as qualidades para nos envolver do começo ao fim. A escrita do autor, embora não seja dessas simples e diretas, tem um rebuscado fascinante, pontuado de reflexões a cada poucas páginas que deixa o leitor encantado. Não é uma narrativa exatamente fácil, mas é extremamente gostosa de acompanhar, de degustar aos poucos. Amo o jeito como o autor elabora suas frases e parágrafos, e sou tão fã de sua escrita que leria qualquer coisa dele.

A trama também é da melhor qualidade. O autor sabe explorar um bom enredo, usando e abusando dos detalhes, das coincidências e dos mistérios aparentemente insignificantes, interligando-os e criando um desfecho inimaginável. Zafón cria vários núcleos em seu romance, e ao mesmo tempo em que vemos o protagonista se embrenhar com o misterioso editor, acompanhamos as outras facetas de sua vida: sua amizade com Isabella, os Sempere e Pedro Vidal, seu amor desiludido por Cristina, sua conexão com o antigo morador de sua mansão e por aí vai. E acredite, o autor consegue fazer todos esses fatos estarem ligados, de uma maneira ou de outra.

Outra coisa que amo em Zafón são seus personagens. Um de meus favoritos da vida inteira foi ele quem criou, e não seria diferente em O jogo do anjo. O autor sabe desenvolver e explorar todo o potencial que um personagem pode apresentar. Ele os faz humanos, críveis e os mostra de uma maneira que o conhecemos por completo, todas as suas dúvidas, anseios, medos e defeitos. Além disso, ele não deixa ninguém passar em branco, e dá importância a cada personagem de sua trama, de maneira que às vezes amamos mais um personagem secundário que o próprio protagonista.

Um diferencial que o autor tem, e que me agrada demais, é o modo como explora o cenário em torno do protagonista. Ele encaixa Barcelona em sua trama de maneira que parece mais uma personagem e não apenas um lugar. É incrível como suas descrições, vezes góticas, vezes encantadora, nos fascina de maneira sem igual, e ao contrário de nos deixar entediados, nos desperta interesse.

Nada é deixado de lado ou é posto por mero acaso em O jogo do anjo. Cada palavra escrita tem seu propósito e o cumpre com sucesso. A construção da história, embora lenta como é de característica do autor, é exatamente da maneira que tem que ser, calculada para culminar em um final surpreendente e impressionante.

É interessante também como o autor interliga a história com outras contadas em seus outros livros. Não há nenhum spoiler, e o livro pode ser lido individualmente (mesmo que faça parte da trilogia intitulada Cemitério dos livros esquecidos), mas quem já leu A sombra do vento por exemplo encontrará algumas referências nostálgicas durante a leitura, referências que me fizeram ter vontade de reler meu exemplar mais uma vez.

Em suma, como devem ter percebido, O jogo do anjo entrou para minha lista de livros favoritos, e Zafón, para a lista de autores que leria qualquer coisa. Os personagens, o enredo, a narrativa, nada é feito com menos potencial do que pode alcançar. A  escrita – e a história – do autor fascina e encanta, e esse é facilmente um dos livros que vou recomendar para o resto da vida sempre que alguém quiser algo realmente bom pra ler.


Conheça os outros títulos da série O cemitério dos livros esquecidos:

1. A sombra do vento (2007)

2. O jogo do anjo (2008)

3. O prisioneiro do céu (2012)


Sobre o autor
Larissa Gaigher

Larissa Gaigher, 19 anos (12/06) – Rio de Janeiro
Estudante de administração e química, leitora ávida e blogueira por paixão. Embarcou no mundo da literatura quando tinha 10 anos e nunca mais saiu de lá. Apaixonada também por música, séries e filmes. É uma geminiana típica, sempre faz muitas coisas ao mesmo tempo e muda de ideia várias vezes, tanto que não consegue definir um gênero favorito. Carioca da gema, tem 19 anos, adora uma boa praia, muita comida e diversão.



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  1. sábado, 11 de junho de 2016.

    Poxa Larissa, gostei dessa resenha. Vou coloca-lo em minha lista. Bastante interessante. Beijos

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