sexta-feira, 10 de junho de 2016

A_chave_de_Sarah

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: SUMA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788560280292 GÊNERO: ROMANCE HISTÓRICO, DRAMA PUBLICAÇÃO: 2008 PÁGINAS: 312 
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Não é de hoje que tenho uma certa fascinação pela Segunda Guerra Mundial. Sem sombra de dúvidas é o acontecimento mais marcante do século XX e além disso, tema da minha monografia. Mas enfim, A chave de Sarah era um livro que há algum tinha certa curiosidade sobre ele e não foi a minha surpresa quando o recebi e tive a oportunidade de fazer a leitura. E aviso de antemão, não me arrependi nem um pouco.

O livro narra a história de Julia Jarmond, uma jornalista americana radicada em Paris que recebe a encomenda de um artigo sobre o aniversário dos sessenta anos de um acontecimento marcante na vida francesa: a prisão em massa de judeus em 16 de junho de 1942. Naquele fatídico dia, milhares de prisioneiros foram confinados no Vélodrome d’Hiver, onde ali passaram fome e sofreram humilhações por uma semana, na espera de que o trem os levaria direto para a morte em Auschwitz. Diante dessa situação e do descaso da população francesa diante do ocorrido, Julia acaba indo fundo em suas pesquisas sobre o que aconteceu. Nessa busca, acaba descobrindo que o apartamento para onde ela e seu marido, Bertrand, planejam se mudar pertenceu aos Starzynski, uma família de imigrantes judeus e dentre eles se sobressai a figura de uma menina, Sarah, a única a sobreviver ao ano de 1942, quando era ainda uma menina. E ainda mais a fundo, descobrirá segredos que podem trazer lembranças muito traumáticas.

Tatiana de Rosnay constrói uma história difícil, mas emocionante. O livro é entremeado pela vida de Julia e de Sarah, ou seja, passado e presente se entrecruzam. O recurso funcionou muito bem, uma vez que são capítulos curtos e que fazem fluir a leitura. Apesar disso, o simbolismo e o significado do acontecimento tornaram a leitura densa em alguns momentos.

As protagonistas são mulheres fortes, mas cada uma em seu tempo. Sarah é apenas uma menina, o que torna a narrativa ainda mais delicada. Ela vive em um contexto que não sabe realmente o que irá acontecer e qual será seu destino. Acaba tendo de sair de casa e vivendo numa situação subhumana, em meio a um sistema de opressão e dor. No ímpeto, acaba escondendo seu irmão em um armário, achando que ali era um bom esconderijo para o menino. Só que não sabia o que o futuro o reservaria. Apesar disso, o leitor, tendo dimensão do acontecido, sabe as possibilidades do final da menina. E essa relação construída que é um dos fatores por tornar o livro tão impactante. Ao mesmo tempo, temos Julia, uma mulher madura, mas que passa por dificuldades no casamento e que encontra em Sarah uma válvula de escape para a situação em que se encontra. Casada e com uma filha pequena, acaba se tornando obcecada em descobrir o que realmente ocorreu com Sarah. Esse jogo foi uma estratégia que tem um resultado muito bom e influencia o leitor. Você quer saber a trajetória das duas; saber o que irá acontecer. Sarah, uma menina corajosa; Julia, uma mulher independente mas frágil por dentro. Confesso que teve momentos no livro que tive que parar e respirar, tamanha a densidade do momento e da sucessão de acontecimentos.

O ponto de reviravolta na história é quando os segredos começam a vir a tona. Por mais que alguns possam se decepcionar com o que irão acontecer, diante da dimensão não tinha como não ficar mexido. E isso foi um ponto de partida para ir até o final só para saber o que iria realmente acontecer.  E Tatiana conduz o leitor de tal maneira que você terminará o livro as lágrimas e pensando sobre a sua vida e de tantas outras pessoas que morreram em uma guerra. Se recomendo? Mais do que nunca.

Sobre o autor
Lucas Kammer Orsi
Lucas Kammer Orsi

Estudante de História. Vê nos livros uma maneira de fugir da realidade e encontrar um pouco de aconchego do cotidiano tão corrido. Potterhead, se emociona fácil com romances, mas não deixa de lado um bom suspense, de viver uma aventura e dá gargalhadas com um chick-lit. Está sempre com suas séries atrasadas, mas isso não o impede de sempre começar mais uma. Amante da música pop, é grande fã de Taylor Swift.



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  1. sábado, 11 de junho de 2016.

    Oi Lucas, também sou fã do tema, foi terrivelmente marcante para a humanidade que presenciou esses acontecimentos e para nós que imaginamos a crueldade existente. Os dois últimos livros que li narrando histórias reais a respeito foram: O PIANISTA e OS MAUS. Já o TODA LUZ QUE NÃO PODEMOS VER é ficção, mas tem como cenário esse momento histórico. Gostei da dica.

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