quinta-feira, 2 de junho de 2016

Holy Cow - Uma fábula animal

AVALIAÇÃO: 2,5/5  
EDITORA: RECORD, CORTESIA
ISBN: 9788501106889
GÊNERO: Fantasia, Humor, Juvenil
PUBLICAÇÃO: 2015
PÁGINAS: 128    
SKOOB

Uma fábula animal

Não é de hoje que temos percebido diversos atores e atrizes trabalhando em atividades paralelas na área artística, não apenas da televisão, no cinema e teatro, mas muitos também tornam-se roteiristas, produtores, diretores, compositores, cantores e até mesmo escritores. David Duchovny reúne todos esses ofícios. Primeiramente ficou conhecido como ator ao estrelar a série Arquivo X, que confesso nunca ter assistido. Ano passado lançou um álbum chamado “Hell or highwater”. Escutei a música homônima, gostei do som e também da tradução. Nesse ano, David conseguiu ver a realização de um desejo que estava guardado há muito tempo, desde antes de fazer a faculdade de literatura ou o mestrado, o sonho de lançar um livro, assim como seu pai.

Holy Cow é um livro inusitado, ao observar o trabalho de diagramação já dá para ter uma ideia da irreverência da história. A capa e ilustrações feitas por Natalya Balnova dão ainda mais graça ao texto.

Elsie Bovary é uma vaca, a estrela do livro. Ela narra sua história em 128 páginas divididas em 48 capítulos curtos. Nos primeiros ela conta como descobriu a triste realidade que cerca a vida de todas as vacas do mundo moderno, a aterrorizante indústria bovina. Ao perceber o futuro que a espera, resolve utilizar todos os recursos dos humanos para instruir-se e tentar se salvar de um destino tão cruel. Assim, ela decide ir à Índia, único lugar que imagina que será tratada com dignidade. Enquanto prepara um plano de fuga da fazenda, acaba ganhando dois aliados, o porco Jerry, mais conhecido como Shalom, convertido recentemente ao judaísmo, que sonha em ir à Israel, único lugar que acredita conseguir viver à salvo, já que judeus não comem carne suína; Tom, um magro e desnutrido peru, que evita ao máximo empanturrar-se, porque sabe que o Dia de Ação de Graças é perigoso e morte na certa para todos os perus rechonchudos, ele sonha ir à Turquia. Muitos desafios cercam esse trio de amigos até o dia da fuga e muitos outros durante e após a fuga.

Foto: Nara Dias / Viagens de Papel

Apesar de não ter gostado do modo como Elsie relata os acontecimentos, com muitas gírias e um linguajar carregado de modernismo exagerado, a história tem sua mensagem subliminar que nos faz refletir sobre o lado negativo do capitalismo e consumo desenfreado.

A música está presente durante toda a história e a maior parte das escolhas de Duchovny foi ótima, as canções combinam perfeitamente com a história. Alguns capítulos levam como título o nome de alguma música, outras vezes elas são mencionadas pela própria Elsie no meio do enredo.

Segue abaixo a playlist com todas as músicas mencionadas de acordo com a ordem em que aparecem:


1 – Uncomfortably Numb – Pink Floyd

2 – Black Dog – Led Zeppelin

3 – Susie Q. – Creedence
Clearwater Revival

4 – Free Bird – Lynyrd Skynyrd

5 – Babe I’m gonna leave you – Led Zeppelin

6 – Welcome To The Jungle – Guns N’ Roses
7 – The First Cut Is The Deepest – Cat Stevens

8 – Fly Like An Eagle – Steve Miller Band

9 – Mohammed’s Radio – Warren Zevon

10 – Let’s Call The Whole Thing Off – George e Ira Gershwin


Foto: Nara Dias / Viagens de Papel

Foto: Nara Dias / Viagens de Papel

“Eu sentia o cheiro da grama, o que sempre foi fonte de alegria para mim e me fazia lembra da minha mãe, mas havia um gosto amargo como bile na minha boca, o que estrabava qualquer aroma. Eu não gostava do mundo e só queria escuridão e silêncio. “

“Tudo que vocês, humanos, fazem é pegar, pegar, pegar da Terra e de suas criaturas magníficas, e o que dão em troca? Nada (…) Bem, eu nunca daria a um humano a honra de ser chamado de animal porque os animais podem até matar para viver mas não vivem para matar. Os humanos vão precisar reconquistar o direito de ser chamados de animais.”

“No momento em que saída do celeiro pela última vez, eu me virei e tive uma vontade incontrolável de ficar. Por que será que na hora de deixar algo para trás é que mais damos valor àquilo? Meu coração estava cheio de amor por todos(…) “

“Mas os ratos daqui eram estranho, e a única conclusão a que consegui chegar foi que viver numa cidade grande e sem contato com a natureza tem seu preço, pode levar você à loucura. Porque esses ratos da cidade eram verdadeiros lunáticos. Ratazanas da pior qualidade.”


Sobre o autor
Nara Dias 31 anos (22/12) – São Paulo Pós graduada na USP em Ética, valores e cidadania na escola, atua como professora de informática e robótica para crianças de 4 a 11 anos. Também com especialização em Libras - Língua Brasileira de Sinais, participa da comunidade surda da região onde mora, na Baixada Santista. Seu perfil no Skoob com mais de mil livros lidos, mostra sua paixão pelo gênero infanto-juvenil, onde capa, ilustração e tipo de impressão interferem muito em suas escolhas.


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