O céu noturno

Avaliação: 3,5/5
Editora:Galera Júnior, Cortesia
ISBN: 9788501104496
Gênero:Juvenil
Publicação: 2016
Páginas: 288
Skoob

Sem dúvida, depois de vislumbrar a fantástica capa e o curioso título do livro, O Céu Noturno Em Minha Mente, não pude evitar a sinopse e a vontade de ler.

Mikey Baxter narra a sua história, no decorrer do prólogo, percebemos que o garoto acaba de voltar do hospital, carregando consigo a cicatriz na parte de trás da cabeça, é o momento que encontra e escolhe seu cachorro, Timmer, personagem que o acompanhará todo o tempo, tendo bastante destaque no enredo, não apenas por ser fiel, mas por sentir quando seu dono estava em perigo.

No início da leitura, o texto estava bastante misterioso, um convite à mergulhar nas páginas seguintes, porém confesso que foi um pouco confuso. Desconfiei durante o primeiro capítulo que Mikey estivesse morto, porque sua mãe estava em prantos e não percebia que  ele estava do lado de fora da casa, as sombras indo atrás dele, fiquei agoniada. Aos poucos fui assimilando a história e pude entender que Lisa Baxter estava passando por um momento extremamente ruim, em depressão profunda, que me fez lembrar de um outro livro, Harvey, Como Me Torney Invisível.

O fato de Mikey conseguir visualizar pedaços do passado, dos quais ele não havia presenciado, prendeu-me ainda mais na história, queria decifrar todos os segredos escondidos por trás do incidente que levou à cicatriz. No entando, essa não é a única característica que nos faz perceber que o adolescente é diferente, ele estuda numa escola especial; demora para compreender com clareza as coisas; precisa de uma rotina na comunicação com a mãe para não surtar; não gosta de lugares fechados, nem barulhentos; ama o sol, pescar e estar ao ar livre; demora para falar com pessoas desconhecidas; não entende metáforas, mas percebe quando não estão sendo legais com ele, gosta de ajudar e sentir que é querido e amado, porém não fica explícito qual é a patologia e/ou deficiência dele ou se foi exclusivamente após o acidente.

Um dia, quando Mikey vai pescar no rio, num local não frequentado por ninguém, já que não tem sombras de árvores e o contato com o sol é direto, ele encontra o corpo de um homem, o vagabundo que sempre encontrava perto do ponto de ônibus. Durante a exposição dos fatos, as dúvidas aumentam, por que Ralph, o trabalhador da fazenda estava também próximo ao rio? o que aconteceu para que o vagabundo morresse? Por que Mikey já sabia que ele estava morto na margem do rio? E o que seu pai tinha feito de tão ruim para estar na prisão?

“O mundo está começando a rodopiar; o Pra Trás está chegando, trazendo segredos.”

Apesar de ter gostado do enredo, em certo momento da narrativa, as principais dúvidas já estavam obviamente solucionadas, apenas Michael precisava unir tudo em sua mente, me decepcionei um pouco nessa parte, porque é bom quando o desfecho surpreende. Os diálogos com a mãe foram frustantes, por maior que fosse o sofrimento por ela sentidos, sua fraqueza e praticamente abandono do próprio filho aos cuidados da irmã me deixou desapontada, a irmã Pat cuida do adolescente, enquanto Lisa passa uns dias na casa da avó do garoto. Outro item negativo, foi o fato de que no dia seguinte após o turbulento desfecho, Michael ter finalmente ido à praia, não quero entrar em muitos detalhes, mas não faz muito sentido depois de todo a dramática situação vivido pelos personagens, no dia seguinte eles arrumarem a bolsa e fazerem um maravilhoso passeio, a escritora teria tido mais convincente se estivesse esperado alguns dias para as emoções acalmarem e assim realizar o tão almejado passeio. Existem ainda algumas outras pontas soltas que quase passam despercebidos, infelizmente não posso comentar por causa dos spoillers.

“Às vezes as coisas parecem ruins, mas na verdade ajudam a gente a melhorar.”

Apesar dessas observações finais, o livro publicado pelo selo Galera Junior, do grupo editorial Record, o primeiro escrito pela advogada e promotora inglesa Sarah Hammond, que após quase dez anos de trabalho, resolveu voltar para a faculdade e realizar seu grande sonho que era escrever para jovens, tem seus créditos, o personagem foi bem construído, apenas sua dancinha comemorativa ter me importunado, recomendo para aqueles que gostam de ler sobre os enigmas da mente.

“Ouço os ruído nas sombras atrás de mim ficarem mais altos. As sombras sempre ficam barulhentas quando Mamãe está assim. O médico disse para eu não ficar nervoso e lembrar que são apenas as minhas preocupações, mas não gosto quando tomam vida.”

“As sombras estão acordando e estão famintas.”


Sobre o autor
Nara Dias 31 anos (22/12) – São Paulo Pós graduada na USP em Ética, valores e cidadania na escola, atua como professora de informática e robótica para crianças de 4 a 11 anos. Também com especialização em Libras - Língua Brasileira de Sinais, participa da comunidade surda da região onde mora, na Baixada Santista. Seu perfil no Skoob com mais de mil livros lidos, mostra sua paixão pelo gênero infanto-juvenil, onde capa, ilustração e tipo de impressão interferem muito em suas escolhas.


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