Nos anos 60, nos Estados Unidos, o jornalismo sofreu uma grande transformação com o surgimento de um novo estilo de se escrever reportagens. Chamado pelos norte-americanos de “New Journalism”, o jornalismo literário, como o próprio nome diz, conta histórias reais, mas utilizando a linguagem da literatura. Montamos uma lista com cinco livros que se tornaram referência nesse estilo.

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A Sangue Frio
Considerado por muitos como a primeira obra do New Journalism, “A Sangue Frio” foi escrito pelo jornalista Truman Capote. O livro conta a história de um assassinato brutal de uma família do Kansas, um caso que chocou todo os Estados Unidos. Truman, que trabalhava em Nova York, chegou na cidade de Holcomb um mês depois do incidente para entrevistar todos os envolvidos no caso. Primeiramente a história foi contada em uma série de quatro capítulos na revista The New Yorker, em 1965, ganhando uma versão em livro um ano depois.

Hiroshima
Todos nós já escutamos falar sobre as bombas atômicas que foram jogadas nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki pelo governo dos Estados Unidos, no fim da Segunda Guerra Mundial. Porém, neste livro escrito por John Hersey, podemos realmente ver as consequências desse ato na vida das pessoas. Hersey foi ao Japão apenas um ano depois do incidente, a pedido da revista The New Yorker, para trazer uma face mais humana da tragédia. Triste e chocante, um livro obrigatório para quem tem curiosidade de saber mais sobre impacto de armas nucleares.

Stasilândia
Após a queda do muro de Berlim, talvez o principal fato histórico do fim do século XX, a Alemanha voltou a ser um país unificado. Interessada em descobrir as histórias daqueles que viveram na República Democrática da Alemanha (também conhecida como Alemanha Oriental), a jornalista Anna Funder entrevistou várias pessoas e descobriu o mundo da Stasi, a polícia secreta. Dados não oficiais especulam que a Stasi mantinham um agente para cada seis cidadãos alemães, muito mais do que a KGB, da ex-URSS, e das polícias secretas de Hitler. Há também um filme alemão chamado “A Vida dos Outros” que fala sobre como funcionava as investigações da Stasi.

O Clube do Bangue-Bangue
Passado entre os anos de 1990 e 1994, esse livro conta a história de quatro fotojornalistas sul-africanos que cobriam a guerra civil em seu país. Após a queda do regime do Apartheid, o país viveu quatro anos de transição para um regime democrático e baseado no sufrágio universal. Kevin Carter, Greg Marinovich, Ken Oosterbroek e João Silva receberam o rótulo de O Clube do Bangue-Bangue (Bang-Bang Clube, em inglês). Um filme, de mesmo nome, sobre o grupo foi dirigido por Steven Silver e estreou em 2010, no Festival Internacional de Cinema de Toronto.

Fama e Anonimato
Gay Talese é considerado um dos gênios do jornalismo literário. Seu livro “Fama e Anonimato” reúne diversos textos sobre o cotidiano da vida urbana, mais especificamente na cidade de Nova York. A obra é divida em três partes: a primeira sobre o estranho universo da Big Apple, a segunda sobre a saga da construção da ponte Varrazzano-Narrows e a terceira sobre a vida de artistas e esportistas americanos. Nessa última parte, Talese escreveu um perfil sobre o cantor Frank Sinatra, chamado “Sinatra está resfriado”, considerado um exemplo para diversos jornalistas até hoje. Sem conseguir entrevistá-lo, ele foi capaz de entender a personalidade de seu perfilado apenas observando seu comportamento e conversando com pessoas próximas a ele.

Sobre o autor
Maria Luiza de Paula Maria Luiza de Paula (Mallu), 22 anos (01/05) – Paraná Jornalista. Começou a gostar de ler por meio de biografias, mas hoje em dia gosta de quase todos os estilos literários. Entre seus livros preferidos estão “A Menina que Roubava Livros” (Markus Zusak), “1984” (George Orwell) e “Auto da Compadecida” (Ariano Suassuna). Além de seu amor por livros, também é apaixonada por música, cinema, seriados, fotografia e arte de rua. Escreve também para o site www.expressocultural.com.


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