Avaliação: 4/5 Editora: Companhia das Letras, Cortesia ISBN: 9788535926620 Gênero: Romance histórico Páginas: 344 Publicação: 2015 Skoob

Avaliação: 4/5
Editora: Companhia das Letras, Cortesia
ISBN: 9788535926620
Gênero: Ficção histórica
Páginas: 344
Publicação: 2015
Skoob

Mia Couto foi um autor que conheci na faculdade em um dos trabalhos para uma disciplina. Escritor moçambicano, é autor de inúmeros livros e vencedor de vários prêmios, dentre eles o Camões em 2013, o mais prestigioso da língua portuguesa. O livro que mais encantou do autor foi “O último voo do flamingo”, mas aqui venho vos falar do último lançamento do autor no Brasil: Mulheres de Cinzas, primeiro volume da trilogia As areias do imperador.

A história tem como pano de fundo a época em que o sul de Moçambique era governado por Ngungunyane (ou Gungunhane, como ficou conhecido pelos portugueses), o último dos líderes do Estado de Gaza – segundo maior continente comandado por um africano. Os personagens centrais são o sargento português Germano de Melo e Imani. Este fora enviado ao vilarejo de Nkokolani para a batalha contra o imperador que ameaçava o domínio colonial. Esta, por sua vez, é uma garota de quinze anos que aprendeu a língua dos europeus e será sua intérprete. Ela faz parte da tribo dos VaChopi, uma das poucas que ousou se opor à invasão de Ngungunuane. O envolvimento entre os protagonistas passa a ser cada vez maior, malgrado todas as diferenças entre seus mundos. No entanto, ela sabe que num país assombrado pela guerra dos homens, a única saída para uma mulher é passar despercebida, como se fosse feita de sombras ou de cinzas.

Digo de antemão que ler Mia Couto é sempre uma aventura. Dono de uma linguagem poética, Couto leva o leitor pelos caminhos e meandros da cultura africana abordando questões relevantes e momentos históricos decisivos para a história do continente. Com Mulheres de Cinzas não é diferente. O livro, que é narrado ora pela própria Imani, tem seus momentos com Germano, por meio de cartas escritas a seu superior. Isso possibilita ao leitor que consiga construir uma visão sobre ambos os pontos de vista. Por um lado, temos uma jovem criada numa tradição vendo seu mundo tomar novas proporções e muitas vezes não saber como agir, enquanto um sargento, intuído de princípios e dogmas chegar numa sociedade com uma lógica totalmente diferente e passar a questionar tudo aquilo que vivera até então.

O livro é permeado de metáforas e referências as tradições do continente. Aviso previamente que a leitura pode parecer um pouco estranha, uma vez que o livro é escrito sobre o português moçambicano e não há uma adaptação para o português que conhecemos. Ademais, alguns elementos presentes na história podem parecer um pouco diferentes para nós, uma vez que a história é escrita sobre uma perspectiva que talvez não seja aquela que estejamos acostumados. Por outro lado, ler Mia Couto é um exercício para podermos sair da nossa zona de conforto e olhar para o lado. Nesse sentido, um elemento que me agradou bastante na leitura foi a abertura dos capítulos de Imani, onde há a presença de um dito do próprio autor. Isso serviu como reflexão sobre os momentos que temos vivido, mas também de situações do próprio cotidiano.

Mulheres de Cinza não é o tipo de livro que você espera um grande ápice ao final. É uma leitura para ser vivida, refletida e relida. Aborda questionamentos sobre o sentido da guerra, a permanência de tradições e o ressurgimento de outras. Os personagens são bem construídos e delineados. Não foi a minha leitura favorita do autor, mas contribuiu cada vez mais para a admiração que tenho por ele. Leiam, conheçam e se apaixonem!


Sobre o autor
Lucas Kammer Orsi
Lucas Kammer Orsi Estudante de História. Vê nos livros uma maneira de fugir da realidade e encontrar um pouco de aconchego do cotidiano tão corrido. Potterhead, se emociona fácil com romances, mas não deixa de lado um bom suspense, de viver uma aventura e dá gargalhadas com um chick-lit. Está sempre com suas séries atrasadas, mas isso não o impede de sempre começar mais uma. Amante da música pop, é grande fã de Taylor Swift.


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