quarta-feira, 13 de abril de 2016

A-invenção-das-asas

AVALIAÇÃO: 4/5                EDITORA: PARALELA, CORTESIA ISBN: 9788565530484       GÊNERO: ROMANCE PUBLICAÇÃO: 2014           PÁGINAS: 324                         SKOOB

O livro “A invenção das asas” estava há um tempo na minha relação de livros desejados, porém quando recebi essa cortesia da editora , não me empolguei muito em iniciar a leitura. Não lembrava mais o motivo que me levou a tê-lo posto na pequena lista de livros desejados que mantenho no Skoob. Após o desanimado início da leitura do primeiro capítulo, o enredo começou a chamar minha atenção e assim foi até as últimas páginas.

Sarah Grimké  e Hetty Encrenca são as personagens principais desse romance e dividem a narrativa do livro. Por isso, cada vez que uma delas inicia seu relato, o nome aparece logo acima da página, ora narrado por Sarah e ora narrado por Hetty.

A história é dividida em seis partes, iniciando em novembro de 1803, ocasião do aniversário de onze anos de Sarah e é contado em ordem cronológica até junho de 1838.

É interessante perceber as diferenças de relatos, afinal, de um lado temos Sarah, nascida em uma família escravocrata do Sul dos EUA. De dez filhos do casal John Faucheraud e Mary, é a sexta a nascer. Enfrenta problemas para firmar suas convicções à favor dos negros que desde cedo se afloram, tem seu pai, juiz, como fonte de veneração, porém sofre por desejar seguir os passos dos homens da família e ser uma grande advogada, o que é impossível para a época. Quando é descoberta por alfabetizar parcialmente sua escrava, perde o acesso à biblioteca de sua casa e passa a viver reclusa em seu quarto, devastada com a decisão do pai. É constantemente depreciada pela família, vendo apenas algum alívio após o nascimento de sua irmã mais nova, Angelina, da qual se torna madrinha e futuramente vem a ser tão fervorosa em seus valores libertários quanto à irmã.

Já no outro lado, temos Encrenca, capaz de mostrar com tanta veracidade a dor da vida em cativeiro, os castigos e humilhações constantes, as pequenas confusões que sua mãe causava para prejudicar a vida dos brancos, modo encontrado para se rebelar silenciosamente. No decorrer dos acontecimentos, exalta a identidade cultural africana, como por exemplo, a colcha de histórias que a mãe faz e a crença no poder da árvore espiritual.

Com o passar do tempo, a história vai enveredando por lados sombrios, banhados de tristeza para ambas as protagonistas. Sarah permanece solteira, doa seu tempo cuidando do pai doente, abandona a igreja Episcopal, Presbiteriana e dos Quaker. Encrenca perde a mãe, é presa e torturada, tornando-se deficiente.

Apesar de tudo isso, a autora consegue dar um final nobre e justo para a narrativa. No final da leitura tive uma grata surpresa, a escritora relata que a história foi baseada na vida real da americana Sarah Grimké, que a princípio defende o abolicionismo, depois o feminismo. Sue Monk Kidd faz um trabalho intenso de pesquisas e mesmo realizando alterações na biografia original, nos concede a oportunidade de apreciar uma linda história de esperança, luta e fé.

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Éramos escravos e não íamos a lugar algum. Mais tarde eu entendi o que ela queria dizer. A gente voava sim, mas não tinha mágica nenhuma naquilo.

Devolver Hetty. Como se ela fosse minha. Como se ter pessoas fosse tão natural quanto respirar. Apesar de toda a minha resistência em relação à escravidão, eu respirava aquele ar doente também.

Aquelas palavras grudaram em mim. Mamã não queria o tecido, só queria causar confusão. Ela não podia ser livre e não podia dar na sinhá com uma bengala, mas poderia pegar a seda dela. Você se rebela do jeito que pode.

“Sua mãe se foi, mas nós tamo aqui, o céu ainda não desabô”. Não, mas a cada ano mais um pedaço caía dele.

Meu corpo pode ser escravo, mas não minha mente. Pra você, é o contrário.

Sobre o autor
Nara Dias 31 anos (22/12) – São Paulo Pós graduada na USP em Ética, valores e cidadania na escola, atua como professora de informática e robótica para crianças de 4 a 11 anos. Também com especialização em Libras - Língua Brasileira de Sinais, participa da comunidade surda da região onde mora, na Baixada Santista. Seu perfil no Skoob com mais de mil livros lidos, mostra sua paixão pelo gênero infanto-juvenil, onde capa, ilustração e tipo de impressão interferem muito em suas escolhas.


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