segunda-feira, 4 de abril de 2016

Avaliação: 4,5/5 Editora: José Olympio, Cortesia ISBN: 9788503010313 Gênero: Romance, Ficção histórica, Clássico Publicação: 2016 Páginas: 336 Skoob

Ganhador do Prêmio Pulitzer, A cor púrpura foi escrito por Alice Walker em 1982. Depois de algum tempo esgotado no Brasil, o livro foi relançado em uma edição lindíssima pela editora José Olympio. Baseado na obra literária, em 1985 foi lançado um filme homônimo dirigido por Steven Spielberg. A história intensa e ambientada no período entre 1900 e 1940 nos EUA, fala sobre Celie, uma jovem pobre, negra, praticamente analfabeta, que desde cedo enfrentou coisas terríveis em sua vida, como os constantes abusos que sofria do padrasto.

Já o primeiro capítulo do livro é arrebatador. É o primeiro contato que temos com Celie, que na época tinha 14 anos, e conta como passou a ser abusada dentro da própria casa. Em uma sociedade completamente machista, a menina era vista apenas como um objeto, feita para servir os desejos do padrasto, já que a mãe estava muito doente. Ela cuidava dos irmãos e da casa, ao mesmo tempo em que era constantemente inferiorizada. Da relação com o padrasto, que na época acreditava ser seu pai, nasceram duas crianças, que lhe foram arrancadas de seus braços, sem nenhuma explicação.

O livro é narrado, em um primeiro momento, em formato de cartas que Celie escreve para Deus. Nas correspondências ela conta o que acontece dentro de sua casa e tudo o que ela tem que contornar. Como a menina é praticamente analfabeta, as cartas são escritas similarmente à linguagem oral, cheias de erros e vícios. Conforme os anos vão passando e Celie amadurece, é possível notar que a quantidade de erros diminui. A história de vida de Celie é comovente e chocante, e a personagem ganha ainda mais a simpatia do leitor quando é obrigada a se casar com Albert, um viúvo violento que só via na esposa uma empregada, capaz de servir a ele e aos filhos. Depois de sofrer inúmeros abusos na infância, ela passa a ser abusada de diversas formas depois de casada.

Os anos se passam e Celie vive uma vida marcada por insegurança, machismo, alienação, onde ela não pode expressar seus próprios sentimentos ou ideais. Além disso, a única pessoa que seria sua aliada, a irmã Nettie, nunca mais deu notícias, o que fez com que Celie acreditasse que ela estava morta. Com todo o conformismo, a aceitação de uma vida miserável, sem esperança de mudanças, Celie conhece Shug Avery, uma cantora muito conhecida na cidade, paixão de seu marido. Desde o primeiro momento em que ouviu falar sobre ela e viu uma fotografia, Celie nutriu uma grande admiração e atração por Shug. Ela não esperava que Albert levasse uma Shug doente para dentro de sua casa e, que a partir de então, sua vida começasse a tomar novos rumos.

Aos poucos, com a ajuda de Shug Avery, Celie passa a encontrar sua voz e descobre que também pode desafiar e realizar feitos incríveis. Outras personagens, como Sofia, mulher de seu enteado, também se mostram fortes e ajudam Celie a entender que ela não precisa fazer tudo o que os homens mandam ou desejam. Depois de tanto sofrimento, sua transformação é notável e também catártica, já que é impossível não se comover com sua história e torcer para que ela vá atrás de sua felicidade. Claro que a mudança é lenta e que ela passará por muitas situações até se achar, mas Celie encontra um novo rumo para sua vida, mostrando que quem deve definir seus caminhos é ela mesma. Para a época em que a história é retratada, é um banho de coragem e superação.

Em capítulos curtos, em sua maioria, a narrativa é muito fluida. Mas não é isso que faz com que a leitura seja rapidamente concluída, e sim a história maravilhosa construída pela autora. Atualmente, vivemos um momento em que defender os ideais do feminismo é muito importante, para que cada vez mais as mulheres sejam tratadas com igualdade, livres de preconceito. Celie é uma personagem que sofreu muito com isso, sentindo-se inferior e pronta para servir aos homens. Aos poucos, ela percebe que deve fazer mais por ela mesma, sentir-se livre para ser feliz, o que a torna uma personagem extremamente forte e marcante. Um fato interessante é que em boa parte do livro, ao se referir aos homens ela nunca os chamava pelo nome, mas sim por “o Pai”, ou então “Sinhô___”. À medida em que percebe que ela mesma pode se definir e tomar seus próprios caminhos, ficando cada vez mais confiante e segura de si, Celie passa a questioná-los e trata-los pelo primeiro nome.

O livro é muito bonito e emocionante. Traz uma história forte, impactante, ao mesmo tempo em que alerta para diversos assuntos que infelizmente ainda estão muito presentes em nossa sociedade, como violência doméstica, racismo, preconceito, machismo, entre outros. A história de Celie é comovente e propõe muitas reflexões. Além da história, outro ponto marcante é a edição do livro feita pela José Olympio. Apesar de não ter muitos detalhes no miolo, a capa é maravilhosa e se conecta bem com a história. Enfim, o livro é incrível e está mais do que recomendado!

“Shug falou, Albert. Tenta pensar como se você tivesse bom senso. Porque qualquer mulher deve dar um ovo pelo que as pessoa pensam é um mistério pra mim”

“Existem tantas coisas que nós não compreendemos. E tanta infelicidade acontece por causa disso”.


Sobre o autor
Camila Tebet
Camila Tebet Camila Tebet, 24 anos (05/06) – Paraná Jornalista, tem a literatura como uma de suas paixões. Acredita que os livros têm o poder de transformar e falar sobre essa arte é um de seus passatempos favoritos. Entre os seus livros favoritos estão "Harry Potter" (é claro), "Na Natureza Selvagem", "Orgulho e Preconceito" e "A Menina Que Roubava Livros". Também é apaixonada por séries, cinema e fotografia. Escreve também para o site www.expressocultural.com.


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  1. terça-feira, 5 de abril de 2016.

    Olá, tudo bem?
    Já ouvi falar muito sobre esse livro, mas não sei se teria o interesse em ler, pelo menos não nesse momento, na verdade é mais porque não estou muito acostumada a esse gênero. Porém, ao terminar de ler sua resenha posso ter mudado um pouco de opinião haha Você conseguiu me convencer que o livro é emocionante demais, e é por isso que espero tirar minhas próprias conclusões. Obrigada pela dica.
    Beijos, Fer

  2. terça-feira, 5 de abril de 2016.

    Incrível como um livro antigo ainda é pertinente aos dias de hoje, apenas porque a problemática que o livro abordou, ainda não foi solucionada. racismo em pleno século XXI é mais que inaceitável, mas ainda vemos isso por aí. E o que falar da violência domestica e machismo? Enfim, não li o livro ainda, mas tenho certeza que vou curtir a leitura e refletir bastante.
    Beijos

  3. terça-feira, 5 de abril de 2016.

    Camila, como sempre você traz leituras que estão na minha lista ou de livros já lidos, ou os que quero ler. Sem dúvida essa resenha veio aguçar ainda mais minha vontade de ler o livro, quando era pequena assisti esse filme e foi muito marcante na minha vida, confesso que não lembro com detalhes, mas nunca esqueci da reação que tive. Depois de suas pontuações, colocarei esse livro como prioridade. Beijos

  4. terça-feira, 5 de abril de 2016.

    Conhecia o filme, apesar de nunca ter assistido e nem sabia que se travara de um adaptação.
    Essa é uma das obras que eu poderia sem medo colocar na minha lista de desejados para serem adquiridos o mais brevemente. Do jeito que sou emotiva, com certeza vou me acabar em lágrimas durante essa leitura. Excelente resenha, bem embasada e trazendo um paralelo com o momento atual. Parabéns.

  5. quarta-feira, 6 de abril de 2016.

    Oiie Camila tudo bem?

    Esse sim é um clássico que eu juro que preciso ler. Ja tinha visto o livro nas redes sociais, mas nunca tinha lido resenha alguma dele. Fiquei com pena da Celie, o que ela passou por pura falta de conhecimento dos seus direitos (apesar que naquela época quase não tinha direito). Espero algum dia poder ler, acho que irei arrebatar meu coração.

    Bjs

  6. quarta-feira, 6 de abril de 2016.

    Olá, eu me lembro de ter visto esse livro mas ainda não tinha lido nenhuma resenha sobre ele. A história me chamou atenção, acho que livros que abordem temas fortes como esses que você falou, são uma maneira de alerta. Fiquei curiosa para saber mais sobre a história

  7. quarta-feira, 6 de abril de 2016.

    Eu comecei por essa história ao contrária. Vi o filme há muitos anos e me apaixonei, aí fui atrás do livro. E que livro. É um dos melhores livros que li na vida. Não sabia que havia sido relançado, quando li foi emprestado numa edição bem antiga. Mas amei essa capa, tá muito bacana.

    ;D
    Profissão: Leitora

  8. quarta-feira, 6 de abril de 2016.

    Oi Flor
    Esse livro está em minha lista de desejados. Principalmente por conta da temática forte e leitura arrebatadora.
    Tenho visto muitos elogios e só em saber que é um leitura que emociona pelo conjunto da obra, já entrou na minha lista de desejados.
    Realmente adorei suas impressões. Preciso conhecer Celie e suas vivências.
    Parabéns pela resenha;
    Beijinhos
    Rizia – Livroterapias

  9. quarta-feira, 6 de abril de 2016.

    Olá Camila,
    Estou louca para ler A Cor Púrpura. Como você disse, deve ser um livro emocionante e, acredito, muito atual.
    Gostei muito da sua resenha, achei muito bem escrita e a forma como você abordou o livro também foi muito legal. Fiquei bem curiosa para conhecer a história de Celie.
    Acredito que eu vá sofrer e, ao mesmo tempo, amar.
    Beijos

  10. quarta-feira, 6 de abril de 2016.

    Oi, esse livro é um classico e todos deveriam ler por causa dos assuntos que abordam (inclusive eu tenho que ler), pois aborda preconceito, abusos, machismo, racismo e outros temas que são importantes para serem discutidos, porém até hoje são pouco falados ou discutidos. Adorei a sua resenha e com certeza lerei ele em breve.

  11. quarta-feira, 6 de abril de 2016.

    Oi Camila.

    Hoje eu li uma divulgação sobre o livro e fiquei bem interessada em adquirir o livro, mas lendo sua resenha, que mostrou como a história é emocionante e aborda um assunto bastante forte, minha curiosidade está bem alta. É um livro que quero muito ler e ter na minha estante.

    Bjos

    http://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com.br/

  12. quarta-feira, 6 de abril de 2016.

    Oi, Camila
    Estou com esse livro em casa e será uma das minhas próximas leituras. Eu adoro livros nesse estilo e já imaginava que a história seria emocionante e cheia de temas fortes abordados. Adorei saber que realmente tem tudo isso, e que você adorou a leitura.
    Quero muito ler. Ótima resenha.

    livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

  13. quarta-feira, 6 de abril de 2016.

    Oi Camila,
    Estou simplesmente apaixonada…a começar pela capa e, bem, assim que li o primeiro paragrafo dei uma pausa para pesquisar valores…rs (sem contar que em seguida a pesquisa ele já foi pra lista)…
    e aí terminei a leitura da resenha, que é emocionante, que história incrível e como eu ultimamente tenho lido muito sobre o feminismo e tenho a cada dia me desconstruído, acho que é uma leitura que me ajudará e muito.
    Bjo,

  14. quarta-feira, 6 de abril de 2016.

    Olá!

    Gosto de livros com temas fortes até mesmo polêmicos, pois eles além de nos ensinar algo, quando terminamos a leitura continuamos pensando na estória. Já tinha ouvido falar do livro, mas essa é a primeira resenha que li sobre, e posso dizer que não é como eu esperava, é muito melhor! Estou curiossima para poder ler e tirar minhas conclusões dessa estória que tem tudo para ser incrível.

    Beijos,
    entreoculoselivros.blogspot.com.br/

  15. quarta-feira, 6 de abril de 2016.

    Oiee ^^
    Esse livro parece ser tão incrível e arrebatador! Quase o solicitei à editora quando o vi no catálogo, mas acabei desistindo, pois não me sentia pronta para ler uma história tão forte e bonita (dá para imaginar que é assim só pela premissa). Acho que tenho o filme de “A cor púrpura” aqui, não tenho certeza *-* mas, de qualquer forma, quero ler o livro primeiro, porém não agora *-* Fico feliz que você tenha gostado do livro ♥
    MilkMilks
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

  16. quarta-feira, 6 de abril de 2016.

    Oie, sempre tive interesse por esse livro e sua resenha me despertou ainda mais curiosidade. Só lendo de forma resumida sobre a história de Celie já fiquei emocionada, o livro provavelmente vai me comover mais ainda. Interessante esse tipo de narração com cartas destinadas a deus. Um ponto que poderia me incomodar é o fato de a escrita dela ter bastante erros, mas não tenho certeza pois li o livro Preciosa, onde a autora escreveu todo de forma errada e eu achei que deu ainda um tom mais especial para o livro. Espero poder adquirir logo essa nova edição e lê-lo.

  17. quinta-feira, 7 de abril de 2016.

    Oi, Camila, tudo bom?

    É muito triste a história de Celie, pelo menos grande parte dela, e ainda mais tris que a violência doméstica, o racismo, o preconceito e principalmente o machismo ainda “reinam” em muitas casas por aí, até mesmo nas ruas e em trabalhos. Vi o filme há um tempo, e achei o trabalho de Whoopi maravilhoso e bastante comovente, só não sei se estou preparado para tanto sofrimento num livro, pelo menos não agora.

    Abraços,
    http://claqueteliteraria.blogspot.com.br/

  18. quinta-feira, 7 de abril de 2016.

    Olá, sabe que eu nunca li esse livro mas já ouvi falarem muito dele, eu sei que a trama é super comovente e eu particularmente gosto muito desses livros que tratam de um assunto mais sério, mais chocante. Sem contar que a edição desse livro está de tirar o fôlego, né? Achei maravilhoso e quero muito ler!

    Beijos

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2016/04/luz-camera-e-acao-17.html

  19. quinta-feira, 7 de abril de 2016.

    Olá tudo bem?

    Já conhecia o livro e sabia meio por cima do que trava mas asó agora de verdade que vi como o livro é arrebatador. Sua resenha me deixou doida para ler pois adoro estórias que falam de assuntos mais series e emocionantes ao mesmo tempo, imagino a carga que o livro trás.

    Bjos
    http://rillismo.blogspot.com.br/

  20. quinta-feira, 7 de abril de 2016.

    Olá.

    Eu não conhecia o livro, muito menos a autora, mas gostei bastante da premissa da trama. Vejo que o livro trás vários aspectos reflexivos e aborta pontos comuns na nossa sociedade, o que me faz ficar com muuuuita vontade de lê-lo. Gostei bastante da sua resenha e espero ler o livro em breve. ♥

  21. sexta-feira, 8 de abril de 2016.

    Olá!

    Eu estou doido para ler A Cor Purpura, já vi várias resenhas na internet e videos no youtube, porém não consigo pegar o livro e decidir ler. Pretendo ler em breve, mas em inglês.

    Abraços, Heitor Botti
    shakedepalavras.blogspot.com

  22. sexta-feira, 8 de abril de 2016.

    Eu estou louca para ler esse livro, mesmo sabendo que vou sofre horrores durante a leitura,o tema é bem pesado mas as vezes a gente precisa sair da zona de conforto de leitura.Eu me sinto mal por não visto nem o filme, esse ano leio o livro sem falta,acabei de decidir.

    bjsss

    Apaixonadas por Livros

  23. sábado, 9 de abril de 2016.

    Ahhhh realmente é livro com uma mensagem bem forte,que deu a origem ao filme com a Maravilhosa Whoopi Goldberg,que atras no papel da personagem principal,realmente não cheguei a ler mas quando soube do filme e da história que ele conta,já busquei ir atras então ler o livre vai ser um presentão,muito obrigado por essa resenha maravilhosa.

    bjo bjo

  24. segunda-feira, 11 de abril de 2016.

    Eu ainda não li o livro, embora já esteja na minha lista há algum tempo. Não por pura falta de oportunidade. O filme é fantástico, já vi três vezes e veria muitas outras. O filme também é e emocionante., com uma história forte, impactante. Senti muita empatia por Celie no filme. Espero que ao ler o livro, o prazer seja o mesmo, pois as expectativas que tenho são muito grandes. Adorei a sua resenha, ótima dica!

    Tatiana

  25. quinta-feira, 14 de abril de 2016.

    Aiiiiiin, quero muito ler esse livro!! Fiquei muito feliz quando soube que receberia outra edição <3
    Já imaginava que o livro seria emocionante, já que levanta questões tão fortes como essas. Ainda não vi o filmes justamente porque quero lê-lo antes, então pretendo fazer isso em breve!
    Um beijo!

  26. quinta-feira, 14 de abril de 2016.

    Olá, tudo bem?

    A premissa que você apresentou parece ser bem intensa e carregada de dor. Apesar de não gostar de livros assim, confesso que esse me chamou a atenção, exatamente pelo que você disse: atualmente – infelizmente, ainda temos muitas meninas que crescem dessa forma. 🙁

    Beijo!

  27. sábado, 23 de abril de 2016.

    Oie!
    Já li e vi várias resenhas sobre esse livro por aí. A premissa dele é bastante interessante, é um livro com uma temática um pouco mais forte do que estou acostumada, mas é sempre bom expandir nossos horizontes, não é???
    Adorei a resenha, está de parabéns.

    Beijinhos da Mady.

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