Este mês, a editora Arqueiro lançou os livros IntensoProfundo, da autora Robin York, que abordam um tema polêmico, que deve ser discutido com mais frequência: a vingança pornô, ou revenge porn, que é quando uma pessoa tem fotos ou vídeos íntimos divulgados na internet sem consentimento. Nos livros, conhecemos a história de Caroline Piasecki, que vê sua vida se transformar em um pesadelo quando o ex-namorado espalha fotos dela nua na internet. Além de ter sua intimidade exposta, ela ainda tem que lidar com uma multidão de pessoas que a julgam. Aproveitando o lançamento dos livros, a editora propôs aos blogs parceiros que o tema fosse debatido em uma blogagem coletiva. Por isso, reunimos todos os nossos colunistas para falar um pouco sobre o assunto. Confira e depois dê sua opinião nos comentários!

Patrícia Oliveira: Nem todos possuem a sorte de encontrarem sua alma gêmea, é natural desejarmos uma vida feliz a dois ou mesmo constituir uma família, às vezes, o futuro é incerto e relacionamentos tendem ao fracasso. Com o fim, pode ocorrer que o ex não aceite o término tão facilmente e venha agir de modo impulsivo ou mesmo obsessivo denegrindo a imagem de sua ex-companheira, seja por ciúmes ou qualquer outro motivo torpe, ou até então o parceiro passa agora ao algoz. Mulheres são vítimas de homens que se julgam seus donos, incapazes de se defenderem da perseguição virtual e dos julgamentos aos quais são expostas e que repercutem numa velocidade impressionante, uma vez que uma fotografia ou vídeo caseiro de momentos íntimos cai na rede, o destino delas está selado e é muito difícil determinar o alcance e as consequências desse ato para as vítimas da vingança pornô. Atualmente, o Brasil possui uma série de processos do gênero tramitando na Justiça, a uns três anos atrás não havia nenhum tipo de punição para a pornografia da vingança, mulheres eram vítimas constantes, injustiçadas e humilhadas por seus parceiros, eles permaneciam ilesos por seus abusos. Compartilhar qualquer tipo material íntimo e negligenciar o direito ao consentimento de outra pessoa é crime, que está previsto em lei e por ela punido. Informe-se mais, conheça seus direitos e saiba o que fazer!

“Respeitem as mulheres e não as tratem como objetos sexuais que precisam provar que merecem mais”

   – Emma Holten

Tayara Casemiro: Invasão de privacidade na internet e vingança pornográfica são casos que vêm ocorrendo cada vez mais, mas infelizmente só ganham proporções quando alguma celebridade se torna a vítima. Quantas mulheres anônimas sofrem diariamente com isso e ninguém fica sabendo? Quantas acabam se privando do contato social após serem humilhadas e julgadas? Um dos maiores problemas nesses casos é a falta de apoio à vítima, que acaba sendo julgada como a errada da história e sempre ouvem aquele mesmo tipo de comentário: “Se não queria que vazasse, por que foi enviar uma foto nua?”. A grande questão é que o corpo é delas e fazem dele o que bem entenderem, se elas quiserem enviar fotos nuas, elas vão enviar e não devem ser julgadas por isso, na minha opinião quem está errado são aqueles que divulgam esses materiais sem a devida permissão, claro que a divulgação de nudez tem seus limites e há a questão do respeito pelos os demais usuários. A sociedade vê e insiste em discriminar apenas a vítima. Mudanças são necessárias, chega de culpar a vítima, devemos lutar  e exigir que crimes como esses tenham a devida punição.

Lucas Kammer Orsi: Não é de hoje que vivemos numa sociedade do imediato. Com a popularização da tecnologia, as informações passaram a ficar um palmo da mão, fazendo por exemplo, um fato que ocorreu no outro lado do mundo pode chegar a nossos ouvidos em questão de segundos. Redes sociais como Facebook, Twitter e Whatsapp são parte desse processo. No entanto, o que muitas vezes pode parecer algo extremamente positivo, tem seus riscos e limites. Não há uma filtragem do que pode ser dito verdadeiro ao mesmo tempo em que muitas vezes o que era para ser privado acaba se tornando público. Nesse sentido, podemos elencar os casos de pessoas que tiveram suas fotos intimas compartilhada nos meios sociais por companheiras (os). A prima vista pode parecer, para muitos, uma técnica para apimentar a relação a dois. Por outro o fato de tornar público o que era para ser uma brincadeira não deixa de ser uma falta de respeito e consideração a pessoa que sofreu os danos. Além disso, a imagem da pessoa que sofreu os danos não deixa de ficar manchada e muitas vezes desvirtuada, uma vez que, graças a grupos do Whatsapp por exemplo, as imagens se espalham que nem pólvora. E na minha opinião, a falta de respeito ainda continua com as pessoas que passam a seus amigos o material, contribuindo para a imagem negativa da pessoa

Stephany Guebur: Fomos criados em uma sociedade onde compartilhar a vida pessoal, amorosa e também profissional é muito comum, as redes sociais existem para que possamos mostrar aos amigos que não convivem diariamente conosco o que pensamos sobre determinados assuntos. No caso de vida amorosa, muitas pessoas acabam mandando fotos “picantes” para os seus companheiros e depois a mesma acaba vazando na internet. A pessoa que foi vitimizada pode sofrer consequências pelo resto da vida e além de ter uma vida toda afetada. Em minha opinião, a pessoa que fez a foto vazar deve ser processada e julgada, além de também ter a falta de respeito com a vítima, e quem compartilha o material é muitas vezes ainda pior do que quem fez vazar. Acredito que o bom senso de compartilhar fotos alheias é de cada um, e cabe a pessoa saber se o que ela está fazendo é certo ou errado, se irá prejudicar a outra pessoa ou não.

Anne Caroline  Anderson: A respeito dessa questão de divulgação de fotos/vídeos intimas, penso que antes de tudo, deve haver o bom senso. Não se deve confiar em terceiros, por mais que sejam pessoas tidas como “de confiança”. Por outro lado, todos os usuários de redes sociais devem ter em mente que internet não é uma terra sem lei. Não é um mundo paralelo a vida real onde tudo é permitido. Pelo contrário, as redes sociais são um meio de nos relacionarmos e registrarmos momento bacanas de nossa vida de modo respeitoso a vida alheia. Sempre que vem à tona casos de divulgação indevida de fotos/vídeo intimas, lembro de um caso que aconteceu em Porto Alegre alguns anos atrás, ainda quando o Orkut estava ativo. Um ex-namorado de uma famosa jornalista da cidade, magoado com o fim do relacionamento, divulgou de forma anônima,(mais tarde, através de investigações ficou comprovado que havia sido o ex namorado), fotos de momento íntimos com a até então, namorada. A jornalista foi demitida, seu filho na época, uma criança, foi mandada pra outro país para estudar, e até hoje, se recusa a voltar a conviver com a mãe devido ao episódio. É um assunto muito delicado. Nós enquanto usuários da internet, devemos sempre ter em mente que mesmo no ambiente digital, há limites e todo e qualquer crime é passível de punição.

Camila Tebet: Casos de vingança como esses acontecem todos os dias e não é raro que ganhem repercussões maiores, como aconteceu com a atriz Carolina Dieckmann. O fato é que além de expor a intimidade da pessoa e prejudicá-la, muitas vezes há o que chamamos de “culpabilidade da vítima”. É preciso discutir sobre o tema e enfatizar que a vítima, a pessoa que tem suas fotos vazadas, NUNCA tem culpa. O fato de tirar as fotos – seja voluntariamente ou sem que a pessoa esteja sabendo, não justifica que elas sejam divulgadas na rede. Infelizmente, além de ter que lidar com a complicada situação, na maioria das vezes as vítimas ainda têm que ouvir comentários maldosos e cheios de julgamento. É preciso conscientizar as pessoas, desenvolver a empatia e debater sobre o tema, desmistificando preconceitos.

Maria Luiza de Paula: A divulgação de fotos e vídeos íntimas tem como principal alvo a difamação da mulher. Infelizmente vivemos em uma sociedade extremamente machista e patriarcal, onde o sexo é visto ainda com muito pudor. Logo, quando os vazamentos ocorrem, ela é a principal vítima da situação e alvo dos julgamentos. Um homem que tem um vídeo íntimo divulgado não tem o mesmo impacto. Nos dias atuais, o problema se ampliou com o aumento do número de celulares com acesso à internet. O compartilhamento de fotos é muito mais fácil e se espalha com muito mais velocidade, principalmente graças ao WhatsApp. Porém, acredito que o único culpado não é apenas a pessoa que vazou a foto, mas também que ajuda a divulgar.

Nara Dias: Todos nós estamos sujeitos a passar por uma situação constrangedora por x fatores, uma delas é a invasão de privacidade na rede, por esse motivo precisamos tomar alguns cuidados mínimos como: configurações de privacidade; compartilhar ideias, fotos, áudios, vídeos e outras informações pessoais com pessoas que realmente conheçamos bem, mas ainda não é uma garantia que não aconteça. No entanto, na maior parte dos casos somos expostos por algum conhecido, que conhece os nossos pontos fracos, é aí que mora o perigo.  Não consigo entender a necessidade que as pessoas tem de fazer fotos e vídeos íntimos, concordo com a frase dita pelo personagem vivido por Jack Black no filme Sex Tape: Perdido na Nuvem (2014), que diz: se existe essa necessidade é que algo está errado no relacionamento do casal, que não estão satisfeitos. Esse filme aborda o tema com bastante humor e confusão. Pensando nessa questão de privacidade e compartilhamento indevido, em 2011 foi criado o aplicativo Snapchat, que tem se popularizado entre os fãs da prática de compartilhamento, já que o usuário estipula o tempo em que o texto, foto ou vídeo pode ser visualizado antes de se autodestruir.

Larissa Gaigher: Existem dois grandes culpados quando o assunto é a vingança pornô. O primeiro é, obviamente, a pessoa que se apropria indevidamente da imagem de outra pessoa e se acha no direito de divulgá-la como bem entender. Além de quebra de confiança e de uma atitude repugnante, isso é, ao menos no Brasil, crime (Lei Carolina Dickeman). O outro grande culpado, o pior a meu ver, é a própria sociedade julgadora, que ao invés da apoiar a vítima, prefere julgar e condená-la por enviar fotos ou vídeos íntimos de qualquer tipo, mesmo que seja pra pessoas de confiança, como maridos, ou mesmo namorados de longa data. A verdade é que não importa a situação, a mulher (embora aconteça com homens os piores casos envolvem mulheres) é sempre a culpada, julgada como indecente, promíscua e coisa pior por ter confiado em uma pessoa e ter essa confiança traída. E mesmo que no Brasil essa atitude seja punível com a lei, isso não é suficiente pra sanar o estrago na vida da vítima. Em muitos casos, a mulher se vê na necessidade de mudar de cidade e até de estado pra tentar ter uma vida normal, e nos piores casos, tentam até suicídio por não conseguir lidar com a pressão dos julgamentos. Pode parecer que não, mas esse é um caso muito sério e que afeta muito mais profundamente a vida da vítima do que podemos imaginar. Por isso, acredito que seja necessário mais que uma lei punindo o culpado por espalhar a foto, mas sim uma conscientização da sociedade como um todo de que a mulher não é a culpada pelo fato, e sim a pessoa que se apropriou indevidamente de sua vida.

Conheça as obras:

profundo_capaweb.jpg.200x300_q85_upscaleProfundo, de Robin York

Caroline Piasecki vê sua vida se transformar em um pesadelo quando o ex-namorado espalha fotos dela nua na internet. De uma hora para outra, sua reputação é arruinada e o futuro promissor que a aguardaria após a faculdade já não parece tão garantido. Desesperada, ela tenta fazer com que as imagens sumam da rede e, ao mesmo tempo, procura se defender da multidão de pessoas que a julgam. Um dia, quando um cara que ela mal conhece sai em sua defesa e dá uma surra em seu ex-namorado, tudo muda. À primeira vista, West Leavitt é a última pessoa de quem Caroline deveria se aproximar – ele tem um ar sombrio e ganha a vida de forma ilícita. Ela, por sua vez, é o tipo de garota que West sempre tentou evitar. Rica e privilegiada, jamais entenderia as dificuldades pelas quais ele já passou. Mesmo com todas as diferenças, os dois se tornam amigos. Com Caroline, West sente que fará de tudo para ser um homem melhor, e ela encontra nele a força para reagir. Quando parece impossível resistir à paixão avassaladora, West e Caroline descobrem que às vezes a única opção que resta é ir mais fundo.

intenso_capaweb.jpg.200x300_q85_upscaleIntenso, de Robin York

A vida de West Leavitt foi do céu ao inferno em poucos meses. Ele achava que era possível ter um futuro melhor, mas acabou retornando para os dramas diários de sua família. Agora, em meio a uma tragédia, o rapaz não sabe o que fazer para ajudar Frankie, sua irmã caçula. Quando ele está prestes a desmoronar, só uma pessoa lhe vem à mente: a jovem segura e determinada que ele um dia pensou merecer. Longe dali, Caroline Piasecki sonha mais uma vez com West: a pele contra o seu corpo, o cheiro dele, a mão deslizando pela sua barriga… Mas sonhos são apenas sonhos. Ela sabe que o ex foi embora e não vai voltar. Por mais doloroso que seja, Caroline precisa se esquecer do tempo que passaram juntos. Até que seu celular toca e um West transtornado está do outro lado da linha. Sem pensar duas vezes, Caroline vai ao seu encontro. Só que muita coisa mudou desde que eles terminaram. West tenta afastar Caroline de sua vida de todas as maneiras. Ao mesmo tempo, o desejo que sentem um pelo outro parece ter ficado até mais forte no período em que estiveram separados. West ainda sente algo por ela, mas não se considera uma boa companhia para ninguém. Caroline quer estar nos braços de West, mas sabe que deve partir para que ele não sofra. Nesse embate de emoções, eles precisarão encontrar os próprios caminhos e descobrir: por mais intenso que seja o laço que os une, ainda é possível um recomeço?

Sobre o autor
Viagens de Papel O blog Viagens de Papel foi criado em 22 de janeiro de 2013 com o intuito de promover diálogo sobre literatura, paixão que todos os autores do projeto têm em comum. Através de resenhas, lançamentos, listas, dicas e variadas matérias, queremos que você sinta-se em casa e aprecie o conteúdo nosso conteúdo! =)


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  1. quarta-feira, 23 de março de 2016.

    Olá!
    Muito bacana esses livros, onde abordam assuntos sérios que muita gente pensa que não dá em nada invadir a privacidade alheia. Interessante, espero poder conferir!

    Beijos!

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