quarta-feira, 9 de março de 2016

AVALIAÇÃO: 3/5
EDITORA: SEGUINTE
ISBN: 8565765016
GÊNERO: ROMANCE, JOVEM ADULTO
PUBLICAÇÃO: 2012
PÁGINAS: 368
SKOOB

Illéa é um país ainda jovem, com uma sociedade dividida por castas, onde as primeiras são as mais prósperas, e da 4 em diante, temos as mais pobres. America pertence a casta 5, onde viviam os artistas do reino de Illéa e era relativamente feliz vivendo com seu pai, mãe e dois irmãos, embora sua vida não seja fácil – assim como a de qualquer outro cidadão das castas inferiores. Nestas castas mais baixas, a vida sempre era mais sofrida, e se lutava para ter comida todos os dias. Porém, mesmo assim, America era satisfeita, afinal tinha uma família que a amava, encontrava conforto em sua música e tinha Aspen, um menino da casta 6 a quem amava.

Tudo muda quando chega em sua casa uma carta para a inscrição da Seleção, onde 35 meninas de qualquer uma das castas iriam lutar para conquistar o príncipe e se tornar princesa de Illéa. Para muitas, isso era um sonho, não apenas porque Maxon é um príncipe lindo, mas porque fazer parte da realeza e poder melhorar o padrão de vida seria algo inimaginável. Para America porém, está mais para pesadelo, pois ela não quer abandonar Aspen e o futuro que planejou com ele após 2 anos de relacionamento. Ela nunca almejou a riqueza, mas sabendo a dificuldade que a família passa, e somando-se a isso a insistência de Aspen de que ela ao menos tentasse, ela acaba se inscrevendo e, para a surpresa de todo mundo, sendo sorteada como uma das 35 selecionadas.

A partir daí, todas as selecionadas se conhecem e passam a conviver no castelo, aprendendo etiqueta e conhecendo o príncipe Maxon, que deverá interagir com todas em diversas atividades a fim de escolher sua futura esposa.

Confesso que relutei muito antes de ler esse livro, pois, pelo que sempre ouvi falar era um livro divisor de opiniões: ou se ama ou se odeia. Ainda não decidi em qual dos patamares me encontro, mas já posso dizer que estou bem decepcionada (embora isso não seja surpresa) com a história e o modo como ela foi contada.

O primeiro ponto que quero destacar é a protagonista. Consigo compreendê-la e seus motivos, mas ainda assim a considero muito egoísta, egocêntrica e até um pouco mimada. Não senti empatia alguma pela situação em que ela se encontrava, pois seus motivos não conseguiram me convencer: não entra na minha cabeça que alguém veja sempre seus desejos, seus sonhos, o que ela teria de abir mão, mas não veja a dificuldade de sua família, não veja que até mesmo o príncipe está em uma situação delicada (ser forçado a achar o amor da sua vida em 35 garotas, com todos observando não deve ser tão interessante). Ela, em momento algum, pensou que não se vive de sonhos. Sei que é um modo drástico de se pensar, mas acredito que alguém que está a beira de passar fome (a comida já é contada) deveria ter uma visão mais realista das coisas e deveria dar mais valor aos sacrifícios dos outros também e não apenas ao seu.

Outro ponto que me desagradou -e acredito que tenha desagradado a muitas pessoas – é o pando de fundo mal elaborado e mal explorado. Entendo que esse é um livro com foco no romance apesar de apresentar um cenário distópico, mas mesmo a leve pincelada que a autora deu no movimento rebelde e na formação da sociedade me pareceu falho. Um exemplo disso é o fato de os pais de Maxon serem pessoas tão boas (aparentemente), mas mesmo assim permitirem uma divisão por castas onde temos uns poucos ricos e outros tantos miseráveis. Ainda mais se considerarmos que a mãe de Maxon já pertenceu a casta 4 – uma que não é tão pobre mas que conviveu de perto com a miséria da população.

Sobre o triângulo amoroso pouco tenho a falar. Minha torcida está com Maxon desde sempre e nem foi abalada por Aspen. Digo isso não apenas pelo modo como a história foi desenvolvida – que já leva o leitor em uma direção -, mas também porque não concordei com as atitudes de Aspen no início do livro. Ele só me mostrou que não está disposto a arriscar com ninguém, que só ficaria com America se a situação fosse boa, mas na dificuldade ele pularia fora. Posso até entender suas motivações – ele queria protegê-la, queria o melhor pra ela -, mas não quer dizer que eu goste desse jeito de pensar. Ainda mais porque ele não considerou o que ela queria, e o que a faria feliz.

Outro ponto fraco é a relação entre as selecionadas. Sempre me espanta como as interações femininas são mostradas na literatura e em diversos outros meios. As meninas estão sempre brigando, achando um modo de boicotar umas as outras, competindo por um homem a quem mal conhecem. Sim, existem as exceções, mas de maneira geral o clima e de competição e animosidade, e ao invés de se unirem, elas lutam umas com as outras.

Mesmo com todos esses pontos negativos, a narrativa da autora, fluida e envolvente, conseguiu me prender à história. Além do mais, estou gostando do modo doce com que está se construindo o relacionamento de America e Maxon. Aliás, o relacionamento deles é algo que me surpreendeu. A história toda em si é bem previsível, mas não esperava essa amizade sincera e o companheirismo que se desenvolveu entre os dois. Ele é o meu personagem preferido de longe.

Além disso, estou bem curiosa pra conhecer melhor a família de Maxon e ver onde vai dar essa seleção. Acho que pior não dá pra ficar, e mesmo com os defeitos, a autora consegue despertar essa vontade de continuar no leitor. Ela soube me pegar de jeito, e apesar de eu já prever como o livro vai acabar, eu quero acompanhar esse desenvolvimento do romance – que é o que mais me agradou no livro.

Sobre o autor
Larissa Gaigher Larissa Gaigher, 19 anos (12/06) – Rio de Janeiro Estudante de administração e química, leitora ávida e blogueira por paixão. Embarcou no mundo da literatura quando tinha 10 anos e nunca mais saiu de lá. Apaixonada também por música, séries e filmes. É uma geminiana típica, sempre faz muitas coisas ao mesmo tempo e muda de ideia várias vezes, tanto que não consegue definir um gênero favorito. Carioca da gema, tem 19 anos, adora uma boa praia, muita comida e diversão.


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  1. quinta-feira, 17 de março de 2016.

    Olá, eu li esse livro a algum tempo e confesso que só peguei ele pela capa, não digo que a história não presta, afinal eu li os três primeiros, mas parei no quarto, muito chato, a história e muito fraquinha se for olhar o quadro geral. Mas o final d terceiro livro e ate basante interessante.

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