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Avaliação: 3/5  Editora: Companhia das Letras ISBN: 978-85-359-2610-1 Gênero: Policial, Suspense Páginas: 464 Publicação: 2015 Skoob

Quando foi anunciado que a (até então) trilogia Millennium iria ganhar uma continuação, confesso que fiquei com o pé atrás. Será que era necessária mais um livro para algo que já tinha um “final”? Sou um pouco chata com esse tipo de coisa, principalmente quando me apego aos personagens de um livro. Mas, quando peguei “A Garota Na Teia de Aranha” na mão, procurei me despir de qualquer preconceito e não julgar antes de ler.

Os três primeiros livros da saga (“Os Homens Que Não Amavam As Mulheres”, “A Garota Que Brincava Com Fogo” e “A Rainha No Castelo De Ar”) foram escritos pelo jornalista, ativista político e escritor sueco Stieg Larsson. Ele, porém, não teve a chance de acompanhar o sucesso estrondoso de suas obras, já que morreu antes que elas fossem publicadas. Ao todo, foram vendidos cerca de 80 milhões de exemplares dos seus livros.

Millennium tem como personagens principais uma jovem hacker com sérios problemas de socialização, chamada Lisbeth Salander, e um jornalista investigativo, chamado Mikael Blomkvist. Os livros fazem parte do estilo romance policial, onde sempre há um crime que envolve muito mistério para ser investigado. Larsson era um ativista político que usava sua profissão de jornalista para denunciar a extrema direita em seu país, além de violação dos direitos humanos, violência contra a mulher, corrupção, entre outros escândalos. Não é por acaso que muitos desses temas fazem parte de seus livros.

O escolhido para escrever a continuação da saga foi o jornalista David Lagercrantz, que escreveu a biografia do jogador sueco Zlatan Ibrahimovic. O novo autor não reescreveu um manuscrito original, mas criou uma história em cima da trama montada pelo falecido escritor. Principalmente por esse motivo, não será difícil para os fãs da série notarem que são duas pessoas diferentes por trás dos livros.

Em relação ao seu estilo de escrita, Lagercrantz segue, na medida do possível, a linha montada por Larsson. A história é contada pelo ponto de vista de cada um dos personagens, sempre sendo extremamente detalhista em suas descrições. Assim como nos três primeiros livros, a história é contada de forma lenta. Vamos conhecendo aos poucos a personalidade e o carácter de cada um dos personagens, somente para depois entender o papel que eles têm na trama. Isso quer dizer duas coisas: é uma leitura longa, porém que instiga ao máximo a curiosidade do leitor.

A maior diferença que eu senti em relação aos três primeiros livros foi a história em si. Apesar de manter os dois personagens principais e falar sobre investigações e crimes, aqui o foco acaba sendo não tanto os temas ligados ao machismo e a violência contra a mulher. A inspiração desta vez veio com o caso de Edward Snowden, o ex-funcionário da CIA e da NSA que denunciou o escândalo das investigações ilegais feitas pelos Estados Unidos.

De modo geral, “A Garota Na Teia de Aranha” está longe de ser um livro ruim. Lagercrantz fez um ótimo trabalho, buscando um equilíbrio entre o estilo de Stieg Larsson e o seu próprio. Porém, é inegável que os fãs sintam um pouco dessa ausência. Não apenas pelo estilo de contar a história, mas porque os personagens também estão um pouco diferentes. Leia sem julgamentos.

Sobre o autor
Maria Luiza de Paula

Maria Luiza de Paula (Mallu), 22 anos (01/05) – Paraná
Jornalista. Começou a gostar de ler por meio de biografias, mas hoje em dia gosta de quase todos os estilos literários. Entre seus livros preferidos estão “A Menina que Roubava Livros” (Markus Zusak), “1984” (George Orwell) e “Auto da Compadecida” (Ariano Suassuna). Além de seu amor por livros, também é apaixonada por música, cinema, seriados, fotografia e arte de rua. Escreve também para o site www.expressocultural.com.



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