quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Avaliação: 4,5/5
Editora: Record
ISBN: 9788501105417
Gênero: Thriller
Publicação: 2015
Páginas: 378
Skoob
Sabe quando você não está dando nada por um livro, e o pega para ler sem expectativa nenhuma e acaba se surpreendendo? Foi exatamente isso o que aconteceu comigo em relação ao livro A Garota no Trem. Escrito pela autora Paula Hawkins, e publicado no Brasil pela editora Record, a trama é cheia de mistérios e nos envolve rapidamente.
 
Na história somos apresentados a personagem Rachel, uma mulher que está vivendo uma fase muito difícil de sua vida. Rachel perdeu seu emprego e todos os dias finge que está indo trabalhar, para que sua colega de quarto não desconfie de sua situação. Ela é uma mulher problemática, está presa ao seu passado e não aceita o rumo que sua vida tomou.
 
Grande parte dos problemas de Rachel são resultados do fim de seu casamento com Tom, após o divorcio ela acabou saindo dos trilhos e se entregando de vez ao vício pelo álcool. Rachel bebe desde a hora que acorda até a hora que vai dormir, e muitas vezes quando bebe acaba fazendo coisas das quais ela não se lembra no dia seguinte.

“O agradável frisson do álcool entrando na minha corrente sanguínea só dura alguns minutos e logo fico enjoada. Estou indo muito rápido, até para os meus padrões, preciso diminuir o ritmo; se não diminuir, algo ruim vai acontecer. Vou fazer alguma coisa da qual vou me arrepender depois.”

Para manter a farsa de que ainda está trabalhando, Rachel pega o trem todos os dias e passa o tempo fantasiando sobre os moradores das casas que vê pelo trajeto, e se torturando ao imaginar seu ex-marido vivendo com sua nova esposa (Anna) e sua filhinha recém-nascida. Em uma dessas viagens de trem ela acaba se encantando por um casal que vê pelo caminho, e desde então ela cria um certo apego por este casal, dando até um nome para eles.
 
Depois de dias observando e fantasiando sobre como seria a vida desse casal, Rachel acaba vendo uma cena incomum na casa deles, e a situação piora quando no dia seguinte ela descobre que a mulher (Jess na cabeça dela, e Megan na vida real) desapareceu. A partir daí ela sente a necessidade de se envolver nessa história, pois acredita que a cena que viu pode ajudar a desvendar o mistério do sumiço de Megan.

“Sou capaz de imaginar o toque das mãos dele, o peso delas, tranquilizadoras, protetoras. Ás vezes, me pego tentando me lembrar da última vez que tive contato físico de verdade com alguém, um abraço, uma aperto de mão que seja, e sinto uma dor no coração.”

O livro é narrado em primeira pessoa, e a narrativa se divide entre três personagens (Rachel, Megan e Anna). A princípio não entendi o porquê de a narração se dividir entre essas três personagens, mas no decorrer da história vai ficando claro que há uma ligação entre as três, e que essa divisão de narrativa é extremamente importante para entendermos a obra por completo.
 
Todos os personagens são meio problemáticos na história, e eu gostei bastante disso (não sou louca rs), pelo motivo de que a autora conseguiu criar personagens extremamente humanos e propensos a cometer erros. Na maioria das histórias os personagens são muito romantizados e acabam sendo irreais, e essa dose de “loucura” que a autora colocou em cada personagem, os tornou mais reais, mais “tocáveis”.
 
Outro ponto que gostei bastante no livro foi a escrita da autora, ela consegue nos passar as emoções de cada personagem de uma maneira muito real. Fica nítido que Rachel possui graves problemas psicológicos, seus pensamentos e ações chegam a ser doentios, e tudo isso fica muito sincero e verdadeiro na escrita de Paula Hawkins.
 
Apesar de ter amado muito este livro, confesso que o final me decepcionou um pouco, pois eu estava esperando mais. No meio da leitura eu já estava sentindo que o livro terminaria dessa maneira, e isso meio que tirou um pouco a graça do desfecho, pois achei um tanto quanto previsível.
 
Enfim, A Garota no Trem é um livro intenso e que te faz sentir na pele o que é ser um pouquinho louco. Recomendo demais a leitura, eu que nunca fui muito chegada a tramas de mistério, acabei me apaixonando pela história tanto que esse livro entrou para o meu top 5 leituras de 2015. Para quem curte thriller psicológico com uma boa pegada de paranoia, fica a dica!
 
Sobre o autor
Tayara Olmena Estudante que tomou gosto pela leitura aos 12 anos de idade depois que leu "A marca de uma lágrima" do escritor Pedro Bandeira. Costuma ler de tudo, mas ainda torce o nariz para o romance. Além de ler, também é viciada em séries e filmes, e não perde a oportunidade de maratonar sua série favorita.


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