terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Avaliação: 3/5
Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 9788528619218
Gênero: Biografia/Memória
Páginas: 462
Publicação: 2015
Skoob
Conheci a obra de Hemingway por meio do livro “O Velho e O Mar”, que eu li para um trabalho de faculdade. Gostei muito do estilo de escrita do autor. Ele escreve de um jeito simples, mas sua história carrega milhões de significados que podem ser interpretados de diferentes maneiras.

Verdade Ao Amanhecer, por outro lado, mostrou um lado diferente do que eu conhecia anteriormente. Muito mais longo que a minha leitura anterior, também não é tão fácil se encontrar dentro da história, apesar da sua linguagem continuar simples e acessível. Apenas o modo como ele resolve narrar os fatos é que não é tão direta.

Misturando ficção com realidade, este livro foi escrito em um período que Ernest Hemingway estava vivendo com sua família na África, em especial no Quênia, durante os anos 50. É uma obra póstuma, que foi publicada pelo filho do autor, Patrick. 

São mais de quatrocentas páginas que retratam os cenários de safaris africanos, os costumes das tribos locais e um pouco da visão de um branco em uma terra que não lhe pertence. Não há uma história com início, meio e fim aqui. Senti-me lendo um pouco do diário de Hemingway, as reflexões que ele tinha sobre o meio e as pessoas a sua volta. O prazer na leitura de Hemingway é que ele sempre sai com algum pensamento que nos faz sair de história e levar aquilo para nossas vidas.

Confesso que algumas coisas no livro me incomodaram um pouco, como as descrições das caçadas que Hemingway e seu grupo faziam constantemente. É um pouco chocante ler esses relatos, quando hoje em dia existe uma consciência coletiva de que matar animais selvagens apenas como “esporte” não é nada correto. Porém, entendo que naquela época os pensamentos eram outros.

O autor também desenvolve uma ligação de muito afeto com o lugar onde estava vivendo. Ele diz que naquela região da África onde morava, sempre podia esperar que algo terrível ou algo maravilhoso fosse acontecer. Brinca que sempre sabia que algo iria acontecer. “Não me lembro de nenhuma manhã africana em que não acordasse feliz”, ele diz.


Não recomendo a leitura para quem esteja querendo começar a ler a obra de Hemingway. Verdade ao Amanhecer não será provavelmente um livro pelo qual você vai se apaixonar. Para aqueles que já conhecem o escritor, é um bom livro, que merece uma chance.

Por Maria Luiza de Paula
Sobre o autor
Maria Luiza de Paula Maria Luiza de Paula (Mallu), 22 anos (01/05) – Paraná Jornalista. Começou a gostar de ler por meio de biografias, mas hoje em dia gosta de quase todos os estilos literários. Entre seus livros preferidos estão “A Menina que Roubava Livros” (Markus Zusak), “1984” (George Orwell) e “Auto da Compadecida” (Ariano Suassuna). Além de seu amor por livros, também é apaixonada por música, cinema, seriados, fotografia e arte de rua. Escreve também para o site www.expressocultural.com.


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