quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Avaliação: 5/5
Editora: Companhia das Letras/Cortesia
ISBN: 9788535924015
Gênero: Thriller Psicológico
Publicação: 2014
Páginas: 280
Skoob
Dias perfeitos narra a história de Téo, um peculiar estudante de medicina que tem 20 anos. Téo, ao contrário da maioria dos jovens de sua idade, é introvertido, calado, não dado a muitos afetos e sua única amiga é um cadáver de nome Gertrudes que ele estuda na aula de anatomia. De fato, eles mantém um vínculo forte.

Descrevendo-o assim, parece até que ele não tem família, mas pelo contrário, ele tem uma mãe e um cachorro, o único detalhe é que parece não se importar com eles, e inclusive os considera como estorvos em sua vida. Até porque sua mãe é paraplégica e precisa de ajuda pra tudo, o que é um peso na vida de Téo. O rapaz é um homem sozinho, que não se importa com a solidão, que se sente superior aos outros de sua raça. Ele não sente empatia ou afeto por ninguém, ao menos não até conhecer Clarice, uma jovem estudante de história e roteirista nas horas vagas, que com seu jeito desinibido desperta o interesse e a obsessão de Téo.

Quando Clarice começa a vetar as aproximações de Téo é que as coisas se tornam ainda mais interessantes. O rapaz está disposto a cruzar quaisquer limites para tê-la e, para ele, qualquer meio que puder usar é útil em seu propósito de ter Clarice só pra ele. 

Conheci a escrita de Raphael Montes em O vilarejo, e desde então me tornei fã do autor. Só não imaginei que ele pudesse me surpreender mais ainda com a admirável qualidade com que desenvolve seus enredos. Ele tem uma habilidade nata em construir personalidades psicopatas, que nos mostram em detalhes suas psiques doentias. Téo é de uma frieza impressionante, é incrível como ele elabora todos os seus passos calmamente e como justifica todos os seus atos de maneira lógica – ao menos lógica para ele. 

Como não estou acostumada com esse gênero mais denso – os thrillers psicológicos -, passei a leitura toda inquieta com as atitudes e pensamentos de Téo. A forma como ele manipula todas as situações, inclusive a si mesmo, tentando se convencer de que o que faz é necessário e correto, é realmente impactante. Acredito que até quem tem o costume de ler esse gênero possa se sentir surpreendido com a trama, afinal o autor nos leva por um caminho que nos faz esperar determinado desfecho e no fim nos surpreende com um final totalmente oposto ao que esperávamos.

É fácil para o leitor se perder nas páginas de Dias perfeitos e ser imerso na mente doentia de Téo. A narrativa de Raphael Montes é rica e clara, e de uma fluidez surpreendente para uma história tão densa. E, embora entrar na mente e nos pensamentos de Téo seja angustiante, é ao mesmo tempo fascinante acompanhar o processo de “trabalho” de uma mente dessas, o modus operandi de um perfeito psicopata. 

Esse é daqueles livros que nos tiram de nossa zona de conforto, que nos dão aquela sensação de incômodo e angústia, mas que nos envolvem até a ponta do fio de cabelo. O autor desenvolve sua trama com maestria e nos manipula como quer, nos surpreendendo com o desfecho. É completamente arrebatadora essa habilidade do autor de construir um personagem desse estilo tão sólido e até assustador que consiga isso. Só posso dizer que fiquei impactada com Dias Perfeitos, e surpreendida que tenhamos um autor de tão boa qualidade no Brasil.

Por Larissa Gaigher
Sobre o autor
Larissa Gaigher Larissa Gaigher, 19 anos (12/06) – Rio de Janeiro Estudante de administração e química, leitora ávida e blogueira por paixão. Embarcou no mundo da literatura quando tinha 10 anos e nunca mais saiu de lá. Apaixonada também por música, séries e filmes. É uma geminiana típica, sempre faz muitas coisas ao mesmo tempo e muda de ideia várias vezes, tanto que não consegue definir um gênero favorito. Carioca da gema, tem 19 anos, adora uma boa praia, muita comida e diversão.


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  1. quarta-feira, 25 de novembro de 2015.

    Que legal! Depois que li O Vilarejo estou doida para ler esse aqui!! Adorei sua resenha!

    Beijos
    http://keylinhastureads.blogspot.com.br/

  2. terça-feira, 19 de julho de 2016.

    Pode parecer estranho mas esse foi um dos primeiros livros que conheci quando comecei a me interessar por literatura. Eu ainda não cheguei a ler ele porém essa resenha me mostrou bastante coisa sobre ele que eu não sabia. Não gosto de thrillers mas adoraria lê-lo… quem sabe um dia!

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