Avaliação: 5/5
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501401397 
Gênero: Fantasia/Jovem Adulto
Publicação: 2014
Páginas: 406

Atenção: Essa resenha contém spoilers do livro anterior!

Celaena Sardothien venceu a cruel competição contra os mais temidos assassinos de Erilea e foi enfim nomeada a campeã do Rei. E mesmo que deteste essa posição, ela sabe que deve suportá-la a fim de obter a tão desejada liberdade. E logo em um dos primeiros trabalhos ordenados pelo Rei, Celaena têm sua lealdade testada ao constatar que seu alvo é um conhecido de anos. 
 
Ao se ver confrontada com esse dilema, a protagonista decide antes de qualquer coisa que deve investigar a situação e descobrir o que realmente está acontecendo, e se seu alvo é realmente culpado do que o Rei o acusa de ser. E, de repente, ela se vê envolta em uma teia de mistérios ainda maior do que a que enfrentou em Trono de Vidro.
 
Somos soterrados então em uma avalanche de acontecimentos repletos de traições, segredos, conspirações, reviravoltas e magia mais antiga do que Celaena poderia esperar, em um local em que é tão fortemente proibida. E em meio a túneis subterrâneos do castelo, se esconde algo ainda mais poderoso e malévolo do que se pode imaginar.
 
Neste segundo volume da série Trono de Vidro, somos ainda mais surpreendidos por Sarah J Maas. Dessa vez por uma razão diferente. No primeiro volume o que surpreende é a qualidade de escrita e desenvolvimento do enredo por parte da autora. Nesse segundo livro o que surpreende é a trama e a coragem da autora de inserir reviravoltas chocantes.

Fiquei um pouco perdida no começo do livro porque não sabia exatamente o que esperar da trama. Só estava ansiosa e com a expectativa lá em cima por conta do primeiro livro, mas não sabia exatamente o foco que a autora ia dar, e essa parte da trama só foi se desenvolvendo mais pra página 70 ou algo assim. Porém, a partir daí o ritmo é frenético e a Sarah não decepciona em nos envolver na leitura e nos deixar angustiados com cada acontecimento.

 

“-E por fim depois de tantos meses -, ele viu a predadora letal que tinha esperado encontrar nas minas. Não havia nada humano nos olhos dela, nada remotamente misericordioso. Aquilo congelou o coração do capitão.”

 
Como no livro anterior, a narrativa é em terceira pessoa com o ponto de vista variando entre alguns personagens, mas o foco principal ainda é o da Celaena. E o que posso dizer é que, caramba, essa autora sabe como desenvolver personagens. Em um livro sobre fantasia medieval não se espera que o autor se aprofunde tanto na construção dos personagens, mas é exatamente isso que acontece. Sarah nos mostra cada vez mais facetas dos personagens e aos poucos vamos desvendando cada uma delas. A autora tem uma habilidade nata em construir personagens tridimensionais, o que os torna tão reais quanto eu e você, e permite que nos identifiquemos com eles. O único porém que eu tenho em relação aos personagens é ter sentido que Dorian foi meio deixado de lado, mas tenho esperanças de que o propósito tenha sido exatamente esse, para que, com as revelações deste volume, ela possa explorá-lo mais nos próximos.
 
Quanto à trama do livro, é algo que realmente surpreende. A autora insere elementos que são razoavelmente previsíveis (algumas das reviravoltas têm algumas dicas durante a história), porém outros acontecimentos são radicais, e chocam demais o leitor. Fiquei com o coração na mão com algumas reviravoltas e não me recuperei ainda de algumas revelações marcantes que eu não esperava nem em mil sonhos.
 
Outra coisa que chama a atenção é a ação que transcorre no livro. É algo que evolui bastante de um livro para o outro, e se no primeiro não teve muita luta, nesse segundo é praticamente um banho de sangue. Aqui temos a oportunidade de conhecer o lado mais sombrio e perigoso de Celaena, o lado que faz jus à sua reputação de melhor Assassina de Adarlan. Aliás, ela é uma personagem que sempre surpreende. Continua com o humor ácido e a língua ferina, além de permanecer com o ar arrogante e durão, mas descobrimos outras facetas dela, como sua sensibilidade (ainda que bem escondida) e seu lado mais letal.
 

“Não sei se deveria sentir vergonha por querer ter você nos braços neste dia ou gratidão porque, apesar do que aconteceu até agora, foi isso que, de alguma forma, me trouxe até você.”

 
Aos desavisados, acho bom frisar que o romance é muito bem tratado nesse livro. Não há melosidade demais, e o leve triângulo amoroso que se segue é muito bem desenvolvido, sem enrolações, drama desnecessário ou qualquer coisa assim. O romance é mais como um complemento à trama, e não o foco dela – o que me agrada muito.
 
De maneira geral, o livro é sensacional. Uma continuação que não segue a “maldição das continuações”. A autora consegue manter o padrão esplendoroso de qualidade do primeiro volume, e até surpreende em alguns quesitos. É um livro com um ritmo alucinante, reviravoltas surpreendentes e acontecimentos chocantes que nos deixam apreensivos pelo próximo volume. É realmente de tirar o fôlego e a tendência é só melhorar. Mal posso esperar pelo próximo!

Por Larissa Gaigher
Sobre o autor
Larissa Gaigher Larissa Gaigher, 19 anos (12/06) – Rio de Janeiro Estudante de administração e química, leitora ávida e blogueira por paixão. Embarcou no mundo da literatura quando tinha 10 anos e nunca mais saiu de lá. Apaixonada também por música, séries e filmes. É uma geminiana típica, sempre faz muitas coisas ao mesmo tempo e muda de ideia várias vezes, tanto que não consegue definir um gênero favorito. Carioca da gema, tem 19 anos, adora uma boa praia, muita comida e diversão.


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