Avaliação: 3/5
Editora: Geração Editorial/ Cortesia
Gênero: Romance
ISBN: 9788581303253
Publicação: 2015
Páginas: 232
Skoob

Quando vi pela primeira vez o título deste livro minha curiosidade foi logo despertada. Esta é a estreia do autor Gustavo Magnani no mundo da literatura, que também escreve no blog Literatortura, um dos maiores no Brasil.


A obra Ovelha – Memórias de um pastor gay é uma espécie de diário escrito pelo protagonista, um pastor evangélico que age de forma contrária aos seus ensinamentos dentro da igreja. São pequenas crônicas que não seguem necessariamente uma ordem cronológica, escritas como se fossem uma conversa entre o pastor e Deus.

Mesmo sabendo que havia nascido gay e que nada poderia fazer para mudar, ele não conseguiu passar por cima dos ideais que sua mãe – uma evangélica fundamentalista – pregava dentro de casa. Junto com seu irmão e sua irmã, eles sofriam uma série de restrições impostas pela genitora, como, por exemplo, não poder ver televisão. Ambos os irmãos do Pastor, já mais velhos, acabaram por se afastar da família. Em contrapartida, nosso protagonista era o filho preferido da mamãe e desde pequeno foi escolhido para ser um pregador da palavra de Cristo.

Porém, seu segredo o tortura o tempo todo. Mesmo sendo um pastor muito carismático e querido dentro de sua igreja e, futuramente, ter se casado e tido filhos, nada disso consegue preencher o vazio dentro dele pelo fato de não assumir quem realmente é. A figura opressora de sua mãe ainda o persegue, fazendo com que até mesmo seu irmão, Lucas, fique indignado que tudo o que o Pastor faz é pensando na reação dela. A figura dela é descrita ora com amor, ora com ódio.

Com certeza o tema apresentado aqui é muito atual e por isso atrai atenção. O autor chegou a dar entrevistas dizendo ter se inspirado em figuras conservadoras como Silas Malafaia e Marco Feliciano para criar referências dentro do livro. Ao que me parece, Magnani quis desenvolver uma história onde o leitor ficasse chocado com a franqueza do Pastor em relatar sua vida. Não somos poupados de cenas de sexo selvagem ou de qualquer coisa do gênero. A reflexão surge a partir desse tipo de escancaração. Entretanto, achei que acabou deixando o personagem um pouco estereotipado.

Por outro lado, o autor também nos mostra o que sente uma pessoa cuja a sexualidade é reprimida desde a infância e o impacto negativo que isso gera na idade adulta. O personagem o tempo todo se sente uma aberração, um pecador. A culpa é o sentimento que molda a sua vida e, sabendo que sua mãe não o perdoaria se soubesse que tinha um filho gay, ele assume a forma de um fanático. 

(Foto: Maria Luiza de Paula)

Uma das cenas mais marcantes para mim foi quando ele é obrigado, enquanto líder de uma igreja evangélica, a aconselhar um casal a reprimir sua filha lésbica. Mesmo tendo a consciência de que aquela jovem garota estava passando pelo mesmo inferno que ele viveu a vida toda, o Pastor não poderia jamais ir contra aquela imagem que ajudou a criar de si próprio.

Não considero que este seja um livro que vai marcar o tema da homossexualidade dentro da igreja evangélica e talvez não seja uma obra acessível para tantas pessoas. Mas, fico pensando que, pelo fato do autor ser jovem e ativo no mundo virtual, é provável que seja uma boa introdução sobre o tema para jovens leitores. Um incentivo para que eles repensem suas opiniões sobre religião e a comunidade LGBT.

Por Maria Luiza de Paula
Sobre o autor
Maria Luiza de Paula

Maria Luiza de Paula (Mallu), 22 anos (01/05) – Paraná
Jornalista. Começou a gostar de ler por meio de biografias, mas hoje em dia gosta de quase todos os estilos literários. Entre seus livros preferidos estão “A Menina que Roubava Livros” (Markus Zusak), “1984” (George Orwell) e “Auto da Compadecida” (Ariano Suassuna). Além de seu amor por livros, também é apaixonada por música, cinema, seriados, fotografia e arte de rua. Escreve também para o site www.expressocultural.com.



Deixe uma resposta

Comentários no Facebook

%d blogueiros gostam disto: