sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Avaliação: 4/5
Editora: Geração Editorial / Cortesia
ISBN: 9788561501044
Gênero: Romance Brasileiro
Publicação: 1991
Páginas: 295
Skoob
O começo da década de 60 no Brasil foi bastante intenso, política e socialmente falando. Nesse período, os militares ocuparam o poder e estabeleceram uma ditadura que duraria mais de vinte anos e o conservadorismo ganhava território. É neste contexto que se passa a história de Hilda Furacão, contada por Roberto Drummond.

O estilo de escrita de Drummond mistura a realidade com a ficção e usa a si mesmo como um dos personagens. Hilda conquistou o coração do público e chegou a ganhar uma minissérie produzida pela Rede Globo, cujo o papel da protagonista foi interpretado por Ana Paula Arósio.

O livro começa com a história de Roberto (alter-ego do autor), discorrendo sobre sua vida em Belo Horizonte, “uma cidade que cheirava jasmim e gás lacrimogêneo”. Ele era um jovem comunista que participava de grupos de extrema esquerda e via sua cidade se transformar em um lugar tomado por religiosos fervorosos e uma elite conservadora. Roberto mora com duas tias católicas e trabalha como repórter em um jornal, que aliás quase nunca paga seu salário.

Eis que surge a figura de Hilda Furacão, cujo o sobrenome verdadeiro é Gualtieri Von Echveger, filha de uma italiana com um alemão. Ela era uma jovem de beleza hipnotizadora para os homens e que causava ódio nas mulheres mineiras, que a viam como uma ameaça para a família tradicional.

Suas primeiras aparições foram no Minas Tênis Club, onde a elite mineira se reunia. Hilda ficou conhecida como a Garota do Maiô Dourado, mas depois de um tempo simplesmente deixou de frequentar o local. Ela então se mudou para a Zona Boêmia de Belo Horizonte, no quarto 304 do Maravilhoso Hotel, onde homens de todas as classes sociais formavam filas enormes para conseguirem um contato com a musa sexual. A comunidade católica da capital não aguentava a existência de Hilda, considerada uma encarnação do demônio.

A narrativa usada por Drummond durante o livro não é linear. Apesar de ter a história de Hilda como fio condutor, diversas tramas paralelas são contadas. O autor descreve situações que o brasileiro vivia naquele momento, principalmente em termos políticos. A obra como um todo não deixa de ser uma provocação aos mais conservadores. Infelizmente, diversos problemas descritos em Hilda Furacão perpetuam até os dias de hoje, como a desigualdade social, o racismo, o fundamentalismo religioso, entre outros.

Hilda Furacão (foto: Maria Luiza de Paula)
O livro parece uma conversa entre o escritor e o leitor. Em alguns momentos ele diz que podemos pular as páginas ou avisa que está se alongando demais em alguma descrição. Não é o meu estilo favorito de escrita, entretanto não é cansativa ou monótona. Pelo contrário, é uma leitura tranquila e que instiga a curiosidade do leitor para descobrir os rumos que a vida dos personagens irão seguir.

Por misturar realidade e ficção, muitos fãs de Roberto Drummond se perguntam se a Garota do Maiô Dourado existiu de fato. Porém, nunca houve uma resposta. 
Sobre o autor
Maria Luiza de Paula Maria Luiza de Paula (Mallu), 22 anos (01/05) – Paraná Jornalista. Começou a gostar de ler por meio de biografias, mas hoje em dia gosta de quase todos os estilos literários. Entre seus livros preferidos estão “A Menina que Roubava Livros” (Markus Zusak), “1984” (George Orwell) e “Auto da Compadecida” (Ariano Suassuna). Além de seu amor por livros, também é apaixonada por música, cinema, seriados, fotografia e arte de rua. Escreve também para o site www.expressocultural.com.


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