terça-feira, 25 de agosto de 2015

Avaliação: 4/5
Editora: Intrínseca / Cortesia
ISBN: 9788580577075
Gênero: Ficção Canadense
Publicação: 2015
Páginas: 320
Skoob
Quando comecei a ler Estação Onze, eu não sabia direito o que esperar. O livro chegou aqui em casa em um kit lindo, preparado com carinho para os parceiros da Intrínseca. Assim que me deparei com a edição caprichada (a capa tem uma textura diferente, mais áspera, e uma imagem incrível), fiquei super curiosa para conferir. Fui sem muitas expectativas e me surpreendi bastante com essa obra, que me fez refletir sobre diversos aspectos, como as relações familiares, profissionais, sonhos e as ações do dia a dia.

Se você espera de Estação Onze um romance pós-apocalíptico frenético, mude seu ponto de vista, ou poderá se decepcionar. A história é focada muito mais no interior dos personagens do que no fato que dizimou a população. O livro se inicia com a morte do famoso ator Arthur Leander. Ele teve um ataque cardíaco no meio do palco, durante a apresentação da peça Rei Lear. Percebendo que aquilo não era encenação, Jeevan Chaudhary, um jornalista de entretenimento com treinamento em emergências médicas, tenta evitar que o pior aconteça. Isso não é suficiente e o fato deixa todas as pessoas envolvidas na peça tristes e chocadas com o acontecimento. No entanto, ninguém se assusta mais do que Kirsten Raymond, a pequena atriz de oito anos que fazia parte da peça e tinha uma certa relação de amizade com o ator. 

No mesmo dia, começam a surgir notícias de uma grave epidemia. A “Gripe da Geórgia”, como foi denominada, era transmitida em poucas horas e, em instantes, a pessoa afetada começava a perceber os sintomas, morrendo em um ou dois dias. A doença foi devastadora. O índice de mortalidade estimado em 99%. Conforme ela se espalhou pelo mundo, tudo parou de funcionar. Aos poucos, os estabelecimentos comerciais foram fechados, os telefones celulares ficaram sem serviço, os aeroportos fecharam, os jornais interromperam suas transmissões. A eletricidade acabou.

Vinte anos depois, as pessoas que sobreviveram à epidemia tentam seguir e reconstruir suas vidas. Nada é como antes. Os mais velhos relembram com nostalgia a praticidade da internet, as ligações móveis, inovações tecnológicas, uma música gravada, um simples banho quente. Os mais novos nem sabem o que é isso, não se lembram dos detalhes. Vagam por um mundo perdido, onde a criminalidade é o maior perigo. Saques e assassinatos são recorrentes. Entre essas pessoas que buscam continuar com suas vidas está um grupo de atores e músicos chamado Sinfonia Itinerante. Eles vagam entre os sobreviventes apresentando canções e peças de Shakespeare, tentando, por meio da arte, tornar a vida um pouco mais fácil.

Kirsten Raymonde, a pequena garota que presenciou a morte de Arthur Leander, agora está crescida e faz parte desse grupo. Desde pequena, guarda com carinho edições dos quadrinhos Estação Onze. O presente foi dado pelo ator Arthur Leander, quem considerava muito. Desde a tragédia da gripe, coleta informações do ator que foi tão importante em sua vida e lhe deu o presente mais precioso. Os quadrinhos são uma maneira dela fugir da triste realidade em que se encontra e o que ela mais deseja é saber mais sobre a história que fala sobre uma nave espacial e um mundo subaquático.

O livro, além de acompanhar um pouco da vida de Kirsten, é bastante focado na vida de Arthur e nas pessoas que foram importantes para sua vida. Conhecemos profundamente suas ex-mulheres Miranda e Elizabeth, o jornalista Jeevan, seu melhor amigo Clark, e um certo “profeta”, que teve participação importante em sua vida e será capaz de definir destinos no novo mundo. Todos eles são abordados de maneira mais analítica, tendo suas vidas e desejos desnudados perante o leitor. Este é o ponto mais alto da obra, já que a excelente construção dos personagens aborda, com riqueza, os relacionamentos, a vida, nossas relações profissionais, entre outras coisas que permeiam nossa existência.

A narrativa da obra é um pouco mais lenta por focar justamente no interior dos personagens. Não há tanta ação, mas o livro traz reflexões pertinentes. Por diversos momentos me coloquei no lugar dos sobreviventes e pensei em como seria difícil deixar tudo para trás, ver tudo se esvair de um dia para o outro: familiares e amigos queridos, bens materiais, inovações tecnológicas que nos parecem essenciais. O livro retrata a fragilidade da vida e como tudo é capaz de mudar de uma hora para outra. No fim da humanidade, o que realmente faz a diferença? É algo que fiquei me perguntando durante muito tempo.

A autora começa o livro com Arthur e termina o livro com Arthur, É incrível a forma como ela entrelaçou os acontecimentos e os personagens. Todos eles, de alguma forma, têm uma ligação. O livro é narrado em terceira pessoa e os capítulos são alternados entre pontos de vistas. Além disso, Emily fala sobre várias épocas. Desde muito antes da gripe, até vinte anos depois. Isso dimensiona e enriquece ainda mais a história, pois dessa forma é mais fácil acompanhar e entender os personagens principais. De maneira geral, Estação Onze é um livro que me surpreendeu muito, pois além de propor reflexão, mistura diversos elementos, como romance, ação, aventura e cultura. Recomendado!


Sobre o autor
Viagens de Papel O blog Viagens de Papel foi criado em 22 de janeiro de 2013 com o intuito de promover diálogo sobre literatura, paixão que todos os autores do projeto têm em comum. Através de resenhas, lançamentos, listas, dicas e variadas matérias, queremos que você sinta-se em casa e aprecie o conteúdo nosso conteúdo! =)


Deixe uma resposta

  1. quinta-feira, 27 de agosto de 2015.

    Olá, adorei a arte do blog. Está linda! Sobre o livro, já tinha ouvido falar dele, e com certeza, quero lê-lo. Estou seguindo você, beijos.

    http://jardimdoslivrosdahelo.blogspot.com.br/

  2. quinta-feira, 27 de agosto de 2015.

    Eu amei estação onze!
    Cheio de entrelinhas e feito para leitores exigentes!
    Concordo super com você!
    Beijinhos
    Rizia – Livroterapias

  3. sexta-feira, 28 de agosto de 2015.

    Oi!
    Eu ainda não conhecia o livro, mas sua resenha me deixou bem curiosa! Gosto de enredos mais reflexivos e se envolvem romance e mistério são ainda melhores. Dica anotada, com certeza vou querer essa edição na minha estante 🙂
    Beijos
    sobrelivrosesonhos.blogspot.com.br

  4. sexta-feira, 28 de agosto de 2015.

    Li muitas resenhas do livro e já me convenci que devo lê-lo e tirar minhas próprias conclusões, no geral, achei a ideia da narrativa bem legal.

  5. sexta-feira, 28 de agosto de 2015.

    A capa é linda!!
    É tão bom ler um livro que nos faz refletir!=]
    bjs

  6. sábado, 29 de agosto de 2015.

    Olá,
    Li algumas resenhas e já decidi que preciso desse livro, sua resenha só me deixou mais curiosa. Parece um livro meio louco rs.

    Coração Leitor

  7. domingo, 30 de agosto de 2015.

    Oie

    Não conhecia o livro, porém, você me deixou bem curiosa, pois gosto muito de livros com um tema mais reflexivo. Espero ler

    Beijos
    http://www.amorliterariooriginal.blogspot.com.br

  8. domingo, 30 de agosto de 2015.

    Esse livro é para mim. Eu ADORO distopias que não são necessariamente frenéticas, mas focam no desenvolvimento pessoal de um personagem. Como na trilogia Matched, que muita gente não curtiu. Gostei muito de conhecer a obra. Nada sabia sobre ela. Imagino como deve ser estar ali, em meio a tantos corpos, sem esperanças e ao mesmo tempo sendo "a pequena centelha de oportunidade" de fazer as coisas continuarem. Qualquer ser humano, nesse contexto, é muito precioso. Lerei, com certeza.

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

  9. segunda-feira, 31 de agosto de 2015.

    Olá!
    Não sei se leria o livro por ele ter pouca ação e muita reflexão.
    Lendo sua resenha deu pra perceber que vc gostou bastante.
    Quem sabe um dia eu leio rsrs
    Adorei sua resenha

    http://malucaspor-romances.blogspot.com.br/

  10. segunda-feira, 31 de agosto de 2015.

    Olha eu sinceramente até hoje não tinha lido nenhuma resenha sobre esse livro, mas lendo a sua agora eu fiquei bastante interessada, pois a trama me parece ser muito boa. Eu gosto de livros que me passam um pouco de reflexão sabe? Eu não sei, me parece ser bem interessante. Mas eu preciso conferir eu mesma para tirar minhas conclusões. Mas sua resenha me chamou atenção e sem dúvida pegaria o livro para ler, sem contar que amei a capa dele.

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/08/resenha-ovelha.html

  11. quarta-feira, 2 de setembro de 2015.

    Acho a capa desse livro linda e já queria ler, agora fiquei com mais vontade ainda, adorei sua resenha…

    Beijos
    albumdeleitura.blogspot.com.br

  12. quarta-feira, 2 de setembro de 2015.

    Oii
    Confesso que não conhecia muito bem o livro, mas gostei muito da historia mesmo não curtindo muito livros pós apocalípticos. A capa é realmente muito linda. Anotei a sua dica, mas ainda sim confesso que não sei se leria.

    beijos
    Mayara
    Livros & Tal

  13. quarta-feira, 2 de setembro de 2015.

    Oi, como vai?
    Antes de tudo preciso falar dessa capa, ficou demais, linda <3
    Ainda não conhecia o livro e fiquei bem curiosa. Ultimamente as distopias tem sido todas as mesmas coisas, sempre repetitivas, e ver algo diferente me instiga.
    Quero conhecer Arthur e Kirsten, e todos os outros, e em breve!
    Adorei a resenha e a dica está anotada!
    Beijos!

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