terça-feira, 4 de agosto de 2015

Avaliação: 3/5
Editora: Record / Cortesia
ISBN: 9788501088437
Gênero: Romance de época
Publicação: 2015
Páginas: 378
Skoob
Quando adolescente, eu era muito fã das histórias criadas por Meg Cabot. Ainda hoje leio alguns de seus livros e me divirto com as personagens criadas e suas confusões. Nunca havia lido nada de Patrícia Cabot, seu pseudônimo, e estava bem curiosa, ainda mais porque ela escreve romances de época, um gênero que eu amo. Assim que Um amor escandaloso chegou em minha casa, comecei a ler. As expectativas estavam bem altas e, infelizmente, não foi tudo isso que eu esperava. A história prende a atenção do começo ao fim e tem seus momentos encantadores, mas fiquei com a impressão de que alguns acontecimentos foram muito forçados e me incomodei bastante com o discurso e alguns atos do personagem principal.

Com 378 páginas, o livro se passa em Londres, em 1879, e conta a história de Kate Mayhew. Com 23 anos, ela trabalhava como babá para uma pacata família da cidade. De repente, toda a tranquilidade que tinha e que era fundamental para a sua vida é deixada de lado, pois ela recebe uma oferta de ser dama de companhia de Lady Isabel, filha de Burke Traherne, lorde de Wingate. Famoso na cidade por ser uma pessoa explosiva e ter tudo o que deseja, ele não é muito bem visto pela sociedade, pois também protagonizou um dos maiores escândalos da época, quando se divorciou da mulher e matou o amante que ela tinha. Desde então, jurou que nunca mais iria amar ninguém.

Tudo muda de figura quando a atraente Kate se muda para a sua casa, perturbando suas noites de sono e o tempo que tinha para descansar em casa. Desde que ela passou a acompanhar a filha nos diversos bailes oferecidos pela sociedade, ele ficava inquieto e preocupado que algo pudesse acontecer a ela durante esses eventos (além do ciúmes de que algum homem se aproximasse da dama). Com isso, ele também passou a frequentar os bailes, coisa que não fazia há muitos anos.

O fato é que a atração que sentia pela dama não era unilateral. Kate, assim que pôs os olhos no marquês, também passou a desejá-lo e seus impulsos estavam cada vez mais difíceis de serem controlados. O problema é que essa atração poderia colocar em risco o segredo que guardava há tantos anos e colocá-la em evidência na sociedade londrina, o que ela menos desejava. Filha de um aristocrata, sua família também envolveu-se em um grande escândalo. O pai foi acusado de ser ladrão e, um dia antes do julgamento, morreu com a esposa em um incêndio em sua casa. Kate sobreviveu por pouco e sempre suspeitou de que o sócio do pai, Daniel Craven, estivesse envolvido no caso, contrariando os rumores de que o pai havia se suicidado.

O retorno de Craven à cidade; as peripécias de Isabel, filha do lorde; a entrega de Kate e Burke um ao outro; entre outras coisas, fazem parte do desenvolvimento da história e dão agilidade à narrativa. Como todo bom romance de época, a personagem principal, Kate, é cativante e faz com que o leitor torça por ela até o fim. O romance tem boas doses de encanto e, a partir do momento que se começa a ler, é difícil largá-lo. Entretanto, como comentei no início do texto, decepcionei-me um pouco com a obra.

Ainda que Kate seja cativante, a melhor personagem do livro, a construção de Burke Traherne me incomodou (muito). Se a intenção da autora era apresentar um personagem viril, sexy e irresistível, não conseguiu. Pelo menos para mim não surtiu efeito algum. Seu discurso e ações impensadas por vezes me pareceram machistas e abusivas, a ponto de pensar em desistir da leitura. Em um determinado trecho, ele disse para Kate que foram seus trajes “provocantes” que o fizeram perder a linha, que ele foi “induzido” ao pecado, que ela foi a culpada dele ter caído em tentação. Por favor, desnecessário, né?! Além disso, a partir do momento em que eles se entregam um ao outro, acontecem muitas cenas quentes. Para mim, esse tipo de livro tem que ter um equilíbrio, de modo que fique natural. Do jeito que foram inseridas na obra, ficou repetitivo e exagerado.

Apesar de inserir outros elementos além da história de amor, achei que a autora também não foi muito feliz na construção do mistério acerca de Daniel Craven e do incêndio que destruiu a família Mayhew. Eu esperava mais do retorno do emblemático personagem, que só teve destaque, praticamente, no desfecho do livro. O desfecho, inclusive, não me agradou muito. A situação criada para garantir aventura e reviravoltas ficou um tanto quanto falsa, além de que as motivações apresentadas não convenceram.

Deixando as críticas um pouco de lado, posso afirmar que Meg Cabot, ou Patrícia, continua escrevendo deliciosamente bem. A narrativa é leve e envolvente, com pitadas de humor e ironia que caem muito bem à história. É um livro de leitura rápida e descontraída, ideal para intercalar com obras mais pesadas. Além disso, a edição do Grupo Editorial Record ficou bem bonita. A capa é maravilhosa, com o título em relevo, as folhas amareladas e a fonte bem agradável de se ler. 

Apesar de não ter curtido tanto assim esse livro, ainda assim foi uma leitura agradável. Pretendo ler, em breve, mais algum título do gênero escrito pela autora para ver o que acho e se ela me surpreenderá.
Sobre o autor
Viagens de Papel O blog Viagens de Papel foi criado em 22 de janeiro de 2013 com o intuito de promover diálogo sobre literatura, paixão que todos os autores do projeto têm em comum. Através de resenhas, lançamentos, listas, dicas e variadas matérias, queremos que você sinta-se em casa e aprecie o conteúdo nosso conteúdo! =)


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  1. quinta-feira, 6 de agosto de 2015.

    Oi, Camila! Minha experiência com o pseudônimo da Meg também é limitada e não foi das melhores. Percebi logo que seu forte é narrar histórias mais infanto-juvenis, como A Garota Americana, por exemplo. Mas, assim como você, pretendo ainda escolher outro título e dar uma segunda chance. Sobre esse em particular, fiquei dividida, porque uma boa protagonista é essencial para o andamento do livro, mas um mocinho machista pode estragá-lo! Gostei de ler sua opinião sincera. Um beijo!
    Lis | umareeecrita.com.br

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