sexta-feira, 19 de junho de 2015

Avaliação: 4,5/5
Editora: LeYa/ Cortesia
Gênero: Romance brasileiro
ISBN: 9788562936111
Publicação: 2010
Páginas: 288
Skoob

Já me disseram várias vezes que há dois tipos de pessoas vitoriosas nessa vida; há aquelas que vencem pelo talento e há aquelas que vencem pelo esforço. Acredito que a segunda opção não seja a opção que deveríamos escolher para o autor australiano John Harding, porque, claramente, ele esbanja talento em cada frase que escreve em seus livros.


Na realidade, pra ser sincero, nunca tinha ouvido falar sobre ele. Bom, pelo menos até o dia que recebi do correio A menina que não sabia ler, como cortesia da editora LeYa. Confesso que depois daquele dia, e do dia em que terminei o livro, os livros de John Harding estarão sempre presentes em minha vida.

É fácil notar quando um autor tem talento, porque você já deve ter notado, ou até mesmo ter ficado irritado, que há alguns livros que você não tem ideia de como foram publicados. Você até chega a pensar “Nossa, se um livro como esse foi publicado, então eu também consigo publicar um!”… Haha. A maioria dos escritores diz que essa é a linha tênue que divide a vida deles entre “ser somente um leitor” e ser “um leitor e um escritor”; a linha de quando lemos um livro tão ruim que nos sentimentos irritados por não ter publicado o nosso próprio. Com Dan Brown, foi enquanto lia um livro de Sidney Sheldon – o que até entendo, pois o método de escrita de Sheldon é bastante simples, muito embora suas histórias sejam sido maravilhosas.

De qualquer forma, meus caros, só estou tocando neste assunto pra poder afirmar que vocês jamais pensarão em algo nem mesmo semelhante a isso. Porque o John Harding escreve MUITO bem. E não é muito bem tipo Nicholas Sparks, George R R Martin ou John Grisham.. é BEM tipo Dan Brown, Stephen King, Bernard Cornwell, Alexandre Dumas ou Victor Hugo. Fora aqueles que escrevem bem, mas não são criativos. Porque existe a diferença entre escrever bem e contar uma história criativa. 
Dito isto, podemos apresentar brevemente o livro A menina que não sabia ler.
A história se passa no fim do século XIX, na Nova Inglaterra. Ela conta a vida da pequena Florence e do seu irmão, “mais pequeno” ainda, Giles. Desde o início já sabemos que eles são órfãos e vivem sozinhos em uma mansão afastada da cidade. O tio das duas crianças custeia a mansão, mesmo que não viva mais nela. Ou seja, os dois, tanto Florence quanto Giles vivem somente com os empregados na casa, e desde sempre eles já souberam que Giles ia ser criado para ser um grande cavaleiro e Florence uma bela dama, ou seja, agir de acordo com a sociedade, respeitando os costumes, como: não estudar e não aprender a ler (daí o nome do livro).

Mesmo eu preferindo ler livros em terceira pessoa, gostei muito de ler esse, que é narrado em primeira pessoa por Florence. Gostei simplesmente por conta da habilidade incomum de John Harding. Ele é aquele tipo de escritor talentoso que INVENTA palavras tão lindas e maravilhosas que enchem nossos olhos de lágrimas. Para amantes da literatura e das línguas, como eu, perceber que uma pessoa é capaz de inventar palavras, que cabem perfeitamente em uma sentença, é muito daora. Há várias palavras que eu poderia citar, mas a que eu mais gostei foi a: “enlivrava”. Mas já, já chegaremos a ela.

Florence nos narra a mansão em que viviam e é logo no início do livro que seu pequeno irmão já é chamado para prestar seus serviços de cavaleiro. E o primeiro deles é ir para uma escola e adquirir conhecimento. Diferente de Florence, por exemplo, que por ser uma mulher não podia estudar e nem ler, como era costumeiro na época. Como todos sabem o ser humano não pode ouvir um “não” que ele passa a desejar essa coisa. Foi na época em que seu irmão foi embora que Florence descobriu a biblioteca da mansão e descobriu que gostava dos livros.

Não preciso nem admitir que me identifiquei com o modo que Florence passou a amar a literatura, embora eu não tenha a biblioteca de milhares e milhares de livros que a mansão dela tinha. De qualquer maneira, é muito bonitinho ela narrando tudo que fez para aprender a ler e para aprender até mesmo outras línguas. É muito lindo também tudo que ela fazia pra poder ler sem ser pega por ninguém, porque ela sabia que se alguém a visse, nunca mais poderia ir para a biblioteca.

É por isso que ela traçou planos pra ler os livros, mas fora esse problema social, outro problema a atingiu pouco tempo depois, e o problema tinha um nome: sr. Van Hoosier. O sr. Van Hoosier era um garotinho que aparentemente gostava bastante da Florence – mas como não gostar? – e, depois de descobrir que tinha asma e que, por isso, tinha sido cortado da escola, resolveu ir visitar todos os dias Florence em sua casa. Eles moravam perto, e o sr. Van Hoosier era um cavaleiro, e, por isso, Florence tinha que fazer seu papel de dama.

Por esse motivo ela passou a traçar planos para ler seus livros, porque ela não sabia em que momento do período da tarde o sr. Van Hoosier ia visitá-la, ou também se alguém iria vê-la com o livro. Por isso, passou a ler em uma torre separada da biblioteca e contou os segundos que levaria a chegada do sr. Van Hoosier e a ida da torre em que estava pra porta de entrada. E então, enquanto ela se “enlivrava”, ela também ficava de olho pra ver se o sr. Van Hoosier chegava pelo portão principal.

Bom, não preciso dizer que a Florence é lindinha porque só pelo fato de ela ler já se torna uma menina bonita. Além disso, você verá que o sr. Van Hoosier, que atrapalhou as leituras de Florence, pode dar outra perspectiva pra vida dessa lindinha. E, além disso, é claro que a história dos pais de Florence não será esquecida, certo?

Mesmo com a história não sendo tão forte, a escrita te prende e você vai acabar esse livro em poucos dias. Não tenho dúvidas de que você vai amar a Florence, e, por isso, não tenho duvidas que você vai gostar do livro. Porque John Harding escreve tão bem que você pensa que você é a Florence, e isso é muito legal. É invejável. Pelo menos pra aqueles que, como eu, querem um dia fazer alguém se sentir como eu me senti lendo John Harding.
Sobre o autor
Viagens de Papel O blog Viagens de Papel foi criado em 22 de janeiro de 2013 com o intuito de promover diálogo sobre literatura, paixão que todos os autores do projeto têm em comum. Através de resenhas, lançamentos, listas, dicas e variadas matérias, queremos que você sinta-se em casa e aprecie o conteúdo nosso conteúdo! =)


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  1. terça-feira, 23 de junho de 2015.

    Ahhhhhh, sempre quis ler esse livro, depois de sua empolgante resenha quero muitoooooooo ler. Beijos

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