terça-feira, 26 de Maio de 2015

AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: INTRÍNSECA ISBN: 9788580576528 GÊNERO: TERROR, THRILLER PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 272 SKOOB

O que você faria se de repente o mundo que você conhece entrasse num caos completo? Se você não pudesse mais ver a luz do sol? Se você não pudesse olhar pela janela? E se tivesse que viver com uma venda sobre os olhos? Difícil imaginar, né? Pois é sobre isso que o título Caixa de pássaros fala, sobre um mundo onde enxergar pode ser muito perigoso.

Há cerca de quatro anos atrás algo aconteceu com nosso mundo. Do nada as pessoas começaram a cometer suicídio e atacar umas as outras. Ninguém sabe o porquê, a única coisa que sabemos é que uma espécie de criatura faz isso, de modo que quando olhamos para essa criatura, nosso cérebro entra em colapso e acabamos por perder a lucidez e a vontade de viver.

As pessoas não saem mais nas ruas sem vendas nos olhos, tudo é feito de olhos fechados. As casas têm cobertores cobrindo as janelas, os mercados estão abandonados, o caos reina e o mundo está de cabeça para baixo.

Isso é tudo o que Malorie sabe, ela vivenciou todo tipo de horror nesses últimos anos, e agora está fugindo com os filhos. Os filhos que ela treinou para ouvir com perfeição. A esperança de encontrar um local seguro para sobreviver sem medo de enxergar, é o que a motiva.

O livro é narrado em terceira pessoa, os capítulos da história são revezados entre o passado e o presente. Temos a Malorie de quatro anos atrás vivendo uma nova vida com a irmã Shannon, tentando descobrir como lidar com uma gravidez sendo mãe solteira; e temos a Malorie atualmente, vivendo uma vida de privação, tentando fugir de barco para um local onde os filhos poderão ver o céu pela primeira vez.

É incrível ver a evolução da personagem, a transformação da menina frágil em uma mulher forte e guerreira, que resolve atravessar um rio vendada para garantir que os filhos poderão ter a chance de um futuro melhor.

O universo criado pelo autor é um completo caos, milhares de pessoas morreram e ninguém sabe exatamente o porquê. Nós, leitores, acabamos por ficar na mesma situação que os personagens da história, pois não sabemos o que realmente são essas criaturas, é como se nós também estivéssemos com a venda nos olhos.

A tensão e o terror colocados na história são tão reais que por vezes eu fiquei com medo de olhar pela janela. O livro consegue incomodar de uma forma tão intensa que dá aquele medo irracional, sabe? Que te faz ter pesadelos com a história e pensar naquilo o tempo inteiro para tentar entender o que são essas criaturas (essa leitura me deixou meia paranoica).

“As criaturas em sua mente andam em campos abertos, sem horizonte. Ficam ao lado das janelas de casas antigas e olham com curiosidade pelo vidro. Elas analisam. Examinam. Observam. Fazem a única coisa que Malorie não pode fazer. Olham.”

“Seus olhos estão fechados, pensa. Assim como seus olhos estavam fechados toda vez que você ia pegar água no poço. Toda vez que você tentava ir de carro buscar os amplificadores. Os seus olhos estavam fechados quando os de Victor não estavam. Com o quê está preocupada? Já não fiou próxima delas? Já não ficou tão próxima de uma criatura que achou que podia sentir o cheiro dela? Já, sim.”

Temos ótimos personagens secundários na história, como o Tom, um homem incrível em que a Malorie confiava muito; Cheryl; Don e muitos outros. Só achei uma pena eles não terem sido tão desenvolvidos, já que são parte importante da história.

Gostei muito da escrita do autor, ele realmente sabe o que faz. Me surpreendi quando descobri que é o livro de estreia dele, e já fiquei doida pra ler outras histórias escritas por ele. A edição feita pela Editora Intrínseca está impecável. Recomendo a leitura!

Sobre o autor
Tayara Olmena

Estudante que tomou gosto pela leitura aos 12 anos de idade depois que leu “A marca de uma lágrima” do escritor Pedro Bandeira. Costuma ler de tudo, mas ainda torce o nariz para o romance. Além de ler, também é viciada em séries e filmes, e não perde a oportunidade de maratonar sua série favorita.



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  1. domingo, 31 de Maio de 2015.

    Oi! Não me aguentei e li Caixa de Pássaros assim que lançou, mas, ao contrário de você, me decepcionei um pouco. Que o suspense está presente o tempo todo é inegável, mas não cheguei a sentir medo em si. O que eu sentia mesmo era uma curiosidade absurda sobre a causa do caos mundial criado pelo autor, por isso, fiquei meio frustrada com o desfecho, sabe? Achei legal que o Josh Malerman ousou e quis expor nossa vulnerabilidade ao desconhecido, mas meu lado curioso fala mais forte e acabei o livro meio chateada, rs. Beijo! Lis
    umareescrita.com.br <3

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