quarta-feira, 20 de maio de 2015

Avaliação: 4/5
Editora: Galera Record
Gênero: Distopia
ISBN: 9788501401090
Publicação: 2015
Páginas: 350
Skoob
Conhecemos muitas histórias de zumbis, na maioria delas os zumbis são considerados seres irracionais que só querem comer seu cérebro. Mas e se eu te dissesse que existe certo tipo de zumbi que não quer comer o seu cérebro, que na verdade é um tipo de “soldado do sistema”, você acreditaria em mim? Pois é, ele existe! Na literatura pelo menos, mais especificamente no livro Reboot escrito pela autora Amy Tintera, e publicado no Brasil pela Galera Record.
 
No universo criado pela autora, um vírus mortal acabou com a população, matando grande parte dos humanos. Mas há algo diferente neste vírus, pois as vítimas, em sua maioria, acabam voltando à vida. Os ressuscitados voltam mais fortes dependendo do tempo que ficaram mortos, e são chamados de Reboots.
 
Após uma guerra entre os humanos e os Reboots, uma organização chamada CRAH resolve tomar posse dos Reboots, com o intuito de controlá-los e livrar as cidades do vírus. Um dos melhores “soldados” da CRAH é a jovem de 17 anos Wren, mais conhecida como 178, pois após morrer ela levou 178 minutos para voltar à vida e é uma das Reboots mais poderosas.
 
Wren é implacável, sem nenhum resquício de humanidade, ela cumpre suas missões totalmente focada e nutre ódio pelos humanos. Nascida na favela, Wren não gosta de lembrar  do seu passado como humana, e afasta qualquer tipo de emoção. As coisas mudam quando um novo garoto chega à corporação. Callum, que demorou apenas 22 minutos para retornar à vida depois de morto, portanto é um dos Reboots mais fracos.

“Ele retribuiu meu olhar. Poucas pessoas me encaravam. Os humanos não queriam olhar para mim de jeito nenhum e os Reboots ou tinham medo ou achavam que eu era superior. E aquele sorriso. Aquele sorriso era estranho aqui. Novatos não chegavam sorrindo, e sim apavorados e infelizes.”

Narrado em primeira pessoa e recheado de cenas de ação, o livro nos prende até o final da leitura. É muito interessante conhecer esse novo universo criado pela autora, as distopias que temos disponíveis atualmente seguem basicamente o mesmo estilo, mas em Reboot a autora, apesar de seguir alguns caminhos que já conhecemos, criou algo totalmente novo e muito bom.
 
Há muito mais para se explorar neste universo, Wren logo descobre que a tão correta CRAH esconde muitos segredos, e usa os Reboots muitas vezes para assustar o que sobrou da população. Os cenários da história também são muito bons, exploramos as favelas, onde Wren cresceu e podemos ver a diferença nítida entre as favelas e os chamados lados Ricos.

Apesar de ser um livro cheio de ação e muito ágil, ele peca na parte do romance, seguindo o caminho de: garota durona que conhece um cara e fica melosa. Isso prejudicou um pouco a leitura no meu ponto de vista, claro que o romance fez com que a trama acontecesse, mas acredito que não era preciso fazer uma personagem tão incrível como a Wren, perder parte de sua essência e mudar de personalidade após se apaixonar por um garoto.

“Surpreendi-me com a raiva que atravessou meu corpo. Vê-lo fez meu coração bater de um jeito engraçado, arrepiou a minha pele. Que direito ele tinha de se sentir infeliz quando era ele quem estava me chamando de monstro? Eu queria sacudi-lo e dizer aos berros que ele não tinha o direito de me julgar.”

Enfim, Reboot foi como um sopro de novidade em meio a tantas distopias iguais, mas acabou por seguir a mesma linha de romance juvenil. No geral foi uma ótima leitura que garantiu 4 estrelas, e foi o suficiente para me deixar ansiosa pela continuação, que já tem capa e é linda! E vocês, já leram Reboot? O que acharam? conta aí!
 
Sobre o autor
Viagens de Papel O blog Viagens de Papel foi criado em 22 de janeiro de 2013 com o intuito de promover diálogo sobre literatura, paixão que todos os autores do projeto têm em comum. Através de resenhas, lançamentos, listas, dicas e variadas matérias, queremos que você sinta-se em casa e aprecie o conteúdo nosso conteúdo! =)


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