quinta-feira, 7 de maio de 2015

Avaliação: 4/5
Editora: Geração Editorial, Cortesia
ISBN: 9788581301181
Gênero: Reportagem, Não Ficção
Publicação: 2015
Páginas: 304
Skoob

Antes de pegar esse livro para ler, eu não sabia praticamente nada do caso Pedrinho. Nasci em 1993, então, quando o caso voltou à tona, eu era pequena. Porém, se você for um pouco mais velho, provavelmente deve se lembrar dessa história, que marcou a época. Em 1986, em Brasília, nascia o menino Pedro Rosalino Braule Pinto. Pouco tempo depois do nascimento, ainda na maternidade, o bebê foi raptado por uma mulher que se passava por uma enfermeira. Em 2002, o repórter Renato Alves, do Correio Braziliense, receberia o telefonema que daria este livro como resultado. Na ligação, um policial, que não se identificou, afirmava que o Pedrinho havia sido encontrado e vivia com outra família em Goiânia, sem saber da verdade.

A partir de então, o repórter passa a cobrir a maior história de sua vida. Durante os 16 anos que Pedrinho ficou desaparecido, muitas pistas falsas foram levantadas. Algumas

pessoas foram interrogadas, testes de DNA foram feitos, mas anos se passaram e nada de concreto foi descoberto. Até 2002, quando a polícia recebeu uma denúncia de uma garota que convivia com o suposto Pedrinho e afirmava que ele morava com a mãe e as irmãs em Goiânia. Junto a sua denúncia, ela encaminhou uma foto do garoto, que impressionou pela semelhança com Jayro Tapajós.

Após alguns meses de investigação, a polícia entrou em contato com a família biológica e com Pedro e sua família adotiva, para que ele fizesse o teste de DNA. O pai adotivo de Pedrinho havia falecido há pouco tempo, mas a mãe, Vilma Martins, morava com ele e, em um primeiro momento, alegava que Pedro, com o nome de Osvaldo Martins Borges Júnior, era filho legítimo do casal. Em outra ocasião, disse que ele havia sido entregue para o pai Osvaldo por uma gari. Após muita insistência da família biológica e da polícia, Pedro aceita fazer o exame, que comprova que era filho biológico de Jayro e Maria Auxiliadora, a Lia.

Após a confirmação da paternidade, a família biológica queria saber o que havia acontecido 16 anos antes e porque o menino havia sido raptado. As investigações caem sobre Vilma, que após muitas declarações contraditórias, é considerada como a sequestradora. Conforme a polícia realiza as investigações, descobre diversos outros crimes cometidos por Vilma.

O livro do jornalista Renato Alves é um compilado dos fatos que ele acompanhou quando o caso se desenrolou, assim como traz entrevistas e detalhes dos bastidores. A obra possui uma qualidade que considero essencial em livros reportagens e que identifiquei já nas primeiras páginas: apesar de ser não ficcional, gênero que muitos consideram arrastado, a narrativa prende a atenção do início ao fim, tornando a leitura extremamente rápida e envolvente. Eu, que não lembrava nada do caso, tive uma surpresa a cada página.

O autor apresenta os fatos de maneira instigante e coerente, sem se perder nas informações. Não achei a leitura confusa em nenhum momento. Inclusive, o jornalista repete alguns dados ao decorrer da narrativa, fato que pode incomodar alguns leitores, mas que, no caso, acredito que funcionou bem, já que o recurso foi utilizado para que informações importantes não fossem esquecidas.

O Caso Pedrinho é um excelente relato do famoso sequestro que aconteceu em Brasília. O cuidado que o autor teve ao expor as informações, sempre apresentando os dois lados, é notável. Além de falar sobre o que aconteceu na época, o livro também apresenta entrevistas feitas recentemente, que abordam a relação de Pedro com a família biológica e adotiva, assim como a percepção que ele tem do caso.

Indico o livro para aqueles que têm curiosidade em saber mais sobre o caso, assim como para quem aprecia relatos jornalísticos. Eu comecei a leitura por conta do segundo motivo, mas achei a história e seus desdobramentos muito interessantes. Além disso, vale citar que, além das informações em texto, o livro traz algumas fotografias que ilustram o caso, possibilitando que o leitor conheça a imagem dos protagonistas da história, assim como registros importantes do caso, como o reencontro de Pedro com sua família biológica.

Sobre o autor
Camila Tebet
Camila Tebet Camila Tebet, 24 anos (05/06) – Paraná Jornalista, tem a literatura como uma de suas paixões. Acredita que os livros têm o poder de transformar e falar sobre essa arte é um de seus passatempos favoritos. Entre os seus livros favoritos estão "Harry Potter" (é claro), "Na Natureza Selvagem", "Orgulho e Preconceito" e "A Menina Que Roubava Livros". Também é apaixonada por séries, cinema e fotografia. Escreve também para o site www.expressocultural.com.


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  1. domingo, 17 de maio de 2015.

    Caramba lembro da historia, não sabia que haviam feito um livro. É realmente uma historia forte. Confesso que tenho certo temor dessas coisas.É algo que a gente pensa que nunca vai acontecer com a gente, mas estamos sujeitos a tudo. Tenho um caso desse de "mãe reencontra filha depois de muitos anos" na minha família.

  2. segunda-feira, 18 de maio de 2015.

    Gente que resenha! Adorei a sua exposição sobre a história de Pedrinho. Bem eu nasci alguns anos depois de Pedrinho e sendo assim sei quase nada sobre esse sequestro, mas pela sua resenha me deixou bem motivada a conhecer os relatos desse crime e saber como que o menino se sentiu em relação a esse caos em sua vida!
    Parabéns pela resenha.
    Beijos Pão de Queijo!

  3. segunda-feira, 18 de maio de 2015.

    Eu lembro dessa história, bastante cruel para o menino e a família biológica, creio eu. Não sei o que pensar sobre tudo isso, foi muito louco esse caso, não me cabe julgar a mulher que sequestrou, mas fico pensando na dor da mãe biológica, e em como ficou a cabeça de 'Pedrinho". Excelente resenha a sua, parabéns!
    http://www.poesianaalma.com.br/

  4. segunda-feira, 18 de maio de 2015.

    Eu quero! Lembro dessa história, mas não com riqueza de detalhes pois também era pequena, mas lembro da época que a Vilma foi acusada. Fiquei curiosa para saber como eles estão hoje, se a Vilma ainda está presa, e se o Pedrinho se adaptou a família verdadeira, queria ler a versão dele dos fatos. Adorei a resenha, muito bom saber que o livro não é sensacionalista e que busca mostrar os dois lados da história. Adorei.
    Beijo

  5. segunda-feira, 18 de maio de 2015.

    Este comentário foi removido pelo autor.

  6. segunda-feira, 18 de maio de 2015.

    Oie!

    Não lembro da trama na TV, mas fiquei um tanto curiosa para ler o livro. Espero ter coragem, pois são fatos bem fortes mesmo

    Beijos
    http://www.amorliterariooriginal.blogspot.com.br

  7. segunda-feira, 18 de maio de 2015.

    Oii, tudo bem?
    Eu nunca tinha ouvido falar desse caso, é terrivel o que aconteceu a familia, espero que pelo menos o menino tenha sido bem cuidado, eu adorei a resenha e com certeza irei comprar o livro para poder saber mais detalhes.

  8. segunda-feira, 18 de maio de 2015.

    Oláá
    Parece ser um relato incrível e bem forte, eu gosto muito de relatos fortes e temas assim me atraem bastante, então eu leria sim o livro se tivesse oportunidade sua resenha está ótima 😉

    http://realityofbooks.blogspot.com.br/
    Beijos

  9. segunda-feira, 18 de maio de 2015.

    Olá.
    Tudo bom?
    Eu recebi esse livro de parceria e deixei para a minha resenhista ler.
    Eu achei interessante como o autor abordou os dois lados da história, nos deixando com um conhecimento mais amplo.
    Gostei muito da sua resenha.
    Beijos

  10. segunda-feira, 18 de maio de 2015.

    Oi, tudo bem?
    Não me recordo muito do caso, e nem sabia que havia rendido um livro.
    Não faz meu estilo, mas a edição está bem legal.
    Bjs

    A. Libri

  11. terça-feira, 19 de maio de 2015.

    Eu vi esse livro, mas como não me lembro do caso, na verdade, fiquei sabendo sobre ele através da resenha, nem ao menos me toquei que tratava-se de um assunto tão importante.

    http://laoliphant.com.br/

  12. terça-feira, 19 de maio de 2015.

    Oi, tudo bem?
    Acho que cresci ouvindo falar dessa história.
    Não sabia haviam lançado um livro sobre o assunto.
    Achei legal, mas não é o tipo de leitura que eu faria.
    Beijos
    Conversas de Alcova ❤

  13. terça-feira, 19 de maio de 2015.

    ADOREI sua resenha! Eu me vi em dúvida se deveria ler esse livro ou não, mas agora sei que valerá a pena conhecer os pormenores desse caso. Lembro dele e, quando veio à tona, achamos perturbador. Mães tinham medo de terem seus filhos sequestrados; muitas delas pediam a parentes que acompanhassem o bebê até a enfermaria. Da mesma forma, houve uma época fóbica sobre trocas de bebês. Uma loucura.
    Mas acho que nunca li ou ouvi nada que revelasse os dois lados da história com tanta seriedade. Senti enorme vontade de saber, principalmente, o que Pedrinho achava sobre sua própria situação.

    Com certeza, lerei!

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

  14. terça-feira, 19 de maio de 2015.

    Ola, eu me lembro bem desse caso e de toda a sua repercussão, lembro de ter ficado penalizada pela mãe biológica mas de certa forma senti pena da mulher que sequestrou não só o carlinhos mas uma outra moça,não sei o que leva um se humano fazer isso com o outro mas acredito que de uma forma deturbada ela foi uma boa mãe,tanto que a moça que foi sequestrada nem queria fazer teste nenhum para esclarecer sua verdadeira origem e era ate agressiva em defender aquela que até então era a sua mãe, este livro esta entre os meus desejados com certeza.
    beijos
    http://sonhosdeleitor.blogspot.com.br/

  15. quarta-feira, 20 de maio de 2015.

    Olá! Não sabia que tinha livro sobre este caso. Acompanhei pela Tv o desenrolar das investigações. Me lembro que fiquei com uma raiva imensa da tal da Vilma, que tem o mesmo nome da minha mãe… Fiquei com uma pena enorme deste menino. Ele era muito novo, cara… Não sei se aguentaria ler o livro. Sofreria de novo!

    Parabéns pela resenha ficou muito bacana. Sobre o livro, achei muito interessante a iniciativa do jornalista. Realmente é uma história e tanto e o Pedrinho espero que esteja feliz com sua família!

    Abraços!
    Pensamentos Valem Ouro

  16. quarta-feira, 20 de maio de 2015.

    Boa noite!

    Acho que, para os bem desavisados, esse livro pode até se passar por ficção, pois é triste e difícil de acreditar que coisas assim aconteçam. Eu sou de 99, então não soube nada a respeito do caso, mas fiquei muito curiosa para saber mais sobre. Aparenta ser uma leitura pesada e somente para aqueles que têm coragem. É horrível pensar que alguém teria a coragem de tirar o filho de alguém na cara dura. Este livro já está na minha meta de leitura, com certeza.

    Beijos,
    Império Imaginário | Goulart, F.

  17. quarta-feira, 20 de maio de 2015.

    Oi, Camila, tudo bem?

    Nossa, que história! Sabe quando dizem por aí que a história de vida de algumas pessoas renderia um bom livro? Olhe só, este é um bom exemplo.
    Não me lembro do caso. Nasci dois anos depois de você, então, quando o caso retornou à mídia, eu também era bem novinho. Levando em conta sua recomendação, aqueles que acompanharam a história na época aproveitarão mais a história do que eu, que, além de não conhecê-la, não aprecio muito esse estilo de livro, mais voltado para o campo jornalístico.

    Beijo,
    João Victor – Amigo do Livro
    http://amigodolivro.blogspot.com.br/

  18. quinta-feira, 21 de maio de 2015.

    Oi,
    Ouvi muito sobre esse caso que teve repercussão intensa por sinal, não que caso merecesse.
    Enfim é um livro que não leria, como já ouvi tanto sobre o assunto não sei se aguentaria alta mais detalhes.
    Parabéns pela resenha, mas dessa vez passaria a leitura.
    Beijos

    Mari – Stories And Advice

  19. quinta-feira, 21 de maio de 2015.

    Olá,
    Não conhecia o caso nem o livro, mas que sofrimento o dessa família ein? Infelizmente não curto muito textos jornalísticos mas deve ser um livro incrível.
    Vivi
    Corujas de Biblioteca

  20. quinta-feira, 21 de maio de 2015.

    Olá,
    Não conhecia o caso nem o livro, mas que sofrimento o dessa família ein? Infelizmente não curto muito textos jornalísticos mas deve ser um livro incrível.
    Vivi
    Corujas de Biblioteca

  21. quinta-feira, 21 de maio de 2015.

    Nunca tinha escutado falar desse livro! Parece ser bem triste… (mas é assim que eu gosto mesmo). Parabéns pela resenha, ficou mtoo bem feita!
    bjuus
    – Black Is The New Happy

  22. sexta-feira, 22 de maio de 2015.

    Oie, tudo bom?
    Eu acompanhei bastante essa história porque sou de Brasília. Eu era adolescente, mas sempre me interessei por essas histórias. Tenho muita vontade de ler o livro pela história e por causa do meu interesse jornalístico.
    Beijos,
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

  23. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Pois é, Augusto. Nunca se sabe o que pode acontecer… Infelizmente, esses casos são reais. O livro é muito bom, pois retrata muito bem toda essa história. Beijos

  24. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Oi, Nana. Obrigada, que bom que gostou! O lado bom de não saber nada sobre a história (assim como eu também não sabia) é que a leitura se torna ainda mais envolvente, pois vamos descobrindo os acontecimentos aos poucos. Beijos

  25. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Obrigada pelo comentário, Lilian! Realmente, é uma história bem forte. Mesmo depois de 16 anos, os pais biológicos ainda tinham esperança de reencontrar o menino. Uma parte do livro que me marcou muito foi quando a mãe biológica reconheceu que a mãe adotiva era a sequestradora, mas não podia falar nada para não prejudicar a relação com o filho. : Beijos!

  26. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Olá, leia mesmo, pois é um livro muito bom. Se for ler, depois me conte o que achou. Beijos!

  27. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Oi, Fernanda. O relato é muito bom, vale a pena!

  28. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Giovana, o bacana é que alguns anos depois o repórter volta a entrar em contato com as famílias para saber como estão os personagens agora. Depois de ler, venha me contar o que achou! Beijos

  29. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Oi, Catharina. Obrigada pelo comentário =) Espero que você goste do livro. Beijos

  30. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Oi, Michelle. Me surpreendi bastante com a obra, gostei muito. Ele sempre tentou falar com as duas partes e, mesmo quando não conseguiu, sinalizou as razões. Isso é essencial 😉 Beijos

  31. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Oi, Angélica. O livro ficou muito bom, pois ainda conta com entrevistas recentes feitas com os protagonistas da história. Beijos!

  32. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Foi um caso que repercutiu bastante na época. Eu também não sabia do que se tratava, mas adorei ler o relato e os desdobramentos do caso. Beijos

  33. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Oi, Kris. Acho que para quem ainda não conhece, o livro se torna mais interessante. Mas, quando puder, dê uma chance à obra 🙂 Beijos

  34. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Oi, Francine! Que bom que gostou do meu texto e que te deixei com vontade de realizar a leitura haha Realmente, pelo que li o caso causou uma grande comoção nacional. É algo extremamente delicado, né. Levanta questionamentos sobre segurança do hospital, sobre como a polícia agiu, além de vários outros pontos. Espero que você goste. Depois venha me contar o que achou 🙂 Beijos

  35. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Oi, Janaina. Realmente, aos poucos vamos descobrindo os outros crimes que ela cometeu. Quando eu achava que já tinha acabado, tinha mais alguma surpresa haha O livro é ótimo. Se for ler, depois me conte o que achou. Beijos

  36. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Oi, Vanessa. Que bom que gostou da resenha, fico feliz. O livro é super interessante. O mais legal é que mostra como eles estão atualmente. Vale a pena! Beijos

  37. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Oi, Fernanda. Parece mesmo um livro de ficção, não só pelas coisas absurdas que acontecem, como a narrativa super envolvente do autor, que soube costurar a história muito bem. O relato é muito interessante, vale a pena. Depois de ler, venha me contar o que achou. Beijos!

  38. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Oi, João Victor. Realmente é um ótimo exemplo, que rendeu um ótimo livro, por sinal. Eu também não conhecia nada do caso, e isso não foi um ponto negativo. Acho que até tornou a experiência de leitura mais proveitosa, pois fui descobrindo aos poucos o que acontecia. Espero que um dia você dê uma chance à obra. Beijos

  39. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Obrigada pelo comentário, Mari 🙂 Espero que um dia você dê uma chance à obra. Acho que é interessante até para quem já conhece, pois mostra detalhes dos bastidores do caso. Beijos

  40. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Oi, Vitória. Quando puder, dê uma chance. O livro é super envolvente, parece mesmo um relato ficcional. Beijos

  41. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Bia, muito obrigada pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado! É um livro muito bom, vale a pena!

  42. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Oi, Aline. Em Brasília o caso deve ter dado ainda mais repercussão, né? Acho que você vai adorar o livro, é muito interessante. Depois me conte o que achou. Beijos

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