quarta-feira, 6 de maio de 2015

Avaliação: 4/5
Editora: Geração Editorial
Gênero: Reportagem
ISBN: 85-603-0201-8
Publicação: 2002
Páginas: 128
Skoob

Em 1997, o grupo fundamentalista islâmico Taleban invadiu o Afeganistão e mudou radicalmente o modo de vida da população, quando então foram proibidos de entrar em contato com a cultura ocidental. As mais prejudicadas pelos radicais foram as mulheres, que não podiam trabalhar, estudar, usar maquiagem e até mesmo de sair de casa desacompanhadas de seus maridos.


Naquele ano, a fotografa britânica Harriet Logan foi à capital Cabul em busca de imagens que retratassem a realidade das afegãs. Algum tempo depois, em 2001, os Estados Unidos conseguiram retirar o grupo Taleban do poder e Harriet retornou ao país em busca daquelas pessoas com quem havia conversado quatro anos antes.

Mulheres de Cabul foi lançado em 2002 e conta a história das personagens fotografadas por Harriet e seus depoimentos, transcritos em primeira pessoa. Em alguns casos, há mulheres que haviam sido entrevistadas em 1997, mas que não puderam ser localizadas novamente na segunda viagem da jornalista. Há uma variedade de personalidades no livro, de crianças a senhoras, de famílias vivendo em extrema pobreza a uma ex-apresentadora de televisão milionária.

Durante a leitura também é possível conhecer um pouco a história do país em si. Na década de 70, o Afeganistão estava mais próximo da cultura ocidental, e sua capital, Cabul, era uma cidade cheia de intelectuais, onde as mulheres podiam andar livremente, usar maquiagem, estudar, trabalhar e não precisavam usar burcas (vestimenta preta que cobria o corpo todo, deixando apenas os olhos de fora). Em 1980 os combates e guerras ficaram mais frequentes com a tomada do país pelo regime comunista, apoiado pela antiga União Soviética

Muitas vezes se lê e ouve discussões na mídia sobre as dificuldades que as mulheres e meninas enfrentam em países governados por fanáticos religiosos, mas a maioria dos relatos nada mais é do que registros sob o ponto de vista de ocidentais. Em Mulheres de Cabul, apesar de passar pelo filtro de uma britânica, podemos ter contato com o que as personagens da vida real têm a contar sobre o seu país e sua própria realidade.

Essa voz das mulheres orientais fica evidente pelas opiniões divergentes que aparecem em cada um dos relatos. Algumas consideravam que estavam melhores nas mãos dos comunistas porque ao menos podiam estudar e trabalhar, enquanto outras contam que os abusos e maus-tratos sofridos já eram presentes nas suas vidas muito antes dos Talebans chegarem ao poder nos anos 90.

Já havia lido outros livros sobre o Oriente Médio e suas habitantes, mas ainda assim me choco e me indigno a cada relato. Ainda que seja um livro de mais de 10 anos, as histórias apresentadas pela jornalista são realidade para milhões de pessoas vivendo em zonas de conflitos. Como muitas das entrevistadas de Harriet fazem questão de dizer, suas narrativas precisam ser levadas a público para que os horrores não voltem a ocorrer com as próximas gerações.
Sobre o autor
Viagens de Papel O blog Viagens de Papel foi criado em 22 de janeiro de 2013 com o intuito de promover diálogo sobre literatura, paixão que todos os autores do projeto têm em comum. Através de resenhas, lançamentos, listas, dicas e variadas matérias, queremos que você sinta-se em casa e aprecie o conteúdo nosso conteúdo! =)


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  1. segunda-feira, 11 de maio de 2015.

    Impressionante a mudança radical pelo qual Cabul passou nesses últimos anos, em pouco tempo o caos, ódio e fundamentalismo religioso se alastrou pelo local o transformando num verdadeiro inferno. Confesso que fico receosa que isso aconteça no Brasil, afinal, temo uma bancada fundamentalista no congresso muito forte. Parabéns pela bela resenha e pela ótima indicação de livro, uma obra informativa e com forte história.
    http://www.poesianaalma.com.br/

  2. segunda-feira, 11 de maio de 2015.

    ADORO essas historias onde conseguimos aprender MUITO sobre o local e sobre a religiao e etc.
    Achei fundamental, achei maravilhoso, tanto a capa com essa simplicidade como a historia retratando tudo.
    Vou comprar com certeza!
    Super beijo
    Gio – Clube das 6
    http://www.clubedas6.com.br

  3. segunda-feira, 11 de maio de 2015.

    Suuuuper interessante a história e muito boa a resenha também, mas infelizmente é um tipo de livro que não me prende… se eu pegasse para ler demoraria provavelmente mais de mês para lê-lo D:

    Beijos!
    http://www.amigadaleitora.com

  4. terça-feira, 12 de maio de 2015.

    Olá! Adorei essa resenha, o livro me parece muito interessante!
    Ao ver a realidade de mulheres como essas, nós passamos a agradecer a nossa realidade, não é?
    Pena que algumas mulheres não conseguiram ser localizadas, espero mesmo que o pior não tenha acontecido!

    Beijos,
    Fernanda
    http://www.oprazerdaliteratura.com.br

  5. terça-feira, 12 de maio de 2015.

    Oi, o livro me parece ter uma temática muito forte e interessante.
    Acho até que o leria, mesmo a dinâmica da narrativa não sendo das que mais me atraem.
    Beijos
    Conversas de Alcova ❤

  6. terça-feira, 12 de maio de 2015.

    Olaaa
    Nossa, é um tema bem pesado e diferente, acho bem interessante falar sobre essas coisas, entao, ótimo post.

    Beijos
    Reality of Books

  7. terça-feira, 12 de maio de 2015.

    Oi, tudo bem?
    Eu sempre gosto muito de ler livros com relatos reais, pois acredito que eles nos abram os olhos para uma realidade que não é a nossa, temos que aprender que a vida não é só isso que enxergamos no dia a dia, tenho certeza que nesse livro vai ter relatos emocionante e chocantes, eu quero muito poder o ler.

    http://www.fonte-da-leitura.blogspot.com.br

  8. terça-feira, 12 de maio de 2015.

    Olá!
    Eu acho bacana quem gosta desse tipo de livro, mas eu não consigo me prender a documentários.
    Mas é sempre bem conhecer livros novos.
    Beijinhos!
    http://eraumavezolivro.blogspot.com.br/

  9. terça-feira, 12 de maio de 2015.

    Fico impressionada sempre que leio histórias assim.
    Faz um bom tempo que não leio nada do gênero, acho que estou em um momento sensível e essas leituras são mesmo muito fortes. Infelizmente o que acontece nesses países é algo trágico, horrível e desumano, seria ótimo se as pessoas ao tomarem conhecimento do que de fato acontece lá, mudasse sua visão, mas ainda temos tanto a trabalhar…

    Abraços
    Fer
    http://www.matoporlivros.com.br/

  10. terça-feira, 12 de maio de 2015.

    Olá!

    Eu acho que nunca li nada do genero e me culpo por isso.
    Acho muito interessante todos os relatos que o livro tem, mesmo sendo um assunto tragico e polemico é bom para aprendermos né?
    Deixei a dica anotada 😀

    Beijinhos,
    http://www.entrechocolatesemusicas.com

  11. terça-feira, 12 de maio de 2015.

    Olá.
    Tudo bem?
    Mesmo você me mostrando essa bela resenha, infelizmente esse tipo de leitura não me atrai, não sei te dizer o motivo, quem sabe futuramente venha a dar uma oportunidade.
    Beijos

  12. terça-feira, 12 de maio de 2015.

    Nossa, esse livro parece ser uma leitura bem forte, não o conhecia, mas achei a abordagem interessante! Por ser curtinho aumenta ainda mais minha vontade de ler! Bela resenha ^^
    http://www.muchdreamer.blogspot.com.br

  13. quarta-feira, 13 de maio de 2015.

    Oii, tudo bem? Já tinha lido alguns livros que se passam no Afeganistão e principalmente sobre a situação das mulheres afegãs, mas mesmo com uma boa dose de realidade, uma ficção sempre atua a gravidade da situação. Esse livro deve ser bem intenso, ver todas essas mulheres e seu ponto de vista pelas situações vividas… e o que mais me admira é que na década de 70 o país era bem mais avançado, e depois entrou em retrocesso. Achei interessante e parece ser uma leitura bem enriquecedora, mas também que causa bastante revolta.

    Beijinhos,

    Rafaella Lima // Vamos Falar de Livros?

  14. quarta-feira, 13 de maio de 2015.

    Adorei a resenha…
    O livro é bem interessante e conta uma história forte e emocionante.
    Não faz meu estilo de leitura, mas gostei muito da história…
    Parabéns!!!

    Tamires Bourbon

  15. quarta-feira, 13 de maio de 2015.

    Ótima resenha!!!! É tenso!
    Eu não gosto de ler esse gênero. Eu prefiro Ficção-científica.
    Mesmo assim, belo trabalho. Quanto ao livro ser de mais de 10 anos. Bom, o ser humano é desses… ele não aprende com a história e tende a repetir os mesmo atos.

  16. quinta-feira, 14 de maio de 2015.

    Olá!
    Nunca tinha ouvido falar sobre esse livro e apesar de não ser um gênero que gosto, achei bem interessante.
    Talvez eu dê uma chance para a leitura quando puder =)
    Ótimo post!
    Beijos!

    http://www.livrosdajess.com

  17. quinta-feira, 14 de maio de 2015.

    Eu também me chocaria e me indignaria com vários fatos retratados, com certeza. Li há pouco tempo um livro que teve esse efeito em mim e não estou pronta para ler outro, mas acho realmente uma obra importante.

    Ju – Entre Palcos e Livros

  18. quinta-feira, 14 de maio de 2015.

    Meu único jeito de aprender história é lendo esses livros, porque os didáticos, tá difícil, hahaha
    Amei sua escrita bem explicativa na resenha, também já ouvi muito sobre a força das mulheres de Cabul. Tem um da Leya que é UMA PEQUENA CASA DE CHÁ EM CABUL que eu também tô louca pra ler.
    Beijos, Carol.
    Twenties Girl

  19. quinta-feira, 14 de maio de 2015.

    Oi,
    Gosto muito de livros nesse estilo, onde conseguimos aprender cultura, e coisas de um determinado lugar, como se já tivéssemos indo pra lá é ouvido um pouco da história, como Cabul mudou..
    Gostei da resenha e do livro, não é uma leitura urgente, mas com toda certeza pretendo ler sim.
    Beijos

    Mari – Stories And Advice

  20. sexta-feira, 15 de maio de 2015.

    Oii minha nossa que livro intenso. É um livro bem pesado e ao mesmo tempo um aprendizado incrível. Adorei a sua resenha e tudo mais.
    Mesmo não sendo o meu tipo de literatura, acho que o encararia só pelo aprendizado.

    beijos
    Mayara
    Livros & Tal

  21. domingo, 17 de maio de 2015.

    Olá, tudo bem?

    Apesar desse não ser meu estilo favorito de livro, gostei muito da premissa pelo conteúdo histórico e informativo. Muitas dessas mulheres estão tão acostumadas a serem abusadas e tratadas como lixo, que com o tempo elas passaram a achar que aquilo era algo natural, mas pelo menos dos últimos anos para cá isso tem mudado muito. Achei a capa em chamativa e bonita, mas, como disse, esse não é um livro que faz muito meu estilo.

    Abraços,
    Matheus Braga
    Vida de Leitor – http://vidadeleitor.blogspot.com.br/

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