quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: GERAÇÃO EDITORIAL ISBN: 9788581301273 GÊNERO: NÃO FICÇÃO PUBLICAÇÃO: 2014 PÁGINAS: 392 SKOOB

É provável que muitas pessoas já tenham feito a seguinte pergunta: “O que o Papa na época da Segunda Guerra Mundial fez em relação ao que os Nazistas faziam com os judeus?” Digo isso porque muitas pessoas sabem que sou apaixonado por História e, muitas delas, já me fizeram essa pergunta. Eu não sabia essa resposta até ler o livro Os judeus do Papa, de Gordon Thomas.

Faz sentido essa pergunta recorrer em nossas mentes. Embora alguns possam dizer que líderes católicos não necessariamente tem a obrigação de ajudar civis judeus, é comum achar que líderes religiosos de quaisquer religião tenham de se ajudar em momentos extraordinários, e cá entre nós, não é sempre que se acontece uma Guerra Mundial – embora os judeus venham sendo perseguidos durante milênios.

O livro Os judeus do Papa nos conta, com mínimos detalhes, tudo o que o papa Pio XII fez em relação à Segunda Guerra e aos judeus. Achei um livro bonito, com algumas partes que me emocionaram. Sabemos que a Igreja Católica foi antissemita durante a Inquisição, perseguindo e matando milhares de judeus durante séculos por toda a Europa. O livro trata bem esse assunto com o fato do que estava começando a acontecer no fim da década de 30, com Hitler no poder, e com o que aconteceria na década de 40, com a Segunda Guerra Mundial e o extermínio dos judeus por parte do partido Nazista.

Já ouvi muitas pessoas julgarem a igreja Católica por “ela não ter feito nada para ajudarem os judeus na época da Segunda Guerra”, e embora agora eu saiba que essas pessoas estão MUITO erradas ao dizer isso, sei que não posso julgá-las de forma aguda, porque o que o papa Pio XII fez, teve de ser feito de uma forma MUITO secreta; não podemos esquecer que Mussolini entrou na guerra em maio de 1941, apoiando a Alemanha e formando o eixo tão conhecido pelos alunos do ensino médio: o eixo ROBERTO (Roma; Berlim; Tóquio). Imaginem a situação de Pio XII: ele foi sucessor de um papa exemplar, que foi seu amigo íntimo, e que o encorajou no leito de morte a ser um defensor do povo judeu.

“Um médico de plantão se lembraria de que Pacelli (futuro para Pio XII) estava próximo às lágrimas quando o papa dissera que ele teria de continuar a ser um defensor do povo judeu.”

Além disso, ele se sentia em dívida com o povo Judeu pelo que havia acontecido há pouco mais de 450 anos; a Inquisição.

“A perseguição atingiu um novo nível em 1555, com a eleição do papa Paulo IV. […] Sua primeira bula papal, um documento tão vinculativo quanto uma fatwa islâmica, proibia todos os judeus de prescrever remédios a cristãos ou de empregas parteiras cristãs. Nenhum judeu podia andar numa carruagem ou exercer qualquer profissão que não estivesse entre os ofícios mais baixos. Ordenou que se construísse um muro em volta do gueto; todos os judeus deveriam permanecer dentro de seus limites, do crepúsculo à alvorada. […] Havia punição severa para quem não obedecesse essa ordem. QUATRO SÉCULOS MAIS TARDE, NA FORMA DA ESTRELA DE DAVI, ESSE CONCEITO SE TORNOU PARTE DA REPRESSÃO DOS JUDEUS, PROMOVIDA POR HITLER”.

Eu imagino que o papa Pio XII se sentia culpado por tudo que já havia acontecido na história do catolicismo com o judaísmo. Posso estar tirando palavras de sua boca, mas eu, particularmente, me sentiria culpado se um ato feito por um semelhante meu fosse seguido à risca, séculos mais tarde, para exterminar 6 milhões de seres humanos. Entendem o porquê de o papa sentir que precisava ajudar os judeus? Não era só o fato de ele ser um ser humano e querer ajudar o próximo. Era muito mais do que isso. O livro também me respondeu o motivo de uma possível ajuda do papa não ter sido tão exposta quanto deveria ser.

Em maio de 1941, Mussolini declarou, às 18h, que a Itália estava entrando na Segunda Guerra Mundial, apoiando a Alemanha. Imaginem a situação. É claro que a Itália não é o país Vaticano, mas seríamos tolos se considerássemos eles como separados em um momento de guerra; pela proximidade, é claro. O papa não podia, ou pelo menos não deveria, expor sua opinião publicamente, ou enfaticamente, sobre o que estava se passando. Para piorar, em pouco tempo a Itália passou a ser uma réplica da Alemanha, que era uma réplica da Europa na Inquisição; ou seja, os Judeus passaram a ser rebaixados como quando foram em 1500. As manobras de Pio XII deveriam ser estratégicas e calculadas.

“Durante todo o verão, ele tomou providências para que vários acadêmicos judeus expulsos de universidades italianas pudessem obter cargos em universidade controladas pelo Vaticano, tanto na Itália, quanto no exterior. De hospitais e centro de pesquisas médicas em Berlim, Hamburgo, Frankfurt e Munique, onde os médicos judeus detinham cargos, ordenou que seus cardeais tomassem providências para que pudessem ser enviados a Roma ou a uma vida em segurança oferecida pelos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra.”

O papa Pio XII fez o que pôde para diminuir os atos desumanos que estava vendo. O livro fala de muitas coisas mais, e fala detalhadamente cada manobra do papa para tentar salvar os judeus. É claro que em uma resenha não serei capaz de fazer com que sintam o que senti ao ler as palavras de Gordon Thomas, um jornalista que escreveu mais de 50 livros. O objetivo maior desta obra é expor ao mundo a injustiça feita contra o papa Pio XII em uma época em que se esperava que ele tomasse a frente da situação e se pronunciasse. Como é relatado no livro, e como tentei transcrever neste breve texto, as situações adversas em que o líder católico se encontrava eram mais fortes que sua vontade de expressar sua raiva ao mundo.

Aprendi com esse livro que, apesar de tantos “entretantos” que rodeavam a vida do papa, mesmo assim ele decidiu e resolveu salvar a vida de milhares de Judeus, liberando vistos falsificados para fugirem da Europa, ou colocando-os primeiramente na Itália, depois em domínios do Vaticano. O papa Pio XII foi guerreiro, porque sabia que estava agindo de forma exemplar e que, mesmo assim, o mundo o consideraria um indiferente por não ter ajudado os Judeus. Poucos sabem que centenas de milhares de Judeus só sobreviveram por causa dele.

 

Por Caio César Domingues

Sobre o autor
Viagens de Papel O blog Viagens de Papel foi criado em 22 de janeiro de 2013 com o intuito de promover diálogo sobre literatura, paixão que todos os autores do projeto têm em comum. Através de resenhas, lançamentos, listas, dicas e variadas matérias, queremos que você sinta-se em casa e aprecie o conteúdo nosso conteúdo! =)


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  1. quinta-feira, 4 de dezembro de 2014.

    Olá Caio,
    já percebi realmente que você é um apaixonado por História, haha'.
    Pra falar a verdade, nunca fiz a pergunta “O que o Papa na época da Segunda Guerra Mundial fez em relação ao que os Nazistas faziam com os Judeus?”. Não sei como isso nunca me passou pela cabeça… Mas parei pra refletir com essa pergunta. Não sabia que ele salvou milhares de Judeus.
    Gosto bastante de histórias relacionadas com a Segunda Guerra Mundial e me interessei pelo livro. Boa dica 😉
    Abraços

  2. sexta-feira, 5 de dezembro de 2014.

    Olá Vanessa! Hahahaha, sim, sou um apaixonado por História e sempre me fiz essa pergunta. Já me fizeram essa pergunta e eu acho que é uma pergunta válida, pois esperasse que o líder da Igreja católica fizesse algo para proteger os Judeus, não é mesmo? Esse livro explica tudo isso e o motivo de ele ter feito isso "por trás da fachada". Espero que goste! É um livro ótimo, detalhista, e muito interessante!

  3. sábado, 6 de dezembro de 2014.

    Olá, Caio.

    Esse tipo de livro eu não curto muito, então acho que nem leria. Mas foi interessante saber um pouco da história em volta do Papa Pio XII pela sua resenha.

    Paradise Books BR

    Abraços.

  4. sábado, 3 de janeiro de 2015.

    Não sou muito fã de História e confesso que essa pergunta nunca passou pela minha cabeça… mas fiquei muito interessada no livro depois de ler a resenha. Fiquei surpresa em saber que centenas de milhares de Judeus sobreviveram por causa dele e muito curiosa pra saber porque ele teve que fazer isso "por trás da fachada". Obrigada pela dica!

    Beijos!!

  5. sexta-feira, 16 de janeiro de 2015.

    Olá Paula! Acho que esse tipo de livro é para um público alvo bem restrito, e talvez só os apaixonados por História – ou até mesmo religião – o leriam, mas fico feliz que tenha lido a resenha e deixado seu comentário!

  6. sexta-feira, 16 de janeiro de 2015.

    Olá Érika, fico feliz que tenha gostado da resenha e se interessado pelas melhores partes do livro.
    Beijos!!

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