quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Avaliação: 5/5 Editora: Rocco ISBN: 9788532511713 Gênero: Romance histórico, Romance Publicação: 2000 Páginas: 372 Skoob

Uma história de terror na inquisição

O último judeu foi escrito pelo jornalista americano Noah Gordon e publicado em meados de 2000. O livro é narrado em uma das épocas mais terríveis da história da humanidade, a época da contra reforma, ou simplesmente, Inquisição. Sei que o conceito de Holocausto se aplica para a morte dos 6 milhões de judeus que foram mortos durante a Segunda Guerra Mundial, mas acho que essa seria a palavra perfeita para descrever o que aconteceu, não só com os judeus, mas também com os muçulmanos e com qualquer outra pessoa não ligada à religião católica, na Europa durante a Inquisição, que começou no fim do século XV e matou todo não católico.

Antes de tudo esse livro é uma aula de História para aqueles que querem se aprofundar nesse assunto. É uma magnífica aula para se ter noção de como eram feitas as matanças, de como os não cristãos sobreviviam – se é que sobreviviam – e de como era o contexto social da época também. Por exemplo, foi através dele que eu soube que a cerimônia de casamento de Isabel de Castela, 18, com Fernão de Aragão, 17, foi clandestina. Clandestina porque desafiou o rei Henrique IV de Castela. Ele queria que a meia-irmã de Isabel se casasse com o rei Afonso de Portugal.

Para quem não sabe, Henrique IV não tinha filhos, por isso era chamado de Henrique, o Impotente. Existiam boatos de que ele tinha uma filha ilegítima, mas, quando ele tentou nomeá-la como herdeira, irrompeu uma guerra civil. Todos deixaram de apoiá-lo, principalmente os nobres. Quando Henrique morreu em 1474, Isabel se proclamou, com êxito, rainha de Castela. Em 1479, o rei João II de Aragão morreu, deixando o trono para seu filho, marido de Isabel de Castela, Fernão. Foi ai que ambos que se juntaram para repelir as invasões de Portugal e França. Quando enfim conseguiram o triunfo, se concentraram na guerra contra os mouros, e adivinhem? Foram eles que conseguiram vencer os mouros, que estavam tentando dominar a Ibéria desde 711 d.C.

Foi nessa época que houve a Reforma Protestante e, consequentemente, a Contrarreforma alguns anos depois. A Contrarreforma era resumidamente isso: matar todo não católico, ou seja, herege.

É nesse contexto que Noah Gordon começa a narrar O último judeu. A história começa com o estupro e a morte do pequeno Judeu Méir Toledano, filho do ourives Helkias Toledano e irmão do personagem principal da história, Yonah Toledano. A morte ocorreu em 1489, ano em que a Inquisição já estava em processo. Podemos imaginar, portanto, que a causa da morte seja o fato de o pequeno Méir ser Judeu. A Inquisição atingiu, não sei se primeiramente, mas de uma maneira mais forte, na Espanha. Digo isso porque enquanto os Judeus, Muçulmanos e outros, eram mortos sem dó nem piedade na Espanha, Portugal aceitava que os não cristãos fossem para suas terras, desde que, pagassem um preço e ficassem até seis meses no lugar.

Depois da morte de seu filho, Helkias entende que deveria fugir de Toledo, fugir da Espanha, e é a partir daquele momento que ele decide juntar dinheiro e fugir com seu outro filho, Yonah, e seu irmão, Aron. Em 1492, com a Inquisição já na cola de seus pés e mesmo com pouco dinheiro, a família Toledano decide fugir. Vale dizer que nessa época, muitos não-cristãos se batizaram para fugir da Inquisição. Esses eram chamados de cristãos-novos. O que acontecia, porém, é que, às vezes, até os cristãos-novos eram inquiridos, seja por desconfiança da Igreja católica ou porque eles ainda semeavam o culto de suas antigas religiões. De qualquer forma, como eu ia dizendo, um dia antes da data marcada para a família Toledano fugir, eles ainda não eram cristãos-novos, ou seja, eram Judeus “por completo”. Foi nessa noite que o irmão mais novo de Yonah resolveu dormir fora de casa e foi também nessa noite que os Inquisidores resolveram invadir a casa de Helkias Toledano.

Acreditem, não vou fazer o livro perder a graça pelo que vou dizer, mesmo porque tudo isso acontece no início do livro, mas Helkias Toledano consegue, através de sua morte, salvar seu filho Yonah. Até aquele momento, Yonah já tinha perdido sua mãe e um irmão. Imaginem como seria perder também um pai com 13 anos de idade. Imaginem agora, ser um Judeu e se ver sozinho em um mundo de perigo. O aconteceu depois da invasão de sua casa, foi que Yonah, depois de ir à casa de seu tio e ver que ele estava se tornando em um cristão-novo, resolveu fugir, permanecendo um fiel Judeu.

É a partir daí que uma nova história começa. Uma história de aventura, uma epopeia de um jovem de 13 anos que percorre toda a Espanha, fugindo da Inquisição, mantendo o judaísmo em seu coração e vivendo sua própria vida, longe da família – se é que restava alguém que ele realmente amasse. Esse é mais um livro do Noah Gordon em que História, Religião, Romance e Aventura estão ligados. É uma história magnífica, de um garoto que ao longo de sua adolescência teve que se manter vivo de qualquer maneira, seja sendo pastor e fugindo da Inquisição, seja sendo marinheiro e fugindo da Inquisição ou qualquer outra coisa que ele foi, mas sempre deixando de ser, ao para fugir da Inquisição. Ele se autonomeia como O último judeu, porque, mesmo existindo inúmeros cristãos-novos que eram Judeus, ele era o único que nunca tinha se batizado.

Eu não me arrependo nem por um segundo de ter lido esse livro. Acho que além de ser uma história muito bem trabalhada e escrita, é uma nova forma de conhecimento. Para ser sincero, eu nunca tive muita paciência para aprender História lendo livros especificamente de História. Eu sempre aprendi História lendo romances históricos. Eu amo livros que tratam de história. Foi assim com “O físico e xamã” também de Noah Gordon. Foi assim com “A menina que roubava livros” de Markuz Zusak, foi assim com “O enigma do oito” de Katherine Neville e com tantos outros… Acho que é uma maneira linda de se aprender tudo que aconteceu no mundo antes de estarmos aqui. É uma maneira de saber melhor e entender a história e entender também o porquê de tudo ser como é. Querendo ou não, a História não é só coisa do passado, pois é através do passado que aprendemos a lógica do presente, e é através da lógica do presente que podemos tentar entender a improbabilidade do futuro.

 

Por Caio César Domingues

Sobre o autor
Viagens de Papel O blog Viagens de Papel foi criado em 22 de janeiro de 2013 com o intuito de promover diálogo sobre literatura, paixão que todos os autores do projeto têm em comum. Através de resenhas, lançamentos, listas, dicas e variadas matérias, queremos que você sinta-se em casa e aprecie o conteúdo nosso conteúdo! =)


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  1. sexta-feira, 14 de novembro de 2014.

    Oi, Caio.
    Confesso que nunca me dei bem com história e com romance histórico. Um grande erro meu, pois hoje em dia (mesmo depois de muito tempo depois de terminar a escola) vejo que acabei perdendo muita coisa pelo caminho.
    Como eu leio há pouco tempo e ainda estou na ansiedade para ler os livros que eu desejei ler por muito tempo pela mais pura preguiça, vou acabar pulando esse. Bjs

    SC PhotoGallery

  2. sexta-feira, 14 de novembro de 2014.

    Oie, Caio.

    Sempre é bom aprimorar nossos conhecimentos de alguns eventos que marcaram nossa historia. Acho que esse livro deve ser muito rico. Um dos únicos livros que li que fala um pouco dessa época é A menina que roubava livros.
    Vou anotar aqui e quem sabe não acabo lendo. Obrigado pela dica.

    Visite: http://paradisebooksbr.blogspot.com.br/

    Até mais.

  3. sábado, 15 de novembro de 2014.

    Fico feliz por você ter entrado nesse mundo maravilhoso que é o literário

  4. sábado, 15 de novembro de 2014.

    Olá de novo Paula! Hahaha
    Bom, acho que se você da história de A Menina que Roubava Livros de Markuz Zusak, vai acabar gostando também de O Último Judeu de Noah Gordon. Apesar de os livros se passarem em épocas diferentes, acabam retratando um mesmo problema social, que sempre permeou e sempre vai permear nosso mundo: a aversão à uma pessoa que não tem a mesma religião que a sua.
    No caso da Segunda Grande Guerra, Hitler usou os Judeus como desculpa, usando-os como argumento para os alemães ao dizer que a raça Ariana era a escolhida. Já na Inquisição, a Igreja Católica petrificava todos os não-cristãos, ou seja, judeus, muçulmanos, pessoas com religiões advindas da África e etc. São épocas diferentes, mas que representam a mesma mancha negra na história.
    Até mais!

  5. segunda-feira, 17 de novembro de 2014.

    Oi Caio,
    não conhecia o livro, e fiquei um pouco de boca aberta ao ver a palavra "Inquisição". Tive prova de História sobre o assunto. Hoje. Sério.
    Devia de ter conhecido e lido "O Último Judeu" antes, pra saber mais sobre o assunto, haha.
    Bonito de ver que Yonah, mesmo sozinho no mundo, continuou sendo um judeu. Deve ser incrível essa história.
    Gostei muito de "A Menina Que Roubava Livros" e, se eu tiver oportunidade de ler, espero gostar desse também.
    Bjs :*

  6. quarta-feira, 19 de novembro de 2014.

    Olá Vanessa! Espero que tenha ido bem na prova, mas tenho certeza que se tivesse lido esse livro antes teria ido bem melhor! Hahahaha, é um livro ótimo, maravilhoso e inspirador. Depois que você o lê, você passa a ter um outro ponto de vista sobre o contexto social da época!
    Totalmente indico para pessoas como você!
    Beijo!

  7. segunda-feira, 24 de novembro de 2014.

    Oii Caio !
    Olha, o livro é realmente cheioo de conteúdo sobre a nossa história, mas eu sinceramente não me empolgo com a leitura, confesso que até lendo a resenha eu desanimei porque não gosto desse tipo de livro. Em primeiro lugar porque quando começo a ler parece que fico empacada, e em segundo porque acho essa época muito chata, as histórias não me agradam, infelizmente !
    Beijos

  8. terça-feira, 25 de novembro de 2014.

    Assim como há pessoas que não gostam de física ou matemática, há pessoas que não gostam de história! Entendo seu lado! De qualquer forma, obrigado pelo comentário!
    Beijo

  9. sábado, 29 de novembro de 2014.

    Eu amo História, é uma das minhas matérias favoritas, então eu não tenho problema em aprender lendo livros didáticos, mas confesso que livros com história se torna muito mais fácil! Eu amei A Menina que roubava livros e tenho certeza que vou curtir O Último Judeu porque, de certa forma, retrata o mesmo problema social, só que em épocas diferentes. Eu sou completamente apaixonada por essa época, então.. dica anotada (:

  10. terça-feira, 2 de dezembro de 2014.

    Eu não gostava de história na escola não, achava uma chatisse… rsrs
    Mas eu concordo com vc, que com esses livros eu fico mais empolgado e com vontade de ler e saber o que aconteceu, esse tema holocausto é um tema bem forte, sei pouca coisa sobre, e me interessei por esse livro pq da pra conhecer um pouco mais e ainda é uma viagem no tempo que vc faz né

  11. quarta-feira, 3 de dezembro de 2014.

    Lais Cavalcante, este é o livro certo para você! Hahahahaha. É um livro muito bom. Histórico. Aventureiro. Romântico.
    Completo!

  12. quarta-feira, 3 de dezembro de 2014.

    Exatamente Douglas. Concordo com você, e acho que para aqueles que não gostam de História, o livro não deixará de ser fascinante. Há aventura e romance no meio, e a história foi muito bem elaborada e entrelaçada.
    Você não vai se arrepender de ler!

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