quinta-feira, 6 de novembro de 2014

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: ARQUEIRO, CORTESIA ISBN: 9788580412789 GÊNERO: ROMANCE HISTÓRICO, ROMANCE PUBLICAÇÃO: 2014 PÁGINAS: 331 SKOOB

Escravas de coragem conta a história de duas mulheres fortes, destemidas e otimistas. O romance é ambientado entre 1791 e 1810 em Southside, na Virgínia.  Lavínia e sua família saem da Irlanda rumo aos Estados Unidos, somente ela e o irmão (Conrad) sobrevivem à viagem, logo depois eles são separados.

Lavínia é comprada numa feira de escravos pelo capitão James Pyke. Na Casagrande, a menina de aproximadamente sete anos é colocada para trabalhar na cozinha, sob os cuidados de Belle, escrava mestiça e filha ilegítima do capitão. Lavínia aprende a cozinhar, servir os alimentos e limpar. Ao contrário dos escravos da fazenda, a menina de pele clara e cabelos ruivos é mantida como serva e presa a um contrato até que atinja a idade adulta.

Belle é reconhecida pelo pai, mas não por sua esposa (D. Martha) e seus filhos (Sally e Marshall), eles acreditam que ela seja a amante do capitão. Belle foi criada e educada na Casagrande por sua avó branca, assim que o capitão se casou ela foi enviada para cozinha, onde mantém certos privilégios, sendo cuidada e amada por Mama Mae.

É através de Lavínia e Belle que conhecemos a história da família Pyke, dos funcionários da fazenda, dos escravos da cozinha e daqueles que levam uma vida mais difícil nas plantações de tabaco. Muitas das famílias mencionadas na história formaram-se através do fim de outras, mulheres que veem seus filhos morrerem, crianças nascidas de estupros, órfãos, entre outros. Ao longo da narrativa são citados muitos acontecimentos desse tipo, a maior parte dessas famílias é constituída pelo amor e pelo sofrimento, em sua maioria sem laços sanguíneos.

Ao longo de quase duas décadas acompanhamos a trajetória de Lavínia e Belle, a história delas mostra a realidade do ser, seu melhor e seu pior. De início conhecemos a infância de Lavínia, os meios-irmãos de Belle e o relacionamento que se desenvolveu entre eles. Depois nos é apresentada a parte mais dolorosa da história, nesse momento experimentei variados sentimentos, desde tristeza à raiva, seja pela ingenuidade das protagonistas ou pela maldade as quais foram expostas.

Kathleen Grissom criou uma bela trama, tão trágica e surpreendente, o final não é digno dos contos de fada, mas da mais pura e crua realidade, nesta época indivíduos de pele escura, negros e mestiços, eram tratados como meras mercadorias de pouco ou nenhum valor, a autora expôs com perfeição a escravidão no sul dos EUA. Escravas de coragem tem momentos fortes, impactantes e, por vezes, até perturbadores, os personagens são autênticos, vívidos e convincentes. O livro aborda todo um contexto histórico e social, o resultado é uma história muito bem escrita, desenvolvida e envolvente.

A narrativa é alternada entre Lavínia e Belle, o livro é narrado em primeira pessoa e dividido em capítulos medianos, a leitura é fluída, a linguagem é fácil e característica com os personagens e a época. O projeto gráfico como sempre é bem desenvolvido, a capa é bonita, a parte interna é de tom lilás e o miolo me agradou bastante. Leitura recomendadíssima!

“Esta casa da cozinha é o meu lar e, haja o que houver, não saio daqui por causa de ninguém. Não me interessa o que os outros dizem. Não quero nenhum papel de alforria. Isso é só um jeito de o capitão me tirar daqui”  

“Depois que me lembrei da morte dos meus pais, outras recordações começaram a vir à tona. É claro que, naquela tenra idade, eu tinha poucos anos em que me basear, mas, quando um som ou um aroma traziam outra imagem, muitas vezes isso bastava para me deixar arrasada.”

“Minha avó me mostrou que há sempre alguma coisa pra aprender, que todo mundo tem alguma coisa pra ensinar.” 

Sobre o autor
Patrícia Oliveira Patrícia Oliveira, 25 anos (07/01) – São José/SC. Acadêmica de Direito, leitora assídua e blogueira. Lê de tudo um pouco, seus gêneros literários favoritos são romance histórico, época e contemporâneo, thriller psicológico, fantasia épica e clássicos. Sempre cultivou a ideia de criar um blog, onde pudesse compartilhar sua opinião. Quando não está fazendo tarefas cotidianas, geralmente está divertindo-se na companhia de seus bichos de estimação. Curte séries, filmes de comédia romântica e animes, mas sua grande paixão é a literatura.


Deixe uma resposta

  1. sexta-feira, 7 de novembro de 2014.

    Oi, tudo bem?

    Raramente eu leio romances de época e acho que por isso não me interessei pela leitura. De qualquer forma, o tema abordado na história é um que sempre faz o leitor refletir, e isso é de extrema importância.
    Até nos dias atuais a escravidão ainda é forte, mesmo que proibida. Tem pessoas que são escravas e vivem sob a ilusão de ser livre. :

    Quanto a questão abordada no final da resenha, acho que Belle deve ter seus motivos para não aceitar a carta de alforria, mas apenas com a leitura da resenha eu penso que é provavel que ela acha que não tem outro lugar para ir, já que ali ela esta com a sua família – mesmo não sendo reconhecida como parte dela e até mesmo respeitada.

    Blog Cantar Em Verso | Fbook

  2. sexta-feira, 7 de novembro de 2014.

    Olá,

    Ainda não li nenhum romance de época e nada que aborda a escravidão. Achei a premissa do livro muito bacana isso de misturar a vida de um personagem livre e outro não. Gosto de livros com capítulos intercalados, mas esse não me atraiu muito.
    Sempre reparo a nota que as pessoas dão aos livros. Acho que das resenhas que li aqui esse foi o que vi com 5 estrelas. A leitura deve ter te agradado bastante.

    Visite: http://paradisebooksbr.blogspot.com.br/

    Até mais.

  3. domingo, 9 de novembro de 2014.

    Olá Paula,
    Na verdade se trata mais de um romance histórico, ele aborda muitos fatos reais, a autora teve todo um cuidado e pesquisa para escrever o livro. Isso me agradou bastante, Escravas de Coragem tem bastante drama mesmo, são várias sub tramas que se entrelaçam a principal. A autora meio que teve uma visão com um dos personagens e assim começou a escreve o livro. Eu estava precisando de algo diferente para leitura, acabei optando por esse livro e também é volume único, sem ser os romances de época com a mesma fórmula de sempre. Espero que logo a Arqueiro traga mais livros da autora, assim é possível ser mais crítica sobre a sua escrita.

  4. domingo, 9 de novembro de 2014.

    Olá Silvane,

    Eu gosto de livros com plano de fundo, aqueles que não só para passar o tempo, realmente Escravas de Coragem faz refletir sobre muitas coisas, eu poderia ter posto mais detalhes na resenha, mas seria spoiler, o livro tem passagens fortes que poderiam ter sido diferentes e são reflexões que servem para vida, quantas coisas podem ser diferentes quando dialogadas.

  5. sexta-feira, 14 de novembro de 2014.

    Olá Patrícia 🙂
    Não conhecia o livro ainda, a capa é realmente muito bonita.
    Não lembro de ter visto em nenhum livro que li o tema escravidão, e nem sei se gostaria da história. Gostei de o livro ser narrado em primeira pessoa, mas acho que me irritaria sem um "final digno dos contos de fada".
    O bom que é livro único, mais fácil de eu mudar de opinião u.u
    Beijos :*

  6. segunda-feira, 24 de novembro de 2014.

    Oii :}
    Acredita que ainda não li nenhum livro que falasse sobre escravos? Como sempre achei um tema bem complicado e de muito sofrimento eu acabava adiando a leitura de qualquer livro com o tema, e agora percebi que não li realmente nenhum !
    Eu gostei desse, confesso que não foi "amor a primeira vista", mas me parece um livro bem interessante .. E a história é bem diferente, com certeza vou ficar indignada com essa maldade de alguns personagens, eu sofrer junto com os outros!! Gostei 🙂
    Beijão :*

  7. segunda-feira, 1 de dezembro de 2014.

    Eu não costumo ler esse romance de época, mas eu achei muito interessante esse, não leio não é pq nao gosto, sei la, é pq tem tantos livros na lista que a gente fica sem tempo e eu to no momento de ler essas séries e tal, mas eu tenho muita vontade de ler mais esse tipo de livro, pq é uma maneira de voltar no tempo né, apesar de que ainda bem que não voltamos, pq da pra ver que não era fácil, parece do tipo de personagem que vc pensa um bom tempo mesmo depois que vc termina a historia.

Comentários no Facebook

%d blogueiros gostam disto: