terça-feira, 2 de setembro de 2014

Avaliação: 5/5
Editora: Geração Editorial, Cortesia
ISBN: 9788581301570
Gênero: Reportagem, Não Ficção
Publicação: 2014
Páginas: 255 Skoob

Vida, Genocídio e 60 Mil Mortes No Maior Hospício do Brasil

Esse é um dos livros que todos, sem exceção, deveriam ler. É o tipo de livro que te torna mais humano, mais sensível e mais empático em relação ao outro. É o tipo de livro que faz você desacreditar completamente da humanidade em uma página e, ao virar a folha, faz você pensar que ainda há esperança. Mostra coisas terríveis, que muitas vezes acontecem ali, pertinho de você, sem que você nem perceba. Mas também mostra que é possível caminhar para a mudança, tudo depende de muita força de vontade.

Desde que Holocausto Brasileiro foi lançado, fiquei com muita vontade de ler. Sabia que não seria uma leitura fácil, devido a todos os comentários que li a respeito da obra. Amigos meus sensibilizaram-se muito durante a leitura, que é um relato da crueldade vivida no maior hospício do país, localizado em Barbacena (MG), o Colônia. Apesar de abordar um tema tão forte, o livro-reportagem é um exemplo para mim, que me formo em Jornalismo este ano. Resgata o poder de denúncia e transformação da profissão em um relato que, ao mesmo tempo que é forte, é também inspirador como trabalho jornalístico, feito por Daniela Arbex.

Mesmo para quem não é acostumado ao gênero de não-ficção, de livro-reportagem, a leitura flui muito bem. Os capítulos são todos recheados de fotos, o que traduz em imagens o quanto as pessoas que passaram pelo Colônia sofreram e traz dinamismo ao relato. Quando você vê, já terminou de ler. A obra conta histórias de quem passou pelo local, fala sobre como era a rotina dos pacientes e funcionários e detalha o processo de transformação pelo qual o local passou, desde o momento em que começou a receber denúncias de tratamento desumano, até quando deixou de ser o hospício Colônia.

O prefácio é da não menos sensacional Eliane Brum, que, ao dar uma noção do que será abordado no livro, deixa o leitor arrepiado já em suas páginas iniciais. A agonia me acompanhou até o fim da história. Além disso, percebi um misto de sensações durante a leitura. Tristeza profunda, revolta e esperança foram as que mais se destacaram. Ah, como é bom quando uma obra impacta tanto assim. Com certeza levarei o relato para a minha vida.

A Colônia permaneceu aberto por 50 anos e era considerado o maior hospício do Brasil. Cerca de 60% de seus pacientes não tinham doenças mentais, eram simplesmente mandados para lá por ‘conveniência’. Maridos despachavam suas mulheres para que pudessem ficar com suas amantes, filhas de coronéis que perdiam a virgindade antes do casamento eram jogadas lá, pessoas negras, homossexuais, entre outros. Uma das pacientes havia sido internada por apresentar sinais de ‘tristeza’. Outro, permaneceu 50 anos calado porque ninguém havia perguntado se ele era capaz de falar. São relatos como os desses pacientes que Arbex desdobra em seu livro.

A principio, a jornalista iria escrever apenas uma série de reportagens para o jornal em que trabalhava. Entretanto, decidiu se aprofundar no relato, por mais que tivesse passado por uma gravidez há pouco tempo. Corajosa, ela enfrentou toda a tensão psicológica e foi atrás de ex-pacientes, ex-funcionários, médicos que trabalharam no hospício, entre outros. As histórias trazem as marcas da desumanização e crueldade do Colônia.

Como eu disse anteriormente, sim, em algum momento da sua vida você deve ler esse livro. Porém, ele exige certa maturidade, já que as histórias são bem fortes, trazendo o pior do ser humano. O livro reportagem de Daniela Arbex faz com que o leitor se coloque no lugar do outro, faz com que você se torne mais humano e sensível ao que os milhares de pacientes sofreram no local. Além disso, abre uma discussão sobre o estado das clínicas psiquiátricas de hoje em dia. Infelizmente, acho que nem tudo o que aconteceu no Colônia se dissipou.

Recomendo que você pegue alguns lencinhos e, com coragem, leia Holocausto Brasileiro. Não é uma leitura fácil, mas é essencial para a sua formação como ser humano crítico e com compaixão. Também dou destaque ao excelente trabalho jornalístico de Daniela Arbex, que trouxe à tona esse assunto esquecido e que deve servir de exemplo para que nunca mais se repita.

Sobre o autor
Camila Tebet
Camila Tebet Camila Tebet, 24 anos (05/06) – Paraná Jornalista, tem a literatura como uma de suas paixões. Acredita que os livros têm o poder de transformar e falar sobre essa arte é um de seus passatempos favoritos. Entre os seus livros favoritos estão "Harry Potter" (é claro), "Na Natureza Selvagem", "Orgulho e Preconceito" e "A Menina Que Roubava Livros". Também é apaixonada por séries, cinema e fotografia. Escreve também para o site www.expressocultural.com.


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  1. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Sou louca por livros de temas assim e sua resenha me deixou ainda mais curiosa sobre o tema, espero por ler o livro o mais rápido possível.
    Bjos e sucesso com o blog.

  2. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Uau, não duvido nada que seja incrível. Só pelo começo da sua resenha dá pra perceber o quanto ainda podemos descobrir sobre o que passamos, sobre o que vivemos. Muitos não sabem o que foi o Colônia, ou sequer sabem da existência dele. Bela dica, vou tentar ler. 😉

  3. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Muito bom!

  4. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Olá!
    Não conhecia o livro, mas me interessei em lê-lo. Porém acho que antes preciso me preparar bastante, pois além de ser um tema forte e pesado, histórias que se passam em hospício, manicômios e afins, me arrepiam e me deixam agoniada mais do que o normal, por conta de toda carga emocional que as paredes deses locais abrigam.
    Dica anotada!
    Beijos.

    Li
    Literalizando Sonhos

  5. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Tem que ter coragem mesmo diante de um livro forte como este. Eu já tinha ouvido falar do livro, mas não o li ainda.
    Bjs, Rose.

  6. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Hey! Nossa, que resenha! Não conhecia o livro, mas já deu pra perceber que ele deve ser ótimo. Triste, porém uma realidade verdadeira. Adorei a dica.

    Beijos

    Blog Cheiro de Livro Nacional

  7. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Ola lindona confesso que a premissa do livro não me chama atenção, a maldade em muitas ações vai me sensibilizar demais e prefiro para ler em outro momento. beijos

    Joyce
    http://www.livrosencantos.com

  8. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Oii!

    Parabéns pela resenha >.<
    Não me chamou muito a atenção esse livro pois não gosto muito desse gênero.

    Beijos, Kamila
    http://www.vicio-de-leitura.com

  9. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Chorei, me decepcionei, me revoltei. Esse livro deveria ser uma leitura obrigatória, pois é parte de uma realidade que ainda existe no Brasil e um trabalho primoroso da Daniela. E obrigada pela resenha de uma obra que merece muito mais atenção.
    Beijo e sucesso!

  10. quarta-feira, 3 de junho de 2015.

    Oi tudo bem?
    Amei, quero muito ler esse livro, parabens pela resenha.
    http://literaturaparaosaber.blogspot.com
    Abraços 🙂

  11. quinta-feira, 4 de junho de 2015.

    Oii, tudo bem?
    Eu adoro livros que tragam esses temas, acho importante a gente ter consciência do que o ser humano é capaz, a leitura do livro parece ser um tanto quanto intensa, acredito que agora não seja melhor hora para eu o ler, mas com certeza já está na minha listinha.

    http://www.fonte-da-leitura.blogspot.com.br

  12. quinta-feira, 4 de junho de 2015.

    Oi Camila! Esse livro me parece ser fantástico!
    Não sabia da existência desse hospício e do seu tipo de funcionamento, mas me lembrei de "O Alienista", do Machado de Assis. Você já leu? É maravilhoso!
    Incrível pensar que essas coisas acontecem na vida real, né? Amei seu post, parabéns!

    Beijos,
    Fernanda
    http://www.oprazerdaliteratura.com.br

  13. quinta-feira, 4 de junho de 2015.

    Oláá
    Poxa, que interessante, gosto de livros com esse temas fortes e realistas, muito bom. Gostei do post.

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

  14. quinta-feira, 4 de junho de 2015.

    Já li várias resenhas sempre ressaltando as qualidades desse livro. Eu tenho vontade ler, mas acho que ainda não estou preparada, por tudo que você, é uma leitura perturbadora.

    Beijos!

  15. quinta-feira, 4 de junho de 2015.

    Olá!
    Gosto muito de livros de não ficção que tratam de temas tão delicados como este. Acho que ler e falar de algo tão forte, sempre vai nos trazer algum tipo de reflexão e nos fazer enxergar algumas coisas diferente, e essa é sem dúvida nenhuma a melhor coisa que uma boa leitura pode nos trazer. Adorei a sua resenha e com certeza vou procurar saber mais sobre o livro. Parabéns.
    Beijos
    Carol
    http://www.sobrevicioselivros.com

  16. quinta-feira, 4 de junho de 2015.

    Olá!!

    Eu me formo no ano que vem 😀 😀
    Gostei muito da sua resenha e confesso que não conhecia o livro mas adorei saber que é um livro reportagem tão rico assim. Como não tô acostumada com não ficção achei que seria um problema, fico feliz em saber que não.

    Gostei da sua resenha!

    Beijinhos,
    http://www.entrechocolatesemusicas.com

  17. sexta-feira, 5 de junho de 2015.

    Oiee ^^
    Não conhecia o livro, mas fiquei muuito interessada em conhecer. Adoro livros com temas reais, e mais ainda os que fazem o tipo "documentário". Amei a sua resenha, consegui perceber que você sentiu diversas coisas ao ler o livro, e espero que eu também consiga ter sentimentos diversos sobre ele.
    MilkMilks
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

  18. sábado, 6 de junho de 2015.

    Eu tenho vontade de ler livros acerca da Segunda Guerra, também algumas séries de TV. Mas me falta coragem e coração pra isso. Espero conseguir maturidade para ler pelo menos sobre o "holocausto brasileiro", é tão difícil relembrar a desumanidade no mundo. Porém a história nos serve pra isso: relembrar o passado e não cometer os mesmos erros no futuro.
    Bjos, Carol.
    http://anamatosferreira.blogspot.com.br/

  19. sábado, 6 de junho de 2015.

    Oii, tudo bem? Realmente parece ser um livro bem pesado, mostrando como o ser humano pode ser cruel com outros, mas que bom que ele também trás esperança e nos faz nos colocar no lugar dos outros. Parece ser um livro muito reflexivo, pensar no que estamos vivendo e no que queremos nos tornar. Não é o meu tipo de leitura preferido, mas com certeza é uma leitura sempre muito válida.

    Beijinhos,

    Rafaella Lima // Vamos Falar de Livros?

  20. domingo, 7 de junho de 2015.

    Olha, acredito que seja uma leitura realmente muito válida, que pode nos transformar em pessoas melhores. Mas já li livros do gênero e não me fizeram bem, estou dando um tempo. Sou mineira e sempre ouvi falar coisas aterrorizantes desse hospício, não quero saber mais não.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

  21. domingo, 7 de junho de 2015.

    Gosto de livros assim e as imagens me deram ainda mais vontade de ler. Quero ler mais livros que me façam ter esperança em relação ao outro. Já li Diário de Anne Frank (em inglês) e o Eu sou Malala, recomendo os dois rs
    Beijos

  22. segunda-feira, 8 de junho de 2015.

    Olá.
    Tudo bom?
    Eu geralmente adoro livros fortes, mas ultimamente estou muito sensível com leituras assim e vou dar um tempinho, mas em breve eu irei dar oportunidade a esse livro.
    Adorei sua resenha e quero saber de forma detalhada sobre esses relatos.
    Beijos

  23. terça-feira, 9 de junho de 2015.

    Sou dessas não acostumada com não-ficção hahaha Mas esse livro me pareceu interessantíssimo, ainda mais por retratar acontecimentos nacionais embora seja retratado momentos bem fortes. Estou fugindo de livros assim por enquanto, não me sinto forte o suficiente para ler obras assim. Mas anotarei a dica para ler um momento melhor 😀

    Beijos ;*
    Proseando com uma BibliophileFacebookInstagramTwitter

  24. quarta-feira, 10 de junho de 2015.

    Só posso dizer uau!
    Como assim eu ainda não conhecia essa obra? Eu amo história e esse livro com certeza retrata uma pequena, mas importante e esquecida parte da nossa história.
    Pela sua resenha pude perceber que o livro realmente nos traz um compilado de emoções que para alguns pode ser difícil de lidar, mas pelo tema concordo que é importante que todos o leiam um dia.
    Eu já anotei e já vou em busca do meu exemplar, sei que vou gostar, apesar de ser um livro tão "pesado".
    Beijos!

  25. quinta-feira, 11 de junho de 2015.

    Oi.
    Esse é o tipo de enredo que me cativa logo de cara.
    Sua avaliação e opinião só veio confirmar que a história tem um grande potencial.
    Com certeza esse é um livro que irei ler mesmo ciente dos assuntos densos que ele traz.

    Beijos
    http://www.leiturasdapaty.com.br

  26. sexta-feira, 12 de junho de 2015.

    Olá!
    Eu não conhecia esse livro. Mas deve ser muito emocionante.
    Sabemos que a humanidade pode ser muito ruim com o seu próximo. É muito ruim ler e ouvir relatos de toda maldade que já aconteceu e que ainda acontece.
    Adorei a sua resenha.
    Beijinhos!
    http://eraumavezolivro.blogspot.com.br/

  27. segunda-feira, 15 de junho de 2015.

    Oie, tudo bem?
    A resenha me deixou bem curioso quanto a obra. Não sou um adepto do gênero não ficção mas faria esse exceção com o maior prazer, o livro foi tão bem trabalhado e seu conteúdo para ser tão grandioso que não tem como não querer ler.

  28. terça-feira, 16 de junho de 2015.

    Olá!
    Esse livro extrapola minha zona de conforto, seria uma leitura que iria me perturbar de forma negativa. Sendo assim, prefiro me preservar e investir meu tempo em uma leitura mais proveitosa pra mim. Apesar da minha reação, entendo que o tema é importante pra ser discutido.
    Beijinhos!
    Giulia – http://www.prazermechamolivro.com

  29. terça-feira, 30 de junho de 2015.

    Olá!
    Eu não curto muito esse gênero de reportagem e tals. Mas confesso que a sua resenha me deixou bem curiosa, gosto de ler sobre alguns fatos históricos, e o Holocausto foi uma fase muito difícil. Não sabia sobre o Colônia, e devia ser um local de muito sofrimento, os sanatórios em geral costumam ser, mas naquela época deviam ser ainda piores. Vou anotar a dica, talvez eu curta a leitura.

    Beijinhos!
    Jaque – Meus Livros, Meu Mundo

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