segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Avaliação: 5/5
Editora: Arqueiro, Cortesia
ISBN: 9788580412079
Gênero: Romance
Publicação: 2012
Páginas: 336
Skoob

Gostaria de começar a minha resenha falando o quanto é difícil não se emocionar com este livro. A história é contada de maneira muito bonita pela autora Ka Hancock, que se saiu muito bem em seu romance de estreia. Dançando sobre cacos de vidro conta a história de Lucy e Mic, um casal que, apesar de jovem, enfrenta, desde o início da relação, muitas barreiras. Ela tem em sua família um histórico de câncer de mama. Ele, por sua vez, sofre com transtorno bipolar. Desde que se conheceram, descobriram uma atração muito forte, mas sabiam das dificuldades que teriam enfrentar para ficar juntos.

Entretanto, os empecilhos só fortaleceram a relação de Mic e Lucy, que, após 11 anos de casados, pareciam se amar mais e mais. Juntos, encontraram forças para os momentos mais difíceis. Quando Lucy ficou doente, pouco tempo após seu casamento, Mic esteve a seu lado, enfrentando o câncer junto dela. Ela também estava lá para ele e tornou-se uma espécie de salvação, já que alertava-o quando as crises de seu transtorno estavam chegando e ajudava-o a voltar à normalidade.

Depois de todos os anos que passaram juntos, os dois aprenderam a viver com as diferenças e bolaram estratégias para tornar a vida mais fácil. Uma delas eram as regras impostas penduradas em um quadro, com atos que nunca deveriam ser quebrados por ambos. Entretanto, após uma consulta de rotina para ver o seu estado de saúde, se o câncer não havia retornado, Lucy descobre que uma das regras mais importantes havia sido desobedecida.

Agora, mais do que nunca, o casal deve provar que o amor que sentem um pelo outro é maior do que qualquer outra coisa e enfrentar o maior desafio pelo qual já passaram. O acontecimento é uma reviravolta para a vida de todos que cercam o casal e trará grandes mudanças, além do redescobrimento de sentimentos muito intensos.

O livro traz uma história muito bonita e comovente. Mostra o amor puro, verdadeiro, e que nenhuma relação é perfeita. Todas têm os seus altos e baixos e todos os casais passam por momentos de provação, em que “dançam sobre cacos de vidro”. A história mostra também que cada escolha tem a sua consequência, mas que nenhuma é mais “certa” do que a outra. O importante é encontrar maneiras de lidar com cada escolha.

A história se alterna em capítulos que narram o passado e o presente. Gostei muito da maneira como a autora dispôs essas informações, já que torna a leitura mais dinâmica e faz com que o leitor vá conhecendo os personagens aos poucos, assim como o que aconteceu no passado e como cada personagem lidou com essas situações. Outro ponto positivo do livro é a narrativa de Ka Hancock. Sem ser extremamente detalhada, a narrativa da autora faz com que o leitor se sinta dentro da história, como se estivesse vendo tudo o que acontece diante de seus olhos. Poucos livros que li me passaram essa noção de realidade. O fato de os personagens serem bastante reais e cativantes contribuiu para isso, já que me senti próxima de todos eles e torci para que tudo desse certo.

O final, apesar de ser diferente de como eu queria que fosse, me agradou bastante. É triste, mas, ao mesmo tempo, muito gratificante. A autora criou uma história linda, com um final à altura, já que, sem correr demais, traçou o destino de todos os personagens, sem deixar dúvidas e questionamentos pendentes.

Dançando sobre cacos de vidro é uma história linda de superação, que mostra que o amor é capaz de quebrar as maiores barreiras. Se você gosta de romances e de histórias que arrancam lágrimas, recomendo sem pensar duas vezes.

Agora sei a diferença entre tristeza e depressão. A depressão clínica não tem uma origem – simplesmente existe. A tristeza intratável não tem nada a ver com sinapses, química cerebral ou nutrientes essenciais; ela é fruto de algo. É o produto da injustiça e da impotência. Pode ser anestesiada, suponho, mas depois que o efeito da medicação passa, fica ali, inalterada, como um intruso que invadiu nossa casa e continua nela, manhã após manhã, ao acordarmos. Se pudesse escolher, eu preferiria estar deprimido. Da depressão já voltei.

“-Lucy, todo casamento é uma dança: complicada às vezes, maravilhosa em outras. Na maior parte do tempo não acontece nada de extraordinário. Com Mickey, porém haverá momentos em que vocês dançarão sobre cacos de vidro. Haverá sofrimento. Nesse caso, ou você fugirá ou aguentará firme até o pior passar.”

Sobre o autor
Camila Tebet Camila Tebet, 22 anos (05/06) – Paraná Jornalista, tem a literatura como uma de suas paixões. Acredita que os livros têm o poder de transformar e falar sobre essa arte é um de seus passatempos favoritos. Lê de tudo um pouco, mas os gêneros de que mais gosta são os romances românticos e chick-lit. Entre os seus livros favoritos estão "Harry Potter" (é claro), "Na Natureza Selvagem", "Orgulho e Preconceito" e "A Menina Que Roubava Livros". Também é apaixonada por séries, cinema e fotografia. Escreve também para o site www.expressocultural.com.


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