segunda-feira, 19 de maio de 2014

Avaliação: 4/5 Editora: LeYa ISBN: 9788580448436 Gênero: Memórias, Não-Ficção Publicação: 2014 Páginas: 144 Skoob

Em 144 páginas, a jornalista e escritora Eliane Brum narra, em pequenos capítulos não lineares, sua relação com as palavras. Ela expõe, de maneira bastante íntima, e algumas vezes crua, a importância que as palavras têm na vida dela. E é a partir delas que ela se manifesta, de maneira bastante singular e por meio de muitos sentimentos. A autora conta a sua história com as palavras, que vem de muito pequena, entremeando com passagens importantes de sua vida, sejam recordações boas ou daquelas que partem o coração.

Logo no início, Brum explica que encontrou na palavra uma maneira de se manifestar e que escreve “para não morrer, mas também para não matar”. Apesar de citar no livro que uma de suas características é o exagero, ao longo da leitura o sentimento que fica é que ela realmente escreve para se salvar. Que, sem as palavras, não seria nada e que, por meio delas, encontrou uma saída, um escape. Já como jornalista, viu muitas coisas que a deixaram indignada e seus textos e reportagens são uma maneira de expressar toda essa revolta e tentar mudar o mundo para melhor.

Muitos de seus relatos remetem à sua infância e família. Um de seus textos fala sobre o seu sobrenome, que, com o passar das gerações, foi de Brun à Brum, e conta o quanto aquela perna a mais do M marcou e acrescentou à sua história. Fala sobre suas primeiras palavras, sobre os jardins cultivados pelas tias e o seu desejo de também ter um, sobre sua gravidez na adolescência, sobre vida, sobre morte e, principalmente, sobre como tornou-se uma pessoa melhor a partir das palavras.

Não há de se negar que Eliane Brum sabe lidar muito bem com o dom que descobriu ter. Ao invés de só utilizar-se das palavras, a escritora une-se à elas, entrega-se e constrói frases belíssimas, genuínas e com sutileza, mas, ao mesmo tempo, bastante intensas. Seus relatos são carregados de emoção, o que comprova o quanto ela exerce bem a função de contadora de histórias reais.

“Como contadora de histórias reais, a pergunta que me move é como cada um inventa uma vida. Como cada um cria sentido para os dias, quase nu e com tão pouco. Como cada um se arranca do silêncio para virar narrativa. Como cada um habita-se. Desta vez, fiz um percurso de dentro para dentro. Me percorri. Lembranças não são fatos, mas as verdades que constituem aquele que lembra. Recordações são fragmentos de tempo. Com elas costuramos um corpo de palavras que nos permite sustentar uma vida”

Esta foi a primeira vez que li algo de Eliane Brum e, com certeza, pretendo repetir a experiência. Gosto da forma como ela lida com as palavras e da vontade de escrever um livro sobre esta relação. É uma maneira de mostrar e valorizar o quanto elas foram importantes para a autora e contribuíram para sua formação, para o que ela é hoje.

A narrativa da autora é encantadora e emocionante. Ela não tem medo de expor sua vida e entrega-se de corpo e alma ao relato, despojando-se de si mesma, o que é bastante admirável. Por meio de suas palavras, conversa com o leitor. O livro, ao mesmo tempo em que é muito bonito, é também bastante doído, mas mostra que palavras não são apenas palavras. Elas são capazes de salvar e, dentro delas, carregam sentimentos e histórias.

“Pela palavra escrita eu tornava-me capaz de transcender o concreto, transformar impotência em potência. Fui salva pela palavra escrita quando comecei a ler – e (talvez) em definitivo quando escrevi. E – importante – quando fui lida”

Sobre o autor
Camila Tebet
Camila Tebet Camila Tebet, 24 anos (05/06) – Paraná Jornalista, tem a literatura como uma de suas paixões. Acredita que os livros têm o poder de transformar e falar sobre essa arte é um de seus passatempos favoritos. Entre os seus livros favoritos estão "Harry Potter" (é claro), "Na Natureza Selvagem", "Orgulho e Preconceito" e "A Menina Que Roubava Livros". Também é apaixonada por séries, cinema e fotografia. Escreve também para o site www.expressocultural.com.


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  1. segunda-feira, 19 de maio de 2014.

    Tenho muita curiosidade em ler esse livro. Todas as resenhas que leio dele, deixam um quê de mistério no ar.
    Excelente resenha!

    Minhas Impressões

    Minhas Impressões

  2. sábado, 24 de maio de 2014.

    Este livro me parece bastante interessante e do gênero que gosto, amei . Essa resenha me deixou com vontade de compra ele agora vou procura-ló.
    obrigada pela dica, Bjus !

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