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Avaliação: 4/5 Editora: Saída de Emergência Brasil/ Cortesia ISBN: 9788567296067 Gênero: Fantasia Épica Publicação: 2014 Páginas: 368 Skoob

Um livro que foi lançado em 1990 e 24 anos depois continua bastante atual. É assim que defino Tigana, a narrativa épica escrita pelo canadense Guy Gavriel Kay. Nesta primeira parte – A lâmina na alma – somos apresentados a um mundo bem diferente do nosso e a personagens bastante singulares. Tigana é uma nação oprimida por conquistadores que, por vingança, tiraram o direito do povo de saber o nome de sua própria terra. Com o intuito de recuperar a identidade perdida e destronar os tiranos que governam a Península da Palma, o príncipe de Tigana, Alessan, reúne um pequeno grupo e segue em busca de liberdade.

O começo da história é bastante confuso. São diversos nomes, tanto de personagens, quanto de locais, que confundem o leitor. Porém, ao decorrer da história, vamos conhecendo um a um e descobrindo a importância de cada um para a trama. Ali, todos têm a sua importância. Narrado em terceira pessoa, o livro não foca apenas em um núcleo de personagens. Somos agraciados com diferentes pontos de vistas, o que ajuda na compreensão da narrativa. Essa primeira parte funciona como uma introdução. Em A lâmina da alma nós descobrimos quem são e porque são importantes os personagens da história, assim como vamos descobrindo o que aconteceu com a terra que teve seu nome banido. Conhecemos Alessan, o misterioso príncipe de Tigana e líder do grupo que está em busca de liberdade; Baerd, braço direito de Alessan e de lealdade admirável; Catriana, a linda ruiva de personalidade forte; Dianora, que teve que renunciar a muitas coisas para ter sua terra de volta; entre tantos outros.

Para mim, o personagem mais importante da trama é Devin. Devin é um jovem que não tinha muitas preocupações na vida. Era sócio em um grupo itinerante, com quem cantava em diversos eventos ao redor da Península da Palma. Entretanto, de uma hora para outra, descobre que sua terra é Tigana e envolve-se com a missão de Alessan. O personagem gera uma identificação muito grande, porque, assim como nós, vai descobrindo sua origem aos poucos e desvendando os integrantes de sua equipe junto conosco. Além disso, o crescimento do personagem ao decorrer da trama é bastante notável. Conforme vai compreendendo seu povo e história, Devin vai amadurecendo e passando de jovem a adulto.

Apesar de não ter muita ação, a narrativa não é lenta. Todos os capítulos são fundamentais para o entendimento da história e Guy Gavriel Kay tem o dom de narrá-los com uma extrema riqueza de detalhes sem deixá-los cansativos. Um dos pontos altos do livro, assim como destacado pelo editor da obra, é o fato de que nenhum personagem é totalmente bom ou mau. Cada um deles tem seus defeitos e virtudes, o que os torna ainda mais reais e faz com que nos identifiquemos um pouco com cada um.

Tigana é uma aventura épica com problemas que se transpõem à Península da Palma. Encontramos Tigana em todas as terras e povos oprimidos que sonham com o dia em que poderão se libertar. Encontramos Tigana na ocupação da Alemanha sobre a Polônia e sobre outros povos durante a 2ª Guerra, encontramos Tigana na luta de Mandela contra o apartheid na África do Sul, e em tantas outras situações. Felizmente, as que citei ficaram no passado, mas não é difícil lembrar de casos que acontecem ainda hoje. O livro é e continuará sendo muito atual. Por mais que o tempo passe, os problemas e dilemas ali narrados são facilmente correlacionados à nossa realidade.

Para quem deseja uma ótima aventura que provoque bastante reflexão, não hesito em recomendar Tigana. O livro vai muito além do entretenimento. Além disso, a edição, feita pela Saída de Emergência, está bem bonita. Apesar de eu não ter gostado muito da capa com o guerreiro, por dentro o livro está impecável, com um mapa lindíssimo, uma ótima diagramação e sem nenhum erro. Parabenizo também a editora pela Coleção Bang!, que deseja se tornar a melhor coleção de literatura fantástica do Brasil e pretende trazer obras que mexam com a nossa cabeça. A julgar por Tigana, a coleção vai longe 😉 Espero ansiosamente pela continuação!

” E Dianora pensara, enquanto a sua visão sentir a dor daquela ausência: o que é uma pessoa que segue seus dias como sempre fez, que fala, anda e trabalha, que come, faz amor, dorme às vezes até conseguir rir, mas cujo coração foi cortado e arrancado de seu corpo? Nenhuma cicatriz fora deixada à vista. nenhuma ferida, pela qual pudessem se lembrar do golpe da lâmina.”

“A honra de um governante, e assim como seu dever, repousa no cuidado que dedica à sua terra e ao seu povo. essa é a única forma de medida verdadeira. E o preço, ou parte do preço desses atos, vem quando precisamos nos voltar contra as necessidades da própria alma e fazer coisas que nos causarão mágoa até o cerne do nosso ser.”


Sobre o autor
Camila Tebet Camila Tebet, 22 anos (05/06) – Paraná Jornalista, tem a literatura como uma de suas paixões. Acredita que os livros têm o poder de transformar e falar sobre essa arte é um de seus passatempos favoritos. Lê de tudo um pouco, mas os gêneros de que mais gosta são os romances românticos e chick-lit. Entre os seus livros favoritos estão "Harry Potter" (é claro), "Na Natureza Selvagem", "Orgulho e Preconceito" e "A Menina Que Roubava Livros". Também é apaixonada por séries, cinema e fotografia. Escreve também para o site www.expressocultural.com.


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  1. quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014.

    Queria muito ler esse livro, parece ser bom!!

  2. segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014.

    Adorei o design dele, a capa já é apaixonante. Gostei da sua resenha mas esse gênero não é o que eu mais gosto, quem sabe um dia eu dê uma chance…

  3. sexta-feira, 23 de maio de 2014.

    ADOREI A RESENHA, UMA HISTÓRIA FASCINANTE.

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