terça-feira, 17 de Abril de 2018

AVALIAÇÃO: 5/5 
EDITORA: HARPER COLLINS, CORTESIA
ISBN: 9788595081710
GÊNERO: DRAMA
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 336
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QUE. LIVRO. F****. Não é o jeito tradicional que se inicia uma resenha, mas talvez sejam as palavras corretas para demonstrar todo o sentimento que tive durante a leitura. Vacas foi um livro que chegou, ofereceram para mim e ficou alguns meses na estante, esperando para ser lido. Eu não sabia absolutamente nada da história, tampouco da autora ou algo do gênero. Não sei bem o motivo para que isso acontecesse, talvez pelo fato de surgirem outras leituras desejadas na frente, fazendo com que ele fosse ficando na estante. Mas sabe, depois que iniciei e embarquei nessa viagem, penso apenas uma coisa: QUE LEITURA NECESSÁRIA!

Tara é uma mulher na casa dos quarenta anos que divide o tempo entre cuidar sozinha da filha, Annie, e trabalhar como produtora de TV, onde tem que lidar com o machismo cotidiano dos seus colegas de trabalho. Mãe solteira, nunca contou ao pai de Annie sobre a existência da filha. Camila Stacey é uma mulher bem sucedida profissionalmente, mantém um blog de estilo de vida e conta com milhares de seguidores, tornando-se um ícone para sua geração. Tem um pensamento um pouco diferente das pessoas ao seu redor, principalmente no que tange ao ser mulher na atualidade, o que causa sempre certa polêmica, mas é decidida no que quer, até na hora de escolher o homem que quiser. Stella, por sua vez, vive assombrada pela doença genética que matou sua mãe e irmã no passado, sobre a qual ela tem fortes chances de ser acometida. Namora Phill e seu desejo é ser mãe, mas sabe dos riscos que a doença pode trazer à sua vida. Três mulheres, com suas histórias de vida, que se vêm envolvidas num acontecimento que as deixarão muito unidas, entre a catástrofe e a busca por inspiração, além de levantar uma série de questões problemáticas de nossa sociedade.

Mostrei-me empolgado com o início da resenha e espero conseguir dar conta de falar sobre todos os pontos da leitura. Com uma narrativa repleta de drama e uma certa ironia, Dawn apresenta a história de três mulheres bem diferentes, com cenários diferentes do feminino na sociedade. O próprio título do livro, incluindo o trecho “nem toda mulher quer ser princesa”, diz muito do que esperar da história. Tara, Camila e Stella são três personalidades totalmente diferentes, mas com um desejo em comum: fugir dos padrões. Arrisco dizer que me identifiquei mais com Camila e Tara, principalmente pelas suas atitudes e decisões, apesar de tentar entender um pouco o lado de Stella, mas não concordando com o que ela fazia. Dawn escolhe a dedo, e se torna feliz com isso, realidades totalmente diferentes, colocando em cheque que é ser mulher na sociedade atual. Machismo, feminilidade, maternidade e preconceito são apenas alguns temas que estão presentes na história com um sarcasmo que torna a leitura ainda mais irreverente.

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AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: TINTA NEGRA, CORTESIA
ISBN: 9788563876546
GÊNERO: CONTOS
PUBLICAÇÃO: 2014
PÁGINAS: 72 SKOOB

Recebi com muita empolgação esse título. Primeiro porque aqui em casa temos três cachorros que aprontam muitas situações divertidíssimas, Mikka (labradora), Luke (pit bull) e Zoe (pastora suíça) e em segundo porque aprecio a leitura de contos e de imediato fiquei curiosa em conhecer as histórias de Silvia Parisi.

A edição está uma fofura, impossível para quem gosta de cachorros não se apaixonar pelo trabalho da Traço Design. O fundo recebeu a mistura de verde e azul, um tom lindo, cheio de poás brancos, com dois cachorros dachshund, os famosos salsichinhas, em marrom.

As abas internas, orelhas do livro, têm patinhas caninas e o fundo listradinho. Nas páginas internas, sumário, páginas finais e contracapa também encontramos outros cãezinhos de raças diferentes, um mimo.

O livro é composto por 16 contos e neles encontramos os mais variados nomes para os bichanos: Thor, Sissi, Freud, Mike, Toby, Samba, Toquinho, Habib, Pokémon, Fumaça e Pipoca.

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Alguns contos estão bem divertidos, outros porém não me agradaram tanto. Selecionei os meus quatro prediletos:


Juntos até que o cão os separe – Gina e Marcos estavam felizes casados, mas tudo mudou com a chegada de Thor.

“Nos dias que se seguiram, Gina passou a olhar aquele cãozinho de modo diferente. Acostumada a ter a atenção total do marido apaixonado, agora tinha que dividir tudo com “aquele bicho”.”


The dog from Ipanema – Uma grande confusão acontece quando dona Vilma leva sua cachorra Sissi à praia.

Ignorando a proibição de animais na praia, a desavisada vovó resolveu proporcionar a Sissi uma surpresa: conhecer o mar.


A reunião – Todos tem medo de pit bull, fato, então uma Assembleia Extraordinária é realizada para decidir o destino de um cão.

“O dono do cachorro ficou à porta do salão e começou a reclamar da perseguição, afinal, naquele edifício havia pinschers que latiam sem parar, shnauzers que atacavam e até um ‘salsicha’ que vivia fazendo xixi no elevador. Para isso ninguém ligava.”


Encontros – Um lindo conto de amor que começou com o carimbo de patas de cachorro em uma roupa branca.

“Rosana não sabia se olhava a roupa, o cão, o homem misterioso ou acompanhava o riso da meninada.”


A paulistana Sissi Parisi é veterinária e ama tanto sua profissão que também escreve artigos, já lançou uma coleção de livros sobre cães e mantêm um portal na internet. A prova de seu amor é a foto dela na orelha da quarta capa, Silvia está com três lindos e fofos cachorros.

“Tudo ia bem para o cãozinho quando um fato marcante aconteceu em sua vida canina: a dona, sem consultá-lo, resolveu ter um bebê. Isso foi atrevimento demais para ele.”


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E você, também gosta de cachorros? Já leu algum outro livro com esse tema?

segunda-feira, 2 de Abril de 2018

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: ZIT EDITORA, CORTESIA
ISBN: 9788579331237
GÊNERO: INFANTOJUVENIL 
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 32 SKOOB

Recebi este livro lindo para avaliação e, como sempre, a Zit Editora nos surpreende com uma edição infantojuvenil rica, caprichosa e que aborda o luto de forma delicada e lúdica, com uma linguagem realmente voltada para o público infantil.

O menino achava que a casa era preta. Aquela em que ele, a mãe e o pai foram morar logo depois da enorme dor causada pela morte de sua irmã, mais velha que ele. Será que a casa era preta mesmo? Ou a dor do menino é que a pintou dessa cor?

O livro é de poucas palavras, a cada folha virada, nos deparamos com um pequeno texto, bastante profundo e real. Escrito em terceira pessoa, a escritora mostra a visão de Arthur ao se mudar para a nova casa, a falta que sente da irmã; os fantasmas e monstros que moravam com eles na casa; o olhar dos pais mais tristes do mundo…

Em meio a toda esse sofrimento, percebemos como o pequeno Arthur foi lidando com tudo, as recaídas naturais durante o processo.

A metáfora é usada para exemplificar os momentos difíceis que nosso corajoso personagem suportou.

“…e chorava até seu choro se transformar em um oceano de lágrimas, onde ele navegava remando e levando suas palavras para lugares bem distantes.”

O livro foi escrito pela carioca Fátima Geovanini, ela é psicóloga, psicanalista, doutora em bioética e especialista em cuidados paliativos. A história foi inspirada em fatos reais, não sabemos se foi baseado na perda da Giovanna, filha da autora a quem ela dedica o livro, além de seu filho Antônio, ou se foi baseada em toda a experiência que ela carrega por ter uma profissão que lida com situações de luto e dor, ou ainda uma mistura de tudo isso. De qualquer forma, temos um livro muito importante, sou favorável à utilização desse tipo de literatura com as crianças, por ser uma excelente estratégia para abordar assuntos mais difíceis, até porque elas mesmas demonstram curiosidade em temáticas desconhecidas e ou pouco comentadas.

Não posso deixar de mencionar as ilustrações fabulosas de Juliana Pegas, já estou apaixonada pela criatividade e pelo traço marcante dessa designer gráfica carioca.

A capa é preta fosca, com o contorno dos monstros e fantasmas em preto brilhante. Nas capas internas temos os monstros e fantasmas, porém em tons claros de amarelo. Todo o trabalho de Juliana está lindo, as cores que usou e a forma como utilizou as cores foi excelente.

Você leria esse livro? Você já leu algum outro livro com essa temática para crianças?


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sexta-feira, 23 de Março de 2018

À convite da Companhia das Letras fui assistir a pré-estreia do filme “Pedro Coelho”, nessa sexta-feira (16/03/2018), no Cinemark do Shopping Eldorado, aqui em São Paulo.

O filme é baseado na obra da autora Beatrix Potter, que é conhecida principalmente por dar vida às aventuras do coelho mais levado do mundo. Eu não li o livro, mas quando era novinha assistia a série animada na TV Cultura, Petter Rabbit. Achei um pedacinho aqui para você ver se lembra também.

Beatrix Potter nasceu em 1866 e desde pequena gostava de viver observando a natureza, inclusive os animais. Imaginem a dificuldade de lançar um livro nessa época, levando em consideração

Livro

empecilhos sociais. Mas ela não desistiu, mesmo depois de tantas negativas seu primeiro livro foi lançado em 1902 e foi um sucesso de vendas! E como toda boa história… não acaba por aí! Ela inovou patenteando um boneco de pano do seu personagem principal, além de fazer um jogo de tabuleiro e pensar em outras peças para comercializar. Será que podemos dizer que a a ideia de existir mimos de personagens que amamos teve início com a Beatrix? 😮 #arraso! Mas precisamos de uma pesquisa histórica para ter certeza.

Bem, vamos a história do filme: Pedro, o coelho, vive com suas irmãs trigêmeas e seu primo Benjamin em uma buraco no tronco de uma árvore em frente a horta/jardim do Seu Gregório, o velho mais ranzinza da face da terra, que mesmo esbanjando comida em seu quintal não quer dividir nada com os animais que vivem em volta. Mas isso não impede Pedro de tentar invasões planejadas para conseguirem pegar toda comida que precisam e ainda escaparem vivos do Seu Gregório.

As peripécias dos jovens coelhinhos não acabam mal graças a bondosa Bea, a vizinha do Sr. Gregório, pintora e amante de animais que sempre os protege de virar recheio de torta. É isso mesmo! Disse que Sr. Gregório não é do bem! rs

Foto divulgação Sony Pictures

A trama muda um pouco com a chegada de um parente mais novo do Sr. Gregório, o Thomas. Agora, além de disputar o jardim, Pedro e sua turminha tentarão disputar a atenção da bondosa Bea.

O filme é muito espirituoso, assim como seu protagonista Pedro. Várias risadas encheram o cinema com um público de adultos e crianças. As sacadas e piadas não são forçadas e mantém um bom ritmo até o final do filme.

E gente do céu! Que animação caprichada é essa?! Em misto filme e animação live-action 3D que ficou hiper realista! Não só as características dos animais, seus movimentos e detalhes… Não só isso! Prestem atenção no vento batendo nos pelos dos personagens, por exemplo! Perfeito! Sony Pictures: Arrasou!

Final de sessão e ainda ganhamos um mimo: uma cenoura – Recheada de ovinhos de chocolates! hummmm

Cine Cabine com Companhia da Letras

 

Indico um passeio ao cinema para levar a garotada. Adultos em galera ou mesmo sozinhos com certeza vão curtir e apreciar essa produção. Estreia 22 de março nos cinemas.

Bom filme!

segunda-feira, 19 de Março de 2018

Avaliação: 4,5/5
Editora: Intrínseca, Cortesia
ISBN: 9788551002858
Gênero: livro-reportagem
Publicação: 2018
Páginas: 248
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Daniela Arbex já apareceu outras duas vezes no Viagens de Papel. A primeira, com o livro Holocausto Brasileiro (um dos melhores que já li). A segunda, com Cova 312. Arbex é uma jornalista brasileira, trabalha há 22 anos como repórter especial do jornal Tribuna de Minas. Ela já ganhou inúmeros prêmios por suas investigações e seus dois livros-reportagem mencionados anteriormente também receberam grande destaque. Em 2018, ela lançou, junto à Intrínseca, o livro Todo dia a mesma noite – a história não contada da boate Kiss.

No ano em que a tragédia de Santa Maria completou cinco anos, Arbex publicou um relato sensível, que reconstitui histórias de uma dor que nunca irá passar. Lembro até hoje do dia em que aconteceu a tragédia. Eu estava na praia com os meus pais, tinha 19 anos na época, estava começando a sair para baladas e bares com as amigas. Na época, o incêndio foi muito impactante para mim pois pude me imaginar no lugar daqueles jovens, que só estavam querendo se divertir e tiveram seus sonhos interrompidos. A repercussão do incêndio gerou uma série de novas medidas de segurança no Brasil inteiro, mas ainda hoje, quando vou à ambientes fechados e escuros, fico um pouco tensa pensando se realmente é possível escapar daquele lugar se algo acontecer.

É por esse motivo que o livro de Daniela Arbex é tão importante. A partir de todas as tristes histórias que ela resgata, ela questiona o porquê de tudo aquilo ter acontecido e faz um alerta sobre a impunidade dos responsáveis. São 16 capítulos em que ela relembra, com duras palavras, tudo o que aconteceu, dando detalhes que eu já havia me esquecido – ou até mesmo nem tinha conhecimento, e fala sobre como aquele acontecimento afetou a cidade de Santa Maria e todo o país.

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sexta-feira, 16 de Março de 2018

AVALIAÇÃO: 3,5/5
EDITORA: SEGUINTE, CORTESIA
ISBN: 9788555340512
GÊNERO: JOVEM ADULTO, MISTÉRIO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 278
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Pensando em trazer novas opiniões e apresentar para vocês novos olhares a partir de uma mesma obra, esta resenha seguirá um formato diferente. Logo abaixo, vocês encontrarão duas opiniões a respeito do livro Fraude Legítima.

Tayara Casemiro

Escrito pela autora E. Lockhart e publicado no Brasil pela editora Seguinte, o título Fraude Legítima nos conta a história de Imogen e Jule, duas grandes amigas que tem suas vidas entrelaçadas, e são protagonistas de uma história digna dos cinemas.

Imogen é uma jovem rica que nunca encontrou seu lugar no mundo, ela vive em busca de liberdade e principalmente, vive em busca de encontrar um lugar onde ela se sinta preenchida. Jule é uma fugitiva, uma garota que assume várias personalidades para conseguir sobreviver, e cria diversas histórias diferentes para preencher as lacunas em sua vida. As duas acabam se encontrando, e deste encontro uma intensa amizade surge, na qual ambas acabam sendo quebradas mais do que já eram.

Fraude Legítima não é um livro muito fácil de ser lido, demorei um certo tempo para entrar no ritmo da história e isso fez com que eu demorasse mais para terminar de lê-lo. A autora E. Lockhart fez neste título o que sabe fazer de melhor em seus livros, confundir os leitores. Toda a história é cheia de idas e vindas, somos levados ao passado e presente de Jule diversas vezes, a princípio isso pode confundir um pouco, mas conforme vamos entrando no ritmo, fica mais fácil acompanhar essas voltas no tempo.

Nada nessa história é como eu imaginei que seria, logo de cara sabemos sobre a morte de Imogen e somos inseridos na loucura que é a vida de Jule. A garota tem uma vida muito misteriosa, nada é comum em sua vida, e nas visitas ao seu passado vamos entendendo um pouco mais sobre sua ligação com Imogen, e sobre como as coisas acabaram terminando dessa maneira trágica.

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AVALIAÇÃO: 4,5/5
EDITORA: SUMA DE LETRAS, CORTESIA
ISBN: 9788573027143
GÊNERO: FANTASIA, FICÇÃO CIENTÍFICA
PUBLICAÇÃO: 2007
PÁGINAS: 816
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Mago e Vidro é o quarto livro da tão aclamada série Torre Negra e é aqui onde as coisas começam a ficar sérias – e boas de verdade. Já aviso de antemão que se você não leu os livros anteriores vai se sentir no mínimo meio perdido nessa resenha. Não que eu dê spoilers, mas é uma história longa, com muitos acontecimentos e se você não acompanhou até aqui não vai entender basicamente nada.

O livro começa basicamente do ponto onde o terceiro terminou e nos deparamos com o ka-tet de Roland em uma “batalha” com Blaine, que os desafia para um jogo de charadas onde eles só saem com vida se ganharem o jogo. Sendo Blaine uma máquina de inteligência artificial, é um eufemismo dizer que o jogo não será fácil.

Passado esse primeiro obstáculo – não direi como, mas digo que vai surpreender -, os amigos se direcionam para uma cidade chamada Topeka, em um tempo pós apocalíptico e é lá que Roland finalmente decide brindar aos seus companheiros (e a nós, leitores) contando uma parte de seu misterioso passado.

Não entrarei em detalhes pois sei que, como foi pra mim, o passado de Roland é algo que motiva a muitos de vocês para continuar a leitura da série e finalmente posso dizer que valeu a pena esperar! Roland nos conta sobre como o Feiticeiro enganou seu pai, sobre o desafio com Curt que o emancipou à vida adulta, sobre um embate entre pistoleiros, uma velha bruxa e até uma mulher que balançou o coração do nosso protagonista. Continue lendo »

quinta-feira, 15 de Março de 2018

AVALIAÇÃO: 4/5 ESTRELAS
EDITORA: RECORD, CORTESIA
ISBN-10: 8501109614
GÊNERO: SUSPENSE
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 322
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Norma foi um livro que me ofereceram ao acaso, sem eu realmente saber do que se tratava. Não conhecia absolutamente nada da história, da autora e ainda não sei se gosto ou não da capa dele. Iniciei totalmente sem nenhuma expectativa, sem ler nenhuma resenha, só sabendo sua sinopse. E terminei sem saber um diagnóstico preciso.

Norma Ross e sua mãe, Anita, sempre foram inseparáveis. A vida das duas estava unida pela relação familiar e por um segredo: os cabelos de Norma crescem de forma sobrenatural, sujeitos às menores mudanças de humor da jovem. Mas, quando Anita morre num suposto suicídio, Norma percebe que não há mais ninguém em sua vida. Vasculhando o apartamento da mãe, ela se depara com vídeos e fotos que mostram que a mãe sabia muito mais sobre sua condição do que dizia. Por isso, Norma inicia uma jornada em busca da verdade, que pode levá-la por um caminho tortuoso, sombrio e e sem volta.

A leitura de Norma foi rápida, de certa maneira, mas não houve a conexão que eu esperava. As primeiras cem páginas apresentaram um universo diferente, com personagens um tanto irreverentes. A narrativa se mostrou, desde o início, um tanto lenta, utilizando-se de recursos narrativos para dar consistência maior a história, além de não haver acontecimentos que me fizessem querer ir adiante. Temos a suposta morte de Anita, Norma buscando pistas sobre sua condição e um salão de beleza misterioso.

A proposta da autora se mostra um pouco diferente, mas durante a leitura não conseguiu fazer sentido para mim. Um dos comentários que se tem no verso do livro é que a história teria um certo ar de crítica social, o que acabei não encontrando (ou não conseguindo identificar) em nenhum momento. Do mesmo modo, esperava um certo mistério no ar, mas isso também não se concretizou na leitura. Para mim, ela se tornou um tanto confusa e sem nexo, fazendo com que eu não conseguisse me apegar aos personagens. Terminei o livro com a mínima empatia e em poucos dias já não lembrava direito sobre a história, salvo aquilo que anotara para fazer a resenha.

Apesar do livro não ter funcionado para mim, não quer dizer que ele não irá funcionar para outra pessoa. Pelas informações dadas, a autora e seus livros são bem premiados. Acredito que, para quem gosta do gênero, seja uma boa pedida. Para mim, a história não aconteceu.


AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: FÁBRICA 231, CORTESIA
ISBN-10: 8595170282
GÊNERO: DRAMA
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 352
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Eleanor Oliphant está muito bem foi um livro que solicitei ao acaso, sem conhecimento prévio ou algo do tipo. Por algum motivo, que não sei qual, tinha algo na capa que me chamava a atenção. Quando o livro chegou, fiquei animado pela leitura, apesar de ter demorado um pouco para iniciá-la. Depois da primeira página, só parei quando cheguei ao final.

Eleanor Oliphant é uma pessoa metódica e solitária, cuja total falta de habilidades sociais e ausência de filtro ao dizer o que pensa acabaram que fazendo com que ela se afastasse da sociedade. Sua vida se resume a ir do trabalho para a casa e vice-versa, sem amigos para sair ou programas para fazer. O máximo é sua planta de estimação, palavras cruzadas, pizza congelada, vodca e breves conversas ao telefone com a mãe, que está na prisão. Além disso, sua aparência peculiar a transforma em alvos de piadas no ambiente em que trabalha.

No entanto, para ela, tudo isso está muito bem: às vésperas de completar 30 anos, Eleanor está satisfeita com a vida que leva – seu trabalho é numa empresa de design gráfico onde ela atua na área administrativa. Eleanor nunca sentiu falta de uma vida normal pois nunca soube direito o que é ter amigos ou algo do tipo: desde criança acostumou-se a ter essa vida pacata. Só que as coisas começam a mudar quando nossa protagonista conhece Raymond, o novo funcionário de TI da empresa. Quando os dois, juntos, salvam a vida de Sammy, um senhor que desmaia no meio da rua, os três se tornam amigos que resgatam uns aos outros da vida de isolamento que vinham levando até então. Por fim, Raymond, com seu grande coração, irá ajudar Eleanor a revisitar traumas reprimidos do passado e encontrar o caminho para curar suas dores.

Eleanor Oliphant está muito bem é o tipo de livro que quando se inicia a leitura, não se dá muito por ele. Em alguns momentos, me lembrou Como eu era antes de você, da Jojo Moyes. Antes que me julguem, não estou dizendo que seja algo ruim. Pelo contrário. Ele começa de maneira leve e despretensiosa, sem grandes expectativas. É diferente de um suspense, que você sabe que em algum momento algo vai acontecer e em cima disso a história toda vai se desenvolver. Aqui é diferente. O livro inicia mostrando o cotidiano de Eleanor e aos poucos vai se desenvolvendo e mostrando a personagem que ela é. Pode até aparecer, pela sinopse, que se torne algo chato e entediante, afinal, a protagonista não faz nada, não interage com ninguém ou algo do tipo. Mas o que ocorre aqui é justamente o contrário. Eleanor se mostra cativante desde o princípio e essa relação próxima se prolonga até o final do livro.

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terça-feira, 13 de Março de 2018

AVALIAÇÃO: 4/5 ESTRELAS
EDITORA: GALERA RECORD, CORTESIA
ISBN: 9788501110084
GÊNERO: ROMANCE
PUBLICAÇÃO: 2017
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Ler Meg Cabot é sempre uma nostalgia e envolve aquele sentimento de conforto como se encontrássemos uma velha amiga. Uma autora que permeia toda minha trajetória como leitor, desde a mais tenra idade. E é sempre um prazer compartilhar de suas histórias. Não foi à toa o desejo que me deu quando foi anunciado o lançamento de O garoto está de volta no Brasil, fazendo com que solicitasse e logo realizasse a leitura. Só posso dizer uma coisa: que saudades que eu estava!

Becky Flowers e Reed Stewart tiveram um relacionamento na juventude até o dia em que acontece um escândalo na cidade, fazendo com que os dois se separassem e seguissem suas vidas. Reed se torna um jogador profissional e famoso de golfe, enquantoBecky constrói uma empresa para realocação de idosos. Anos depois, Becky está em um relacionamento firme com Graham, enquanto Reed vive viajando participando de torneios. Um acontecimento envolvendo os pais de Reed faz com que ele retorne à pequena cidade de Bloomville e dependa dos serviços de Becky. A princípio, a garota esqueceu o que Reed lhe causara na juventude. Mas será que o sentimento que ainda tem pelo jogador não vai falar mais alto?

Escrito totalmente em forma de e-mails, reportagens e bate-papo, O garoto está de volta mostra Meg Cabot no seu melhor jeito, trazendo elementos que tornam a leitura única e irreverente. Seu senso de humor deixa a leitura fluida e rápida de ser feita. Além disso, as situações que ela coloca para seus personagens tornam a história muito mais divertida. Comecemos pelo ponto de partida, quando os pais de Reed tentam pagar um jantar com um selo que a princípio valia uma fortuna, mas que depois descobre-se que não passava de quatro dólares. Detalhe: os pais dele têm um hábito costumeiro de colecionar coisas aleatórias, e em grande quantidade. Unidos ainda do intuito de Beverly, mãe de Becky, de fazer um protesto para ajudar os pais de Reed, considerados pessoas importantes da cidade e que estavam sofrendo um boicote… Tudo isso torna a narrativa maravilhosa, fazendo com que as páginas voem sem nem mesmo a gente perceber. Confesso que às vezes sentia a falta de uma escrita “normal”, e não no formato que o livro é apresentado, mas isso não estragou a leitura em nenhum momento.

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