AVALIAÇÃO: 5/5         EDITORA: GALERA RECORD, CORTESIA                             ISBN: 9788501110008 GÊNERO: FANTASIA , JOVEM ADULTO                         PÁGINAS: 322       PUBLICAÇÃO: 2017         SKOOB

Esse é o segundo – e tão aguardado – tomo do livro Império de tempestades. Se você não leu o tomo anterior, recomendo que não leia essa resenha, pois pode haver alguns spoilers (culpem a editora por dividir a história!). Após quase morrer do coração com tanta adrenalina no livro anterior, esse começa ligeiramente mais calmo, pensado pra dar ao leitor algum fôlego antes de voltar com tudo na adrenalina mais pro meio do livro. Depois do primeiro tomo achei que não poderia ficar melhor, mas eis que me enganei (mais uma vez) com Sarah J. Maas. Ela acabou de concluir com sucesso sua missão de destruir meu psicológico e meu coração com esse livro.

Após conquistar um aliado mais que improvável – e um antigo inimigo – Aelin deu mais um passo na direção de seu objetivo, mas ainda há muitos problemas a serem enfrentados. Uma frota de guerreiros féericos da Rainha Maeve que se move ao seu encontro – não se sabe se para ajudar ou atacar -, uma bruxa que traiu as suas e se encontra ferida em seu barco, um enigma de Brandon para achar o fecho das chaves de Wyrd, e muitos outros aliados para conquistar se quiser vencer essa guerra. Planos devem ser traçados, estratégias tem que ser pensadas e dívidas devem ser cobradas se nossa rainha quiser seu trono de volta.

Como mencionei anteriormente, esse tomo começa um pouco mais lentamente, com menos ação e adrenalina do que o anterior – o que não torna o livro ruim! Começamos voltados um pouco mais à estratégias, à movimentação dos exércitos (da rainha e do inimigo), aos planos que devem ser traçados conforme os obstáculos vão surgindo. O grupo agora está maior e cada personagem tem que aprender a lidar com o outro, afinal os que anteriormente eram inimigos passaram a ser aliados e isso muda muita coisa

Aelin, que eu já achava ter amadurecido imensamente no primeiro tomo, se mostra ainda mais madura nesse segundo volume. Ela mostra que cresceu e que a menina mimada e arrogante que era lá no primeiro livro deu lugar a uma rainha que luta pelos seus, que sabe o que é auto sacrifício, o que é altruísmo e que está disposta a tudo por aqueles que ama – sem perder o sarcasmo, o senso de humor e a língua afiada características de Celeana (que eu adoro!). Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: GALERA RECORD, CORTESIA ISBN: 9788501109996 GÊNERO: FANTASIA , JOVEM ADULTO PÁGINAS: 364 PUBLICAÇÃO: 2017 SKOOB

Começo essa resenha dizendo que esse, dentre todos os textos que já escrevi na vida, foi o mais difícil até hoje. Talvez pelo tanto que eu gostei desse livro, talvez pela enorme quantidade de acontecimentos, reviravoltas e descobertas que ele nos proporciona que não sei nem por onde começar. Mas antes de entrar na história de fato, queria apenas comentar o quão desnecessário foi a separação do livro em duas partes – o quão anticlímax isso é, o quão frustrante para o leitor e fã da série. Ainda mais considerando a parte da história em que o Tomo 1 termina. Só queria avisar a você leitor que tenha os dois em mãos antes de começar a leitura, pois tenho a mais absoluta certeza que não vai aguentar se não tiver.

Império de tempestade – Tomo 1, nos mostra as várias frentes da batalha que está prestes acontecer. Por um lado temos uma Aelin marchando à Terrassen, sua terra natal, a fim de retomar sua coroa e angariar aliados para lutar contra Erawan junto com sua corte que conta com uma metamorfa e guerreiros féericos poderosos. Além disso, seguindo mais algumas mensagens enigmáticas de seus antepassados, ela vai atrás das outras chaves de Wyrd e seu fecho – únicas coisas capazes de realmente dar um fim em toda a guerra. Mas muitos obstáculos podem surgir nessa empreitada a começar pelos antigos aliados de sua família que não parecem dispostos a colaborar com sua causa. Ela se vê de repente sem poder retomar o que é seu de direito, sem aliados e com cada vez mais inimigos à sua volta.

Do outro lado temos Dorian, lidando com um reinado instável, uma magia que não sabe controlar e se vendo sozinho, tentando se encontrar sem ter Chaol e Aelin como seu suporte. E, além disso tudo, ainda está cercado de dúvidas sobre o que aconteceu em seu castelo e sua parte nisso, além de não tirar Manon Bico Negro da cabeça: uma bruxa que ele não sabe ao certo de qual lado está.

E falando em bruxas, Manon está cada vez mais incerta sobre o futuro e os objetivos das bruxas com quem luta. Tirando suas 13 ela não confia em ninguém e, ao ter a vida de sua imediata condenada pela própria avó, ela começa a perceber que não é tão vazia de sentimentos como as bruxas se vangloriam de ser, e que é capaz de muita coisa por suas treze. Ela começa a pensar se não está lutando pelo lado errado.

Além de tudo isso, temos Lorcan, que em seu caminho ao desfiladeiro Ferian, se encontra com Elide que está sendo caçada pelos demônios de Erawan ao ir em busca de sua rainha perdida – Aelin. Os dois se tornam aliados improváveis, com objetivos mais parecidos do que podem imaginar, sem saber que o que procuram é a mesma coisa. Elide se mostra uma menina muito forte nesse livro, ela finalmente desabrocha e se mostra mais inteligente do que podíamos imaginar, se torna uma personagem digna de admiração e que conquista seu lugar com muita luta e sangue. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 3/5
EDITORA: GUTENBERG
ISBN: 9788582352953
GÊNERO: ROMANCE, FANTASIA, JOVEM ADULTO
PUBLICAÇÃO: 2015
PÁGINAS: 320
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Atenção: essa resenha pode conter spoilers do volume anterior!

Depois de adiar por muito tempo, finalmente li a continuação de A Escola do Bem e do Mal. Eu havia terminado o primeiro livro com muita vontade de saber o que aconteceria, mas também com muito medo do que estaria por vir, já que o livro acabou de uma maneira muito inesperada e que deixava o destino das nossas protagonistas totalmente às escuras.

Para minha grande surpresa e alívio, o início de Um mundo sem príncipes nos entrega sem enrolações tudo o que aconteceu no momento em que Agatha escolheu Sophie ao invés de Tedros, e todas as consequências geradas por essa decisão inesperada. Agora nossas protagonistas estão de volta à Gavaldon, tentando seguir em frente e tentando levar uma vida normal após as aventuras vividas no mundo dos contos de fadas.

Mas como nem tudo são flores, as garotas não conseguem fingir por muito tempo que estão felizes com suas vidas no povoado, e Agatha em um momento de tristeza acaba desejando estar ao lado de seu príncipe. Esse desejo, faz com que Agatha e Sophie acabem tendo que voltar à Escola onde encontram um cenário totalmente novo, já que a escolha de Agatha no primeiro livro fez com que o mundo mágico se transformasse, e agora os príncipes são inúteis e a Escola se transformou em uma escola só para meninas, regida por uma mulher misteriosa chamada Evelyn.

Nessa nova realidade a amizade das garotas é posta à prova mais uma vez, já que agora elas precisam decidir o que é mais importante, o amor ou a amizade. Esses conflitos internos estão presentes no livro inteiro, em todos os momentos nossas protagonistas estão na dúvida sobre o que é certo e o que é errado em seus desejos mais íntimos. Quem acaba sofrendo mais com tudo isso é Sophie, que tenta de todas as maneiras ser do Bem e enterrar cada vez mais fundo a bruxa que tenta diariamente tomar o controle de sua vida.

“Lágrimas de raiva pingavam nas asas de Sophie. Ela tinha perdido sua mãe. Tinha perdido seu príncipe. Não podia perder a única amiga também. Porque todos que ela amava tentavam deixá-la?”

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Trilogia Para todos os garotos que já amei, de Jenny Han

“Kitty está sempre dizendo que histórias de origens são importantes. Na faculdade, quando as pessoas perguntarem como a gente se conheceu, como vamos responder? A história curta é que passamos a infância juntos. Mas essa é mais a minha história com Josh. Namorados de escola? É a história de Peter e Gen. Então, qual é a minha história com ele? Acho que vou dizer que tudo começou com uma carta de amor.” (p. 299)

– Agora e para sempre, Lara Jean

A trilogia Para todos os garotos que já amei é de autoria de Jenny Han e foi publicada no Brasil pela Editora Intrínseca. Os livros, intitulados “Para todos os garotos que já amei“, “P.S: Ainda amo você” e “Agora e para sempre, Lara Jean“, acompanham a vida de Lara Jean, uma típica garota do ensino médio, que tem mais duas irmãs, Margot e Kitty, mais velha e mais nova que ela, respectivamente. Ambas moram com o pai, após a morte da mãe e mantém um relacionamento bem próximo. Apesar do livro ser focado em Lara Jean, é impossível não se afeiçoar as demais.

Tudo se inicia com a partida de Margot para a faculdade ao mesmo tempo em que conhecemos as três irmãs e suas personalidades totalmente diferentes. Enquanto que Margot era a mais determinada das três, Lara Jean era a mais sonhadora e Kitty a mais divertida. Aviso de antemão que não acho que ser sonhadora seja algo ruim, pelo contrário: acredito que é essa característica um dos pontos fortes para a história se mostrar desde o começo tão leve. Como nem tudo são flores, as coisas começam a mudar quando algumas cartas, escritas por Lara Jean no ensino fundamental para garotos que ela se apaixonou, acabam sendo enviadas por alguém desconhecido. Logo, os destinatários vem conversar com a garota e a vida dela não é mais a mesma. Dentre eles, o namorado da irmã, Josh. Além disso, o astro dos esportes do colégio: Peter Kavinsky. Lara se vê no meio de uma confusão, ao mesmo tempo em que tem de dar conta das tarefas do ensino médio e pensar no seu futuro.

É um romance adolescente? É sim. É clichê? Também. Tem todos os elementos de um romance típico de ensino médio? Com certeza. Vale a pena? Fazia tempo que não me divertia tanto e me sentia tão bem ao conhecer um novo universo. A escrita de Jenny se mostra desde o começo fluida e tranquila, fazendo com que o leitor queira estar junto das irmãs Song e saber o que acontecerá com elas. E os personagens tem grande parcela de culpa nesse processo. Muito mais que um romance adolescente, Jenny Han consegue lidar com relacionamentos familiares, principalmente entre as irmãs, paralelos a problemas e obstáculos que a própria faixa etária acaba passando. Não foram poucas as vezes que me peguei rindo com as tiradas de Kitty, querendo dar umas sacudidas com Margot e suspirando com Lara. Quando não era tudo junto e misturado. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: INTRÍNSECA
ISBN: 9788580573299
GÊNERO: ROMANCE
PUBLICAÇÃO: 2013
PÁGINAS: 320
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O que uma escolha pode definir em nossas vidas? Talvez essa tenha sido a questão central vivida pela protagonista de Como eu era antes de você, da Jojo Moyes, Louisa Clark. Ao conhecer Will Traynor, Lou não imaginava o quanto sua vida mudaria, ou o quanto ela própria mudaria. E começo essa resenha com essa reflexão pois ela faz parte de nossas vidas. Quantas escolhas fizemos? Que caminhos tomamos que muitas vezes não é o correto para muitos, mas para o nosso interior é o que devemos fazer no momento? Fizemos isso diante das circunstâncias da vida.

Louisa Clark tinha uma vida até instável: um emprego e um namorado (por mais que ela soubesse que lá no fundo não havia um sentimento de amor entre os dois). Aos 26 anos, isso mudou quando o café em que ela trabalhava fechou e, como consequência acaba sendo demitida. Sua família dependia inteiramente do seu salário e decidida, acaba indo procurar outro emprego. Surge a oportunidade para trabalhar como cuidadora de Will Traynor, um homem que tinha uma vida inteira pela frente e que sabia aproveitar cada momento dela, mas que após um acidente, fica preso numa cadeira de rodas, dependendo dos outros para qualquer necessidade, fazendo com que perdesse o sentido da vida. Louisa, ao se deparar com tal situação, não sabe muito bem como reagir. Só que o que ambos não sabem é que esse encontro mudará a vida de ambos, para sempre.

O primeiro contato com o escrita de Jojo Moyes ocorreu de maneira um pouco inesperada. Como eu era antes de você estava na estante há algum tempo esperando para ser lido. Mas sabe quando você acha que vai ser uma história melodramática e acaba postergando a leitura? Já havia lido algumas resenhas dos livros da autora, elogiando suas tramas, mas que de alguma maneira, destacavam a presença do drama. De qualquer forma, decidi dar uma chance. E foi sem dúvidas uma surpresa.

A história começa num ritmo calmo e tranquilo, cativando o leitor. Conhecemos Louisa, sua rotina, suas manias, sua família e seus amigos. Em certo momento, aparece Will, com todo o seu passado. O primeiro encontro não é o que mais se esperaria de um romance, já que Will se mostrava reticente quanto a presença de Lou. No momento, como nem tudo na vida são flores, não seria por isso que desistiríamos nas primeiras páginas. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: INTRÍNSECA, CORTESIA
ISBN: 9788580579727
GÊNERO: CONTOS, ROMANCE
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 240
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Quem já teve a oportunidade de ler algo da autora Jojo Moyes, sabe que ela constrói romances emocionantes, que sempre apresentam histórias bonitas, capazes de arrancar muitas lágrimas. Um dos exemplos é “Como eu era antes de você“, que virou filme no ano passado. O novo lançamento da autora no Brasil é Paris para um e outros contos, publicado pela Editora Intrínseca. Aqui, é possível conhecer um outro lado da autora, já que a obra traz alguns contos publicados por ela.

O título do livro é o mesmo do primeiro conto, que é, sem dúvidas, o principal. São cerca de cem páginas para essa história, que envolve e deixa a gente roendo as unhas e torcendo pela protagonista Nell. A jovem planeja há meses um fim de semana romântico com o namorado em Paris, mas quando chega no dia, ele dá para trás. Ela acaba viajando e só descobre que ele não vai mais quando já está na cidade desconhecida, enfrentando todos os seus medos e inseguranças de se ver sozinha em uma situação como essa.

Assim, Nell precisa refletir sobre como deve agir frente à essa situação. Se volta para casa ou aproveita o momento, deixando de lado todos os seus receios. A partir do momento em que toma a decisão, Nell se abre para um mundo completamente novo, descobrindo a cidade das luzes e redescobrindo a si mesma. Por ser o conto mais desenvolvido do livro, foi o meu favorito. Ele traz diversos elementos, como a viagem para Paris, romance, uma jornada de autodescobrimento, valores da amizade, entre outros, tudo isso com uma narrativa leve, deliciosa. Claro que após tantos obstáculos, Nell tem seu final feliz.

Quando parti para os outros contos, fiquei um pouco decepcionada, pois só o primeiro e o último se passam em Paris, e quando iniciei a leitura achei que todas as histórias tivessem relação com a cidade. Ainda assim, foi interessante descobrir esse outro lado da autora. Os outros contos do livro são bem curtinhos, com cerca de quatro páginas cada, e apresentam um lado “mais real” da vida, em que nem tudo dá certo o tempo todo, nem tudo sai conforme o esperado. Continue lendo »

quarta-feira, 12 de julho de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788535921939 GÊNERO: ROMANCE, FICÇÃO HISTÓRICA, LGBT
PUBLICAÇÃO: 2012
PÁGINAS: 302 SKOOB

O pacifista nos conta a trajetória de Tristan Sadler, um jovem homossexual de origem humilde, cuja dificuldade de aceitação do pai por sua opção sexual o obriga a sair de casa e a alistar-se ao exército aos 17 anos. Após o confinamento, nosso protagonista conhece Will Bancroft. Os dois são amigos, amantes e ao mesmo tempo inimigos. A relação entre eles é ambígua e se deteriora durante a guerra. Entre idas e vindas, Will falece. Algum tempo depois, Tristan vai em busca da irmã de seu amigo, entrega as cartas deixadas por Will e lhe revela um grande segredo.

A história se desenvolve na Inglaterra de 1916, sediada na Primeira Guerra Mundial. A narrativa aborda os horrores da guerra, no entanto, o foco está nas experiências de vida de dois jovens soldados nas trincheiras, o romance que se instaurou entre eles, a dificuldade de esconderem suas verdadeiras identidades e a busca por compreensão e redenção. Nesta época, o preconceito se faz presente, porém de modo mais abrangente e aterrorizador. Muito se fala da homossexualidade e as barbáries cometidas por indivíduos incapazes de respeitar a diversidade e a opção de vida de seus semelhantes. Não são poucos aqueles que são extremamente conservadores e ditadores da moral e dos bons costumes. Boyne não poupa palavras para demonstrar o quanto a guerra e o preconceito são igualmente sangrentos e cruéis.

A questão histórica no livro, como nas demais obras de Boyne, é muito bem ambientada e situada, as descrições são ricas e precisas. O desenvolvimento dos personagens não deixa a desejar, a história é detalhista e os sentimentos ali impregnados são palpáveis, a sensação de medo e sofrimento é, por vezes, esmagadora. O livro é dividido em flashbacks, o que acontece no presente e o que aconteceu no passado se entrelaçam para entendermos os conflitos vividos pelo protagonista, a narrativa em primeira pessoa também favorece o desenrolar da história.

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segunda-feira, 10 de julho de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: JOSÉ OLYMPIO, CORTESIA ISBN: 9788503013123 GÊNERO: CONTOS, CRÔNICAS, CLÁSSICO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 96 SKOOB

Cenas londrinas é um dos últimos lançamentos no Brasil escrito pela Virgina Woolf. O livro é uma coletânea de ensaios publicados originalmente na revista Good Housekeeping. A autora os escreveu na primavera de 1931, e eles foram publicados bimestralmente a partir de dezembro daquele ano e no decorrer de 1932. Com a inclusão da sexta cena, “Retrato de uma londrina”, os seis ensaios sobre a vida de Londres foram publicados juntos pela primeira vez. As primeiras cinco vinhetas foram reunidas antes – na América, por Frank Hallam, numa edição limitada, apenas 750 exemplares (1975), e, no Reino Unido, pela Random House (1982), sob o selo da Hogart Press, que os próprios Leonard e Virginia Woolf fundaram em 1917.

Como o próprio título já sugere, acompanhado de algumas notas do editor que facilitam o entendimento do leitor para com o livro, Cenas londrinas traz reflexões da autora sobre alguns lugares ou experiências ocorridas pelas ruas de Londres. Perpassa grandes homens, mas também cidadãos comuns, oferecendo ao leitor visão original, clara e atraente do movimento orgânico das ruas.

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AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: JOSÉ OLYMPIO, CORTESIA ISBN: 9788503013116 GÊNERO: CONTO, CRÔNICA, CLÁSSICO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 96 SKOOB

Bartleby, o escrivão, originalmente publicado em 1853, foi escrito pelo estadunidense Herman Melville, mesmo autor do mundialmente conhecido “Moby Dick“. Recentemente foi relançado pela Editora José Olympio.

Bartleby, o escrivão é uma obra curta e simplória, todavia sua simplicidade a torna confusa. Inicialmente a história não tem pé e nem cabeça, parece desconexa, não faz o mínimo sentido. Como assim? Pois bem, o autor nos insere num acontecimento corriqueiro do dia a dia – ninguém fica parado. Para sobrevivermos precisamos trabalhar, ainda não fazemos fotossíntese, infelizmente dinheiro não dá em árvore. Certo? Esse trecho parece confuso? Mas, a obra é confusa, perturba o leitor, o deixa indignado e perplexo, principalmente com o desfecho da trama e a peculiaridade do personagem principal – Bartleby.

O livro é narrado por um dos personagens, o advogado. O leitor vivencia um breve período da vida deste advogado e seus outros empregados, cujas manias e personalidades o incomodam, num escritório situado no Wall Street. A rotina é tumultuada, a demanda de trabalho cresce e assim se faz necessária uma nova contratação. Cansado, o advogado decide contratar alguém que não perturbe ainda mais seus nervos. A partir daqui, Bartleby entra na rotina dos demais – é o novo escrivão – uma máquina de cópia humana e extremamente eficiente.

O advogado estava satisfeito com sua contratação, a existência de Bartleby era quase imperceptível aos que ali chegavam. Porém, o seu comportamento era estranho, além da sua função, ninguém o via fazer absolutamente nada.  A falta de interesse de Bartleby pela vida a sua volta despertou a indignação do advogado, mas inicialmente deixou passar. Até que um dia foi lhe designado outra tarefa e ele se recusou a fazê-la. Eventos como esse se sucederam, a resposta era sempre a mesma: “Preferia não fazê-lo”. Eis o ponto crucial da história. E o leitor ainda está na mesma. Boiando, perdido, curioso etc.

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sexta-feira, 7 de julho de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA
ISBN: 9788535929041
GÊNERO: NÃO FICÇÃO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 277
SKOOB

O Dr. Drauzio Varella é muito conhecido pela população brasileira. Isso se dá pelo trabalho ímpar que ele desempenha na sociedade: médico e voluntário praticamente sua vida inteira. Além de aparecer em alguns quadros sobre saúde em programas de TV que são acessíveis para todo Brasil. Para mim, ele é uma referência confiável e amiga quando se trata de saúde. Sério mesmo!

O livro Prisioneiras encerra uma trilogia iniciada em 1999 com o livro “Estação Carandiru” que narra a vida e as histórias da penitenciária masculina do Carandiru, SP, em que Drauzio foi voluntário por treze anos. A obra lhe rendeu o prêmio Jabuti de não ficção e uma versão cinematográfica nas telas do cinema. O livro seguinte foi “Carcereiros”, que após a rebelião e massacre sangrento na Penitenciária do Carandiru, Drauzio se encontrava com os amigos que eram carcereiros e isso lhe rendeu muitas conversas e o livro.

Em Prisioneiras, o autor conta como foi o seu trabalho voluntário na penitenciária feminina de segurança máxima do Estado de São Paulo.

Eu não li os outros livros, mas Prisioneiras é livro de linguagem fácil, porém com histórias e descrições muito reais. Primeiro Dráuzio é direto: a penitenciária feminina é muito diferente da masculina. A mulher, quando “cai na cadeia”, é esquecida. Ela pode ser mãe, irmã, namorada, esposa de alguém, mas possivelmente será abandonada lá para cumprir sua pena na solidão. Em dias de visitas em penitenciárias masculinas há filas e até acampamento na madrugada para guardar o lugar das visitantes. Nas penitenciárias femininas isso não ocorre.

“Em quase trinta anos atendendo doentes em cadeias, jamais ouvi um desaforo, uma palavra áspera, uma reivindicação mal-educada. Às vezes, fica difícil acreditar que pessoas tão respeitosas com o médico tenham cometido os crimes que constam em seus prontuários. Profissão caprichosa a medicina, capaz de criar empatia mútua entre dois estranhos em questão de minutos.”

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