quinta-feira, 10 de Maio de 2018

AVALIAÇÃO: 3/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRINHAS, CORTESIA
ISBN: 9788574068176
GÊNERO: INFANTOJUVENIL
PUBLICAÇÃO: 2018
PÁGINAS: 112 SKOOB

Depois de gostar da lição ensinada no famoso “A árvore generosa“, recebi mais esse título do americano Shel Silverstein.

A edição de ambos, feita pela Companhia das Letrinhas, está bastante similar, com capa dura, folhas grossas, fonte e ilustrações simples traçadas em preto, sem cores.

Na maioria das páginas brancas, existe apenas uma frase, poucas são as que têm diálogos maiores. Por isso, a leitura é feita de forma rápida e dinâmica.

A história mostra o personagem principal em busca da parte que lhe falta para ser feliz. De cara percebemos as semelhanças com nossa frágil vida humana, com um cotidiano ora difícil, ora mais ameno, sempre vivendo intensamente a avalanche de sentimentos que nos cerca.

A busca por relacionamentos que nos preenche é uma realidade, mas será que estamos certos em agir dessa forma? Alguns envolvimentos sempre julgamos serem perfeitos, outras tentativas são feitas mesmo sabendo que existem grandes diferenças entre as partes. E quando finalmente encontramos alguém que parece nos completar de forma sublime, a relação é sufocante a ponto de esquecermos de tudo o que nos fazia feliz sozinhos, deixando de sermos nós mesmos, nos tornando algo que nos faz mal.

Fico admirada com o jeito de Silverstein, porque ele consegue fazer um livro para o público infantojuvenil ao mesmo tempo em que fala tanto com os adultos, nos dando uma verdadeira lição de vida e nos fazendo entender que a melhor forma de nos sentirmos inteiros é vivermos bem com nós mesmos.

Na primeira leitura não gostei do final da história, sou romântica na minha essência, mas depois reli o livro e entendi seu real significado, eu simplesmente amei!

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E você, já conhecia o autor? O que achou dos títulos?

 

quarta-feira, 9 de Maio de 2018

AVALIAÇÃO: 3/5
EDITORA: GALERA RECORD, CORTESIA
ISBN: 9788501110893
GÊNERO: FICÇÃO JUVENIL INGLESA; POEMA, POESIA FANTÁSTICA 
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 98 SKOOB

Pensa em um livro doido? É esse! Solicitei esse titulo impulsionada pela fama de Lewis Carroll com “Aventuras de Alice no País das Maravilhas”, nunca havia lido nada do autor e resolvi aproveitar a oportunidade oferecida pela Galera Júnior.

O livro lançado em 1876 conta, no decorrer de oito cantos (capítulos), por meio de estrofes de quatro versos cada, a história de uma tripulação composta por 9 pessoas e um castor que se aventuram em busca de um ser chamado Snark.

Para minha surpresa, me deparei com versos que em alguns momentos me deixaram bastante confusa por sua falta de nexo, ou minha vontade de tentar encontrar uma lógica no ilógico. A editora teve o cuidado de preparar o leitor para a obra, a introdução do ilustrador Chris Riddell já deixa claro que o estilo de Carroll é o nonsense, então, ao ler isso, de imediato lembrei de um outro livro infantil que eu li nesse mesmo estilo, O Lórax, de Sr. Seuss. Mas mesmo lendo sobre esse tipo de escrita, senti curiosidade em ler o famoso “Alice no País das Maravilhas” e ao conseguir uma edição dois em um, li também a continuação, “Alice através do espelho”. Gostei muito mais de “A caça ao Snark”, confesso que essa obra dois em um me deu muito sono e desânimo.

A edição está maravilhosa, o título e nome do autor estão escritos em vermelho metalizado.  As ilustrações de Riddell combinaram excepcionalmente com o gênero literário e aparecem ora de forma colorida, ora em preto e branco. Outro detalhe interessante é a letra capitular no verso que inicia cada canto, ela contém um Snark de fundo, sempre em posições diferentes. As capas internas tem um plano de fundo bege com lindos Snarks em azul.

FOTO: NARA DIAS / VIAGENS DE PAPEL

Acredito que devemos parabenizar a poeta Bruna Beber, responsável pela tradução da obra, se o gênero poesia já não deve ser nada fácil de traduzir devido às rimas na língua destino, imagina só juntar isso ao nonsense…

FOTO: NARA DIAS / VIAGENS DE PAPEL

Descobri algo muito interessante observando a tripulação logo no início do livro e o fato descoberto foi confirmado com o final interessantíssimo da história. Só não conto para não estragar a surpresa para os futuros leitores.

FOTO: NARA DIAS / VIAGENS DE PAPEL

Pesquisando alguns sites internacionais encontrei uma recente produção teatral da obra que, segundo entrevistas, deixa as crianças encantadas, mas muitas outras adaptações foram feitas a partir dessa obra. Outro fato curioso (e triste) é que esse poema épico e absurdo foi escrito por Carroll em um momento em que ele estava lutando com suas crenças religiosas após a grave doença de seu primo e afilhado, Charlie Wilcox, que acabou morrendo de tuberculose. Embora o poema fale sobre morte e  perigo, ele é cheio de humor e ideias extravagantes, que jamais relacionaríamos com um momento tão sério vivido pelo autor. Numa caminhada noturna, após cuidar do afilhado, surge na mente de Lewis os versos que encerram com maestria a história, e ao longo dos seis meses seguintes, o autor desenvolve o restante do poema.

FOTO: NARA DIAS / VIAGENS DE PAPEL

O Canto Um, O Desembarque. O navio é comandado por um tal de Mensageiro, que não sabe a diferença entre mastro e leme e deixa o timoneiro doido com seus comandos. Nesse canto os personagens são apresentados e algumas particularidades são mencionadas.

O Canto Dois, O Discurso do Mensageiro. Acontece o desembarque em uma ilha, depois de meses procurando a tal criatura exótica sem sucesso. O discurso do Mensageiro serve para alertar sobre as cinco peculiaridades de um Snark: paladar da criatura; acorda tarde; vagareza e seriedade até no momento de fazer graça; afeição por carrinhos de banho e a ambição, diferenças físicas entre os Snarks comuns e o tipo Bujum.

O Canto Três, A História do Padeiro. Esse personagem conta sua história de vida que o levou até o navio para participar da caça e explica a forma correta de se pegar um, além dos perigos de se encontrar um Bujum ao invés de um Snark.

“Você pode buscá-lo com dedais – mas não de maneira arbitrária;

Pode persegui-lo com forquilhas, e expectativa;

Você pode atormentá-lo com uma ação ferroviária;

Seduzi-lo com sabão e sorrisos é uma boa alternativa.”

O Canto Quatro, A Caça. O Mensageiro se irrita com o padeiro, por não ter mencionado antes da partida do navio sobre os perigos, mas incentiva a tripulação de que terão sucesso na caçada, apesar dos perigos em vista.

O Canto Cinco , A Lição do Castor. Esse capítulo foi um o mais divertido, ao mesmo tempo que o mais confuso para mim, porque até então o Castor tinha muito medo do chamado Açougueiro, porque este disse que só sabia matar castores. Mas neste canto, o encontro com o terrível pássaro Jubjub faz com que surja entre eles uma linda e sólida amizade. Em contrapartida, o jeito para espantar o tal pássaro pelo que entendi, seria fazer cálculos matemáticos, não sei se o fato de Lewis ser professor matemático inspirou a criar loucas estrofes de cálculos…

“Para começo de raciocínio, temos o Três – 

É um número conveniente para uma afirmação – 

Somamos Sete com Quatro e mais Seis

E por Mil menos Oito efetuamos a multiplicação.”

“E então dividimos o resultado

Por Novecentos e Noventa e Três:

Subtraímos por Dezessete ao quadrado

E a resposta está perfeita e correta, como vês.”

O Canto Seis, O Sonho do Advogado. Esse foi o canto que achei mais desnecessário e cansativo, pois apenas conta um estranho sonho que o advogado teve, totalmente sem pé nem cabeça, onde o próprio Snark era o advogado de um porco. Mas o que é mais um capítulo doido em meio a tantos…

O Canto Sete, O Destino do Banqueiro. Mais um da tripulação que teve um encontro desagradável com uma estranha criatura porém ao contrário do Castor e Açougueiro que conseguiram se livrar do Jubjub, o Banqueiro não teve tanta sorte ao encontrar um incendiário Arrebabanda.

O Canto Oito, O Desaparecimento. O final compensa todas as loucuras e dúvidas no decorrer da leitura. A ilustração e ênfase dada por Riddell ao final da história deixa tudo extremamente divertido.

FOTO: NARA DIAS / VIAGENS DE PAPEL

Recomendo? Lógico que sim. Para todos? Não, apenas para os amantes de poesias, amantes do mundo de criaturas fantásticas e absurdas criado por Carroll e também para os mantiveram-se curiosos após minha resenha.

E aí, o que achou?

terça-feira, 8 de Maio de 2018

Participe desse sorteio e concorra a um exemplar do livro “Sair da Sólidão – O tempo da consolação”, da autora espanhola Margalida Reus. O sorteio de 1 exemplar acontecerá no dia 28/5

Leia as regras:

* Seguir a nossa página Viagens de Papel [https://www.facebook.com/viagensdepapel];

* Seguir a página do Grupo Editorial Zit [https://www.facebook.com/grupoeditorialzit/];

* Compartilhar a imagem oficial da promoção;

* Marcar na imagem oficial ao menos 3 amigos;

* Residir em território nacional (Brasil).

O ganhador tem até 2 dias para reclamar o prêmio.
O ganhador receberá o prêmio em até 45 dias.
O prêmio será enviado ao ganhador sem custos.

A promoção é válida de 7/5 a 28/5, às 23:00h.

Sinopse:

“Nós vivemos em uma sociedade em que os indivíduos se sentem cada vez mais solitários e inseguros, muitas vezes por falta de amor e por medo tanto dos outros quanto de si mesmos.

Em virtude de sucessões de circunstâncias dolorosas, quantas pessoas não se limitam a viver em sofrida solidão, experiência que a autora chama de solidão?

Como sair dessa sólidão e tomar o caminho que leva à Consolação?
Margalida Reus nos convida ao reencontro e à compreensão do nosso sofrimento escondido, que foi vivido pela criança que fomos e que ainda nos habita.

A autora nos ajuda a acolher essa criança, a ouvi-la, a tirá-la do caminho da sólidão pelo qual enveredou.

Aqui estamos nós, no papel de guia, em uma viagem interior que nos leva a integrar a nosso ser aquela parte de nós que estava em exílio: a criança que fomos. Uma viagem que, passo a passo, nos ajuda a sair do desamor de si mesmo para entrar na Consolação, no “ser com”, e tornar-se confiante na própria vida.”


AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: VALENTINA, CORTESIA
ISBN: 9788558890588
GÊNERO: FANTASIA, INFANTOJUVENIL, AVENTURA  
PUBLICAÇÃO: 2018
PÁGINAS: 240 SKOOB

Não lembro exatamente quando foi a primeira vez que me deparei com essa capa, mas fiquei completamente apaixonada e de tal forma que assisti ao book trailer, o que não costumo fazer, e isso fez com que ele entrasse facilmente para minha lista de futuras leituras. Fiquei extraordinariamente feliz ao receber o livro através de nossa parceria com a Editora Valentina e só tenho a dizer logo de início: leiam!

Sempre comento em vários blogs que estou fugindo de sagas, mas dessa não tive como escapar, não tive como resistir à história e à linda capa de Alexander Jansson. No site da Editora Valentina é possível baixar a foto da capa, imprimir o marcador e até ler o primeiro capítulo.

A história se passa em 1899, na Mansão Biltmore, em Asheville, Carolina do Norte. Essa mansão é a maior casa de propriedade privada nos Estados Unidos, ela é real, e fica na região onde o autor Robert Beatty mora com a esposa e as três filhas, apesar da história criada por ele ser fictícia, ele usou o nome dos donos da propriedade, George e Edith Vanderbilt, apenas incluiu na história um sobrinho ao invés da filha real do casal, Cornélia.

Serafina e seu pai vivem escondidos no imenso porão da residência, ele trabalha na mansão desde sua construção, sendo o responsável pela manutenção das máquinas. Serafina tem 12 anos e habilidades interessantes, é uma excelente caçadora de ratos, move-se sem fazer nenhum ruído e seus hábitos são noturnos, além de certas peculiaridades em sua fisionomia, como grandes olhos cor de âmbar e cabelos composto de variados tons de dourados e castanho, quatro dedos em cada pé e uma clavícula malformada.

Logo no início da leitura dá uma certa dó da garota, porque viver no final do século XIX usando uma camisa velha do pai, amarrada na cintura com um barbante rústico causaria extrema estranheza, apesar de que ela se movimenta pela mansão sempre sem ser vista e em geral à noite. Então, em nossa mente, já surgem diversas dúvidas sobre o motivo deles estarem escondidos no porão e não viveram simplesmente numa casa da região.

No capítulo um, Serafina já tem seu primeiro encontro com o vilão da história, o homem da capa preta que é o responsável pelo desaparecimento de crianças que estão entre os hóspedes da mansão. Porém, até então ela não sabe disso e vê apenas uma menina de vestido amarelo sumir em meio ao rodopio da capa. No dia seguinte, descobre que é a hóspede Clara Brahms.

“À medida que o homem caminhava em sua direção, Serafina também passou a escutar outro som. Era uma agitação de pés se arrastando, como os de uma pessoa baixa – pés calçando chinelos, talvez uma criança. Havia algo errado. Os pés da criança estavam raspando na pedra, às vezes deslizando… as criança era aleijada… não… a criança estava sendo arrastada.”

Um dos passatempos prediletos de Serafina era observar as conversas e costumes dos hóspedes do senhor George Vanderbilt e sua esposa Edith, todos da alta sociedade, além de devorar os livros que o pai retirava furtivamente da imensa biblioteca existente na propriedade, por meio dos quais aprendeu a ler, com a ajuda do pai.

A partir do sumiço de Clara Brahms, Serafina começa a investigar a situação com a ajuda de seu primeiro amigo, também da mesma idade que ela, Braeden Vanderbilt, orfão acolhido por seus tios, donos da mansão. Braeden está sempre na companhia de seu cachorro Gideão. Ela o conhece num momento de descuido, enquanto observa uma apresentação feita aos hóspedes.

“Havia achado que tinha algo para contar a ele, mas a verdade é que ele também tinha muito para contar a ela. Um menino que sussurrava a respeito de sequestros e fraudes era o tipo de menino de quem ela poderia aprender a gostar.”

Em meio a investigação de Serafina e Braeden, outras crianças vão desaparecendo, muitos são os suspeitos e diversos nomes são apresentados, mas o interessante é que mesmo eu tendo acertado de primeira, ainda assim outros nomes passaram momentaneamente em minha cabeça. Minha filha de dez anos ainda está lendo o livro, está super aflita com as narrativas feitas e os momentos de tensão, ela também suspeita do real vilão, mas estou bem quieta sobre isso, porque ela, assim como eu, também está com outros nomes na lista.

“Ela olhou em torno, para o Sr. Vanderbilt, Seu Enkrenka e os outros homens. Estava começando a ver como era difícil determinar quem era bom e quem era mau, em quem podia confiar e com quem deveria ter cuidado.”

A história é narrada em terceira pessoa no decorrer de 31 capítulos. Os números ímpares que marcam o início de cada capítulo têm em volta de si uma menina formada de ramos e os capítulos de números pares uma leoa também formada de ramos.

FOTO: NARA DIAS / VIAGENS DE PAPEL

Uma das coisas que me irritou um pouco no decorrer da história foi Serafina chamar seu pai de Pa e ele chamá-la de Sera. Não combinou muito, nem foi agradável ler essas monossílabas. Um outro fato irritante foi um dos lacaios do Sr. Vanderbilt chamar-se Enkrenka, sendo todos os demais personagens terem nomes comuns. Apesar dos diálogos não terem o linguajar da época, isso não chega a ser um grande problema, ainda mais pensando que a obra é voltada para a garotada.

FOTO: NARA DIAS / VIAGENS DE PAPEL

Fora esses pontos, que não fizeram com que eu descontasse da nota final 5/5, gostei bastante da história, do desfecho final, de todos os detalhes envolvidos e descrições e ações em cena. Acredito que a obra tem grande potencial para ser adaptada cinematograficamente, ou quem sabe numa série. Fico aqui ansiosa aguardando o próximo volume e curiosa para saber como será a vida de Serafina a partir de então, já que é a heroína da história e não tem mais como manter-se nas sombras.

“Nosso caráter não é definido pelas batalhas que vencemos ou perdemos, mas sim pelas batalhas que ousamos lutar.”

FOTO: NARA DIAS / VIAGENS DE PAPEL


Futuros lançamentos:

FOTO: SITE ROBERT-BEATTY

FOTO: SITE ROBERT-BEATTY


Book Trailer Livro 1 – Serafina e a capa preta


Book Trailer Livro 2 – Serafina e o bastão maligno (tradução baseada na versão publicada em espanhol)


Book Trailer Livro 3 – Serafina e o seu destino (tradução baseada na versão publicada em espanhol)


Confira outras informações no site do escritor Robert Beatty.

E você, já conhecia o título? O que achou?

terça-feira, 17 de Abril de 2018

AVALIAÇÃO: 5/5 
EDITORA: HARPER COLLINS, CORTESIA
ISBN: 9788595081710
GÊNERO: DRAMA
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 336
SKOOB

QUE. LIVRO. F****. Não é o jeito tradicional que se inicia uma resenha, mas talvez sejam as palavras corretas para demonstrar todo o sentimento que tive durante a leitura. Vacas foi um livro que chegou, ofereceram para mim e ficou alguns meses na estante, esperando para ser lido. Eu não sabia absolutamente nada da história, tampouco da autora ou algo do gênero. Não sei bem o motivo para que isso acontecesse, talvez pelo fato de surgirem outras leituras desejadas na frente, fazendo com que ele fosse ficando na estante. Mas sabe, depois que iniciei e embarquei nessa viagem, penso apenas uma coisa: QUE LEITURA NECESSÁRIA!

Tara é uma mulher na casa dos quarenta anos que divide o tempo entre cuidar sozinha da filha, Annie, e trabalhar como produtora de TV, onde tem que lidar com o machismo cotidiano dos seus colegas de trabalho. Mãe solteira, nunca contou ao pai de Annie sobre a existência da filha. Camila Stacey é uma mulher bem sucedida profissionalmente, mantém um blog de estilo de vida e conta com milhares de seguidores, tornando-se um ícone para sua geração. Tem um pensamento um pouco diferente das pessoas ao seu redor, principalmente no que tange ao ser mulher na atualidade, o que causa sempre certa polêmica, mas é decidida no que quer, até na hora de escolher o homem que quiser. Stella, por sua vez, vive assombrada pela doença genética que matou sua mãe e irmã no passado, sobre a qual ela tem fortes chances de ser acometida. Namora Phill e seu desejo é ser mãe, mas sabe dos riscos que a doença pode trazer à sua vida. Três mulheres, com suas histórias de vida, que se vêm envolvidas num acontecimento que as deixarão muito unidas, entre a catástrofe e a busca por inspiração, além de levantar uma série de questões problemáticas de nossa sociedade.

Mostrei-me empolgado com o início da resenha e espero conseguir dar conta de falar sobre todos os pontos da leitura. Com uma narrativa repleta de drama e uma certa ironia, Dawn apresenta a história de três mulheres bem diferentes, com cenários diferentes do feminino na sociedade. O próprio título do livro, incluindo o trecho “nem toda mulher quer ser princesa”, diz muito do que esperar da história. Tara, Camila e Stella são três personalidades totalmente diferentes, mas com um desejo em comum: fugir dos padrões. Arrisco dizer que me identifiquei mais com Camila e Tara, principalmente pelas suas atitudes e decisões, apesar de tentar entender um pouco o lado de Stella, mas não concordando com o que ela fazia. Dawn escolhe a dedo, e se torna feliz com isso, realidades totalmente diferentes, colocando em cheque que é ser mulher na sociedade atual. Machismo, feminilidade, maternidade e preconceito são apenas alguns temas que estão presentes na história com um sarcasmo que torna a leitura ainda mais irreverente.

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AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: TINTA NEGRA, CORTESIA
ISBN: 9788563876546
GÊNERO: CONTOS
PUBLICAÇÃO: 2014
PÁGINAS: 72 SKOOB

Recebi com muita empolgação esse título. Primeiro porque aqui em casa temos três cachorros que aprontam muitas situações divertidíssimas, Mikka (labradora), Luke (pit bull) e Zoe (pastora suíça) e em segundo porque aprecio a leitura de contos e de imediato fiquei curiosa em conhecer as histórias de Silvia Parisi.

A edição está uma fofura, impossível para quem gosta de cachorros não se apaixonar pelo trabalho da Traço Design. O fundo recebeu a mistura de verde e azul, um tom lindo, cheio de poás brancos, com dois cachorros dachshund, os famosos salsichinhas, em marrom.

As abas internas, orelhas do livro, têm patinhas caninas e o fundo listradinho. Nas páginas internas, sumário, páginas finais e contracapa também encontramos outros cãezinhos de raças diferentes, um mimo.

O livro é composto por 16 contos e neles encontramos os mais variados nomes para os bichanos: Thor, Sissi, Freud, Mike, Toby, Samba, Toquinho, Habib, Pokémon, Fumaça e Pipoca.

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Alguns contos estão bem divertidos, outros porém não me agradaram tanto. Selecionei os meus quatro prediletos:


Juntos até que o cão os separe – Gina e Marcos estavam felizes casados, mas tudo mudou com a chegada de Thor.

“Nos dias que se seguiram, Gina passou a olhar aquele cãozinho de modo diferente. Acostumada a ter a atenção total do marido apaixonado, agora tinha que dividir tudo com “aquele bicho”.”


The dog from Ipanema – Uma grande confusão acontece quando dona Vilma leva sua cachorra Sissi à praia.

Ignorando a proibição de animais na praia, a desavisada vovó resolveu proporcionar a Sissi uma surpresa: conhecer o mar.


A reunião – Todos tem medo de pit bull, fato, então uma Assembleia Extraordinária é realizada para decidir o destino de um cão.

“O dono do cachorro ficou à porta do salão e começou a reclamar da perseguição, afinal, naquele edifício havia pinschers que latiam sem parar, shnauzers que atacavam e até um ‘salsicha’ que vivia fazendo xixi no elevador. Para isso ninguém ligava.”


Encontros – Um lindo conto de amor que começou com o carimbo de patas de cachorro em uma roupa branca.

“Rosana não sabia se olhava a roupa, o cão, o homem misterioso ou acompanhava o riso da meninada.”


A paulistana Sissi Parisi é veterinária e ama tanto sua profissão que também escreve artigos, já lançou uma coleção de livros sobre cães e mantêm um portal na internet. A prova de seu amor é a foto dela na orelha da quarta capa, Silvia está com três lindos e fofos cachorros.

“Tudo ia bem para o cãozinho quando um fato marcante aconteceu em sua vida canina: a dona, sem consultá-lo, resolveu ter um bebê. Isso foi atrevimento demais para ele.”


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E você, também gosta de cachorros? Já leu algum outro livro com esse tema?

segunda-feira, 2 de Abril de 2018

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: ZIT EDITORA, CORTESIA
ISBN: 9788579331237
GÊNERO: INFANTOJUVENIL 
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 32 SKOOB

Recebi este livro lindo para avaliação e, como sempre, a Zit Editora nos surpreende com uma edição infantojuvenil rica, caprichosa e que aborda o luto de forma delicada e lúdica, com uma linguagem realmente voltada para o público infantil.

O menino achava que a casa era preta. Aquela em que ele, a mãe e o pai foram morar logo depois da enorme dor causada pela morte de sua irmã, mais velha que ele. Será que a casa era preta mesmo? Ou a dor do menino é que a pintou dessa cor?

O livro é de poucas palavras, a cada folha virada, nos deparamos com um pequeno texto, bastante profundo e real. Escrito em terceira pessoa, a escritora mostra a visão de Arthur ao se mudar para a nova casa, a falta que sente da irmã; os fantasmas e monstros que moravam com eles na casa; o olhar dos pais mais tristes do mundo…

Em meio a toda esse sofrimento, percebemos como o pequeno Arthur foi lidando com tudo, as recaídas naturais durante o processo.

A metáfora é usada para exemplificar os momentos difíceis que nosso corajoso personagem suportou.

“…e chorava até seu choro se transformar em um oceano de lágrimas, onde ele navegava remando e levando suas palavras para lugares bem distantes.”

O livro foi escrito pela carioca Fátima Geovanini, ela é psicóloga, psicanalista, doutora em bioética e especialista em cuidados paliativos. A história foi inspirada em fatos reais, não sabemos se foi baseado na perda da Giovanna, filha da autora a quem ela dedica o livro, além de seu filho Antônio, ou se foi baseada em toda a experiência que ela carrega por ter uma profissão que lida com situações de luto e dor, ou ainda uma mistura de tudo isso. De qualquer forma, temos um livro muito importante, sou favorável à utilização desse tipo de literatura com as crianças, por ser uma excelente estratégia para abordar assuntos mais difíceis, até porque elas mesmas demonstram curiosidade em temáticas desconhecidas e ou pouco comentadas.

Não posso deixar de mencionar as ilustrações fabulosas de Juliana Pegas, já estou apaixonada pela criatividade e pelo traço marcante dessa designer gráfica carioca.

A capa é preta fosca, com o contorno dos monstros e fantasmas em preto brilhante. Nas capas internas temos os monstros e fantasmas, porém em tons claros de amarelo. Todo o trabalho de Juliana está lindo, as cores que usou e a forma como utilizou as cores foi excelente.

Você leria esse livro? Você já leu algum outro livro com essa temática para crianças?


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sexta-feira, 23 de Março de 2018

À convite da Companhia das Letras fui assistir a pré-estreia do filme “Pedro Coelho”, nessa sexta-feira (16/03/2018), no Cinemark do Shopping Eldorado, aqui em São Paulo.

O filme é baseado na obra da autora Beatrix Potter, que é conhecida principalmente por dar vida às aventuras do coelho mais levado do mundo. Eu não li o livro, mas quando era novinha assistia a série animada na TV Cultura, Petter Rabbit. Achei um pedacinho aqui para você ver se lembra também.

Beatrix Potter nasceu em 1866 e desde pequena gostava de viver observando a natureza, inclusive os animais. Imaginem a dificuldade de lançar um livro nessa época, levando em consideração

Livro

empecilhos sociais. Mas ela não desistiu, mesmo depois de tantas negativas seu primeiro livro foi lançado em 1902 e foi um sucesso de vendas! E como toda boa história… não acaba por aí! Ela inovou patenteando um boneco de pano do seu personagem principal, além de fazer um jogo de tabuleiro e pensar em outras peças para comercializar. Será que podemos dizer que a a ideia de existir mimos de personagens que amamos teve início com a Beatrix? 😮 #arraso! Mas precisamos de uma pesquisa histórica para ter certeza.

Bem, vamos a história do filme: Pedro, o coelho, vive com suas irmãs trigêmeas e seu primo Benjamin em uma buraco no tronco de uma árvore em frente a horta/jardim do Seu Gregório, o velho mais ranzinza da face da terra, que mesmo esbanjando comida em seu quintal não quer dividir nada com os animais que vivem em volta. Mas isso não impede Pedro de tentar invasões planejadas para conseguirem pegar toda comida que precisam e ainda escaparem vivos do Seu Gregório.

As peripécias dos jovens coelhinhos não acabam mal graças a bondosa Bea, a vizinha do Sr. Gregório, pintora e amante de animais que sempre os protege de virar recheio de torta. É isso mesmo! Disse que Sr. Gregório não é do bem! rs

Foto divulgação Sony Pictures

A trama muda um pouco com a chegada de um parente mais novo do Sr. Gregório, o Thomas. Agora, além de disputar o jardim, Pedro e sua turminha tentarão disputar a atenção da bondosa Bea.

O filme é muito espirituoso, assim como seu protagonista Pedro. Várias risadas encheram o cinema com um público de adultos e crianças. As sacadas e piadas não são forçadas e mantém um bom ritmo até o final do filme.

E gente do céu! Que animação caprichada é essa?! Em misto filme e animação live-action 3D que ficou hiper realista! Não só as características dos animais, seus movimentos e detalhes… Não só isso! Prestem atenção no vento batendo nos pelos dos personagens, por exemplo! Perfeito! Sony Pictures: Arrasou!

Final de sessão e ainda ganhamos um mimo: uma cenoura – Recheada de ovinhos de chocolates! hummmm

Cine Cabine com Companhia da Letras

 

Indico um passeio ao cinema para levar a garotada. Adultos em galera ou mesmo sozinhos com certeza vão curtir e apreciar essa produção. Estreia 22 de março nos cinemas.

Bom filme!

segunda-feira, 19 de Março de 2018

Avaliação: 4,5/5
Editora: Intrínseca, Cortesia
ISBN: 9788551002858
Gênero: livro-reportagem
Publicação: 2018
Páginas: 248
Skoob

Daniela Arbex já apareceu outras duas vezes no Viagens de Papel. A primeira, com o livro Holocausto Brasileiro (um dos melhores que já li). A segunda, com Cova 312. Arbex é uma jornalista brasileira, trabalha há 22 anos como repórter especial do jornal Tribuna de Minas. Ela já ganhou inúmeros prêmios por suas investigações e seus dois livros-reportagem mencionados anteriormente também receberam grande destaque. Em 2018, ela lançou, junto à Intrínseca, o livro Todo dia a mesma noite – a história não contada da boate Kiss.

No ano em que a tragédia de Santa Maria completou cinco anos, Arbex publicou um relato sensível, que reconstitui histórias de uma dor que nunca irá passar. Lembro até hoje do dia em que aconteceu a tragédia. Eu estava na praia com os meus pais, tinha 19 anos na época, estava começando a sair para baladas e bares com as amigas. Na época, o incêndio foi muito impactante para mim pois pude me imaginar no lugar daqueles jovens, que só estavam querendo se divertir e tiveram seus sonhos interrompidos. A repercussão do incêndio gerou uma série de novas medidas de segurança no Brasil inteiro, mas ainda hoje, quando vou à ambientes fechados e escuros, fico um pouco tensa pensando se realmente é possível escapar daquele lugar se algo acontecer.

É por esse motivo que o livro de Daniela Arbex é tão importante. A partir de todas as tristes histórias que ela resgata, ela questiona o porquê de tudo aquilo ter acontecido e faz um alerta sobre a impunidade dos responsáveis. São 16 capítulos em que ela relembra, com duras palavras, tudo o que aconteceu, dando detalhes que eu já havia me esquecido – ou até mesmo nem tinha conhecimento, e fala sobre como aquele acontecimento afetou a cidade de Santa Maria e todo o país.

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sexta-feira, 16 de Março de 2018

AVALIAÇÃO: 3,5/5
EDITORA: SEGUINTE, CORTESIA
ISBN: 9788555340512
GÊNERO: JOVEM ADULTO, MISTÉRIO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 278
SKOOB

Pensando em trazer novas opiniões e apresentar para vocês novos olhares a partir de uma mesma obra, esta resenha seguirá um formato diferente. Logo abaixo, vocês encontrarão duas opiniões a respeito do livro Fraude Legítima.

Tayara Casemiro

Escrito pela autora E. Lockhart e publicado no Brasil pela editora Seguinte, o título Fraude Legítima nos conta a história de Imogen e Jule, duas grandes amigas que tem suas vidas entrelaçadas, e são protagonistas de uma história digna dos cinemas.

Imogen é uma jovem rica que nunca encontrou seu lugar no mundo, ela vive em busca de liberdade e principalmente, vive em busca de encontrar um lugar onde ela se sinta preenchida. Jule é uma fugitiva, uma garota que assume várias personalidades para conseguir sobreviver, e cria diversas histórias diferentes para preencher as lacunas em sua vida. As duas acabam se encontrando, e deste encontro uma intensa amizade surge, na qual ambas acabam sendo quebradas mais do que já eram.

Fraude Legítima não é um livro muito fácil de ser lido, demorei um certo tempo para entrar no ritmo da história e isso fez com que eu demorasse mais para terminar de lê-lo. A autora E. Lockhart fez neste título o que sabe fazer de melhor em seus livros, confundir os leitores. Toda a história é cheia de idas e vindas, somos levados ao passado e presente de Jule diversas vezes, a princípio isso pode confundir um pouco, mas conforme vamos entrando no ritmo, fica mais fácil acompanhar essas voltas no tempo.

Nada nessa história é como eu imaginei que seria, logo de cara sabemos sobre a morte de Imogen e somos inseridos na loucura que é a vida de Jule. A garota tem uma vida muito misteriosa, nada é comum em sua vida, e nas visitas ao seu passado vamos entendendo um pouco mais sobre sua ligação com Imogen, e sobre como as coisas acabaram terminando dessa maneira trágica.

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